Ministério Público apura mortes em Hospital da Criança e Adolescente

CRISE SEM FIM – Denúncias sobre mortes de crianças em hospital de Macapá novamente descortinam o desleixo dos governantes com a saúde da população

O Ministério Público do Amapá (MP-AP), através da Promotoria de Defesa da Saúde Pública e Promotoria da Infância e Juventude de Macapá, está apurando denúncias de que a superlotação na Unidade de Tratamento Intensivo – UTI do Hospital da Criança e Adolescente, única do Estado, estaria resultando em óbitos de crianças internadas naquela unidade de saúde.
Segundo relatos de alguns pais, somente nesta semana, quatro crianças faleceram esperando transferências para a UTI do HCA, que atualmente conta com apenas 10 leitos em funcionamento.
Na última quarta-feira (14), em inspeção realizada pelos promotores de Justiça André Araújo, Eduardo Kelson de Pinho e Jorge Fredi, foi constatado que várias crianças aguardam leitos na UTI, internadas de forma precária nas salas vermelha e amarela do Pronto Atendimento Infantil (PAI).
Segundo a direção do Hospital, o atraso na conclusão das obras do HCA, que contempla a ampliação da UTI para 20 leitos, contribui para a dificuldade na transferência das crianças, pois, nesse período do ano aumentam bastante os casos de doenças respiratórias, especialmente pneumonia.
A Promotoria da Infância e Juventude de Macapá também vem recebendo diversas reclamações sobre a superlotação do Pronto Atendimento Infantil e a insuficiência de leitos de UTI.
Uma destas reclamações refere-se ao falecimento, no último dia 12, da criança Evelyn, de apenas 15 meses, após complicações resultantes de uma pneumonia. Segundo os pais, a causa da morte teria sido a falta de acesso a um leito de UTI.
Os pais procuraram a Promotoria da Infância para denunciar suposta negligência no atendimento.
A promotora da Infância e Juventude (substituta), Clarisse Alcântara, vai determinar que sejam apuradas as circunstâncias da morte da criança, por ter encontrado evidências de que esta veio a falecer por não ter conseguido internação na Unidade de Terapia Intensiva do HCA.
“É urgente a necessidade de ampliação de vagas de UTI no Hospital da Criança. Muitas crianças ainda podem morrer caso essa situação se prolongue” destacou a promotora Clarisse.
Desde 2016 está em trâmite na Justiça uma ação civil pública para a melhoria das condições de atendimento do HCA.

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Governo ignora mães carentes em hospitais superlotados de Macapá

Reportagem: Emanoel Reis
ESQUECIDAS – Dezenas de mulheres vivem diariamente o drama do abandono em dois hospitais especializados no atendimento de crianças

Diariamente, dezenas de mulheres indignadas podem ser facilmente encontradas nas frentes do Pronto Atendimento Infantil (PAI) e Hospital da Criança e Adolescente (HCA). Quem passa com muita pressa não percebe o drama vivido por essas pessoas, sempre aglomeradas às proximidades dos dois hospitais, na avenida FAB, Centro de Macapá. Na condição de baixa renda, elas são ignoradas pelos governos estadual e municipal, e, sendo assim, seus queixumes não ecoam nos Palácios do Setentrião (sede do governo Waldez Góes), tampouco no “Laurindo Banha” (local de trabalho do prefeito de Macapá, Clécio Luís). Desamparadas pelos dois governos, resta-lhes, somente, clamar aos céus para que seus filhos e filhas não morram nos corredores superlotados das duas unidades.
A tristeza dessas mulheres, mães e donas de casa, tem uma única origem: seus filhos e filhas estão internados nas duas unidades de saúde mais mal-afamadas no Amapá pela superlotação e, conforme denúncias, também pelo atendimento clínico deficiente. Todas vivem sobressaltadas por isso, temendo pelo que pode acontecer às suas crianças doentes. “Tenho pavor de que meu filho morra sem assistência médica”, comenta a desempregada Marilza Santos, residente numa área de baixada no bairro do Pacoval. O filho dela, com dois anos de idade, contraiu uma bronquite aguda e há três dias vivia drama indescritível nos corredores lotados do HCA. Nas 72 horas de permanência na unidade, a criança continuava apresentando os mesmos sintomas. “Já andei todo esse hospital, implorando para meu filho ser atendido”, queixa-se ela. (Leia Mais em Cidade)