Autor lança livro independente para tratar das minudências do cotidiano


CAPAS DO LIVRO – ESCRITO, EDITADO E DIAGRAMADO PELO PRÓPRIO AUTOR, “TRIVIAL COTIDIANO” GANHA VERSÃO IMPRESSA E PODE SER ENCONTRADO NA BANCA DO DORIMAR

Está disponível na Banca do Dorimar, localizada na praça Veiga Cabral, centro comercial de Macapá, a versão impressa do livro “Trivial Cotidiano – Crônicas do Caos Sem Fim”, de autoria do jornalista e publicitário Emanoel Reis. A obra reúne crônicas versadas sobre assuntos variados, construídos a partir de episódios corriqueiros catalogados pelo autor ao longo de cinco anos de observações. O desafio, segundo afirma, é extrair lições de vida de qualquer cenário ou acontecimento aparentemente insignificante, como uma trombada na coluna interna de uma agência bancária ou um tropeção em cacos de tijolos dispersos sobre uma calçada.
“Extrair lições simples de acontecimentos aparentemente insignificantes ocorridos no cotidiano, requer uma percepção apurada das coisas e personagens envolvidos. Nem sempre isso é possível. Normalmente, esses fatos corriqueiros passam despercebidos por conta da complexidade dos problemas diários que exigem atenção redobrada. Às vezes, essas complicações nem sempre deveriam absorver energia pessoal desmedida, mas, como a sobrevivência com dignidade exige empenho excessivo, isso acaba desviando os olhares para interesses momentaneamente importantes”, assinala o cronista.

EMANOEL REIS – AUTOR TRATA EM LIVRO O COTIDIANO COMO FONTE DE SABEDORIA. PROPOSTA É MOSTRAR PARA O LEITOR O CAMINHO DA AUTOCOMPREENSÃO

Para evitar esse desperdício, Emanoel Reis recomenda percepção apurada das trivialidades cotidianas que funcionam como argamassa na construção dos acontecimentos diários. Segundo propõe, estar atento a eles facilita o entendimento da própria vida, incluindo ser bem-sucedido nos relacionamentos e ter garantia de bons negócios.
Para embasar esse conceito, apresenta uma ideia formulada há muito tempo por um professor da Universidade Federal do Pará cujo nome prefere não divulgar: no mundo, só existem pessoas e ambientes. “Naquele momento, não entendi a essência da ideia. Mas, com o tempo fui aprimorando minha experiência de mundo e, então, compreendi a profundidade da proposta formulada. Se sua percepção está desenvolvida, facilmente identificará as pessoas e seus respectivos ambientes. Com esse conhecimento, você terá mais chances de sucesso”, assinala. (Leia Mais Em Cultura)

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População de baixa renda é tratada como sub-raça na Guiana Francesa

SEPARATISTAS – Os militantes Jean Georges Maïas e Ninsey Kramer, do MDES, defendem a independência imediata da Guiana (Foto: Fábio Zucker)

