Macapá continua entre as piores em saneamento básico

RETROCESSO – Cidades da Amazônia lideram ranking de pior saneamento básico do Brasil; Macapá aparece entre as últimas na pesquisa

O ranking do saneamento básico do Instituto Trata Brasil, lista quatro capitais da Amazônia entre as piores do Brasil em acesso ao serviço. A publicação avalia séries históricas de água e esgoto dos 100 maiores municípios do Brasil entre os anos de 2009 e 2013. Neste período, enquanto as cidades mais bem colocadas estão no eixo Sul-Sudeste, o estudo aponta que localidades como Várzea Grande, no Mato Grosso, e Santarém, no Pará, não investiram nem R$ 1 no serviço.
A capital do Mato Grosso, Cuiabá, e São Luís, no Maranhão, são as cidades da região com o melhor índice de saneamento básico. Ainda assim, ocupam as 70ª e 78ª colocações, respectivamente. Em situação ainda mais grave aparecem as capitais do Amazonas, Amapá, Pará e Rondônia. Manaus é a 92ª do ranking, seguida de Belém, 93ª e Macapá, 96ª. No fim da lista está Porto Velho, na 100ª posição da lista.
De acordo com informações do Trata Brasil, caso Manaus, Macapá, Belém e Porto Velho mantivessem os níveis de avanços de 2009 a 2013, nenhuma das cidades atingiria a universalização dos serviços até 2033.
Já outro estudo, desta vez elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que apenas em 2089, ou 35 anos após a média nacional, a Região Norte do Brasil vai conseguir universalizar o saneamento básico para todos os seus habitantes, onde, hoje, menos de 15% do esgoto é tratado e falta água encanada para mais de 47% dos municípios. Segundo a pesquisa, o País só atingirá meta de saneamento em 2054.
De acordo com o estudo, apenas 6,5% do municípios da Região Note têm rede para a coleta de esgoto. Além dos problemas de acesso ao saneamento, o estudo da CNI aponta para o elevado índice de perda na distribuição de água. Em valores monetários, o desperdício e o roubo de água fazem com que de cada R$ 100 gastos para fornecer água, apenas R$ 63 sejam faturados pelas companhias de abastecimento. A perda de água tende a ser pior no Norte. Mais da metade da água que é captada, 50,8%, não chega aos domicílios, aponta a CNI.
De acordo com Wagner Cardoso, gerente de Infraestrutura da CNI, há um círculo vicioso que impede que todos os brasileiros tenham acesso à água encanada e ao tratamento de esgoto. “Nós temos um sério problema de planejamento urbano e esse é um dos problemas que afetam a eficiência no saneamento também. Não é só um problema. Existe um círculo vicioso que precisa ser rompido”. Diante do contexto de epidemias de dengue, zika vírus e febre chikungunya, ele assinala que custa muito caro não ter saneamento básico no País, principalmente nas internações hospitalares.
O estudo da CNI ‘Burocracia e Entraves no Setor de Saneamento’ aponta que toda a população do País só será atendida com água encanada em 2043. Segundo as metas definidas pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), os serviços deveriam chegar a todos os lares em 2033.

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