População macapaense paga caro por transporte coletivo ruim

PENDENGA JUDICIAL – Juiz Mário Mazurek (falando ao microfone) reduziu o aumento em R$ 0,15. O promotor Luiz Marcos da Silva propõe a anulação do reajuste. Pesquisa de acadêmicos da UNIFAP expõe péssimas condições do transporte urbano em Macapá
Por: Emanoel Reis

Satisfação é uma palavra ausente do vocabulário de quem usa o transporte urbano em Macapá. Para atestar realidade tão sombria, basta uma breve consulta junto aos usuários para ouvir um antônimo que virou regra entre eles: descontentamento. Isso mesmo. A maioria absoluta critica o sistema de transporte coletivo macapaense. A começar pelo novo valor da passagem, três reais e vinte e cinco centavos, estipulado pelo juiz Mário Mazurek, da 2ª Vara Cível e de Fazenda Pública de Macapá. Em seguida, pelas más condições de muitos dos veículos em circulação na capital amapaense; por último, pelos maltratados ensejados por motoristas e cobradores contra crianças e idosos.
Realmente, não há motivos para festas quando o assunto é transporte urbano em Macapá. A questão guarda uma caixa-preta antiga e inexplicavelmente inacessível, inclusive, para o próprio prefeito de Macapá, Clécio Luis (Rede). Devido a complexidade do problema, Clécio Luís prefere manter-se à distância, mesmo isso significando uma mordida de tubarão branco nas já combalidas finanças das milhares de famílias carentes de sua municipalidade.
Aparentemente, Clécio lavou as mãos diante do imbróglio que teria começado com o vereador Rinaldo Martins (PSOL), depois encampado pelo Ministério Público do Estado, por meio da Promotoria de Defesa do Consumidor. Numa ofensiva contra as pretensões do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Amapá (Setap), o MPE protocolou pedido de anulação do aumento da tarifa de ônibus, o que deixou o presidente do Setap, Décio Melo, à beira de um ataque de nervos.
A única reação da Prefeitura de Macapá, mais para desencargo de consciência, partiu da Companhia de Trânsito e Transportes de Macapá (CTMac). O diretor-presidente da autarquia, André Lima, declarou-se contrário ao aumento, observando que aguardaria o órgão ser notificado da decisão para tomar as “providências cabíveis”. Não esclareceu quais “providências” pretendia adotar. Ou se, pelo menos, ensaiou a adoção de alguma medida. Deu uma de esfinge e fechou-se em copas. (Leia Mais Em Cidade)