A posse do novo presidente francês, Emmanuel Macron, certamente não foi muito festejada por alguns habitantes da Guiana (em francês Guyane), departamento francês que tem 730 quilômetros de fronteira com o Brasil (leia-se Estado do Amapá). Há muito tempo eles reclamam que liberdade, igualdade e fraternidade só existe em Paris (capital da França). Na Guiana, mesmo, a última palavra é da elite branca, conforme orientações advindas de Paris.
Aliás, quase nada se produz na Guiana. Ou seja, tudo que é consumido pela população vem da França ou de outros países europeus. Faltam escolas para as crianças de baixa renda, os indígenas residentes na amazônia francesa são discriminados, perseguidos e mantidos em suas aldeias com aparência de guetos — a taxa de suicídio entre esses indígenas alcança níveis assombrosos —, a liberdade de expressão é duramente reprimida e a política no departamento depende das diretrizes provenientes do Palácio do Eliseu (sede do governo francês).
Sem debates
“A divisão e as fraturas em nossa sociedade devem ser superadas. O mundo e a Europa precisam mais do que nunca da França e de uma França forte, que fala em voz alta pela liberdade e pela solidariedade”. Para os guianenses Ninsey Kramer e Jean Georges Maïas, esse trecho do discurso de Macron não significou absolutamente nada porque, conforme explicam, a vida na Guiana seguirá sem nenhuma alteração apesar da força retórica contida nas palavras do novo presidente. Kramer é professora de matemática, química e física. Maïas é técnico de informática. Para eles, as leis que são votadas na França são imediatamente aplicadas na Guiana sem nem se debater a sua aplicabilidade. São leis parisienses diretamente aplicadas sobre território amazônico.
Ninsey Kramer e Jean Georges Maïas são militantes do partido político que luta pela independência e autonomia do território da Guiana francesa, o MDES (Movimento para a Decolonização e Emancipação Social). “Liberdade, Igualdade, Fraternidade? Tudo isso não existe na Guyane. Não podemos dizer isso se não existem escolas para as crianças. Enquanto país, a França reconhece apenas um povo”, disse Kramer.
A dimensão deste drama pôde ser avaliada durante a greve geral deflagrada em abril pela população que ocupou as principais ruas do departamento. A principal reivindicação dos manifestantes — melhor qualidade de vida — até agora não foi atendida pelo governo francês, que continua sobrecarregando o povo com leis completamente distintas da realidade vivida no território.
A origem
Conhecida oficialmente como um departamento remoto da França, a Guiana Francesa está situada entre o oceano Atlântico e o Estado do Amapá. Do final do século 18 a meados do 20, a região abrigou uma imensa colônia penal. Sua notória prisão da Ilha do Diabo teve como seus prisioneiros mais famosos o capitão do Exército francês acusado de traição Alfred Dreyfuss — protagonista do famoso “Caso Dreyfuss”— e Henri Charièrre, autor de “Papillon”, romance supostamente autobiográfico.
A Guiana Francesa é também um local com vários problemas. A maioria de sua população de 250 mil pessoas não tem água encanada ou eletricidade. O desemprego é endêmico, atingindo 50% da população jovem, e o índice de homicídios é o maior entre os territórios franceses no exterior.
A principal parcela da população é mestiça, descendente de escravos e colonizadores franceses; há minorias francesas, haitianas, surinamesas, brasileiras e asiáticas. A língua oficial é o francês, mas a que predomina é o creole guianense francês.
O departamento francês é governado por uma autoridade territorial, exercida desde 2015 pela Assembleia da Guiana Francesa, eleita localmente. A Guiana Francesa também tem problemas com a imigração ilegal, incluindo de brasileiros, alimentada especialmente pelo setor da mineração — o território tem jazidas de ouro. Algo que não é refletido pela renda per capita anual de US$ 15 mil, no mesmo patamar que a do Brasil — e metade da média
da França.

Polícia francesa reprime manifestantes na Guiana:

 

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Morre, aos 70 anos, o trovador alucinado

ENCONTROS E DESENCONTROS – Belchior viveu o auge da carreira na segunda metade da década de 1970, quando vários artistas gravaram suas canções. Nas imagens, Belchior com a ex-esposa Angela, a mãe Dolores, a filha Camila, a irmã Angela, e os amigos Tota e Conceição Marques, nos 80 anos da mãe do compositor. Tota, com os filhos Rafael e Jéssica, Gilberto Gil e Belchior em Sobral. Com Veveu Arruda, prefeito de Sobral. Com Tarcísio Sardinha. Ednardo, Zé Tarcísio, Tota e Belchior

Após uma década voluntariamente fora de cena, Antônio Carlos Belchior foi-se aos 70 anos de idade. A notícia chegou ao público após Edna Assunção de Araújo, a companheira do artista, ter ligado para parentes informando que Belchior foi dormir, mas não acordou. O casal vivia em Santa Cruz do Sul (RS), a 120 km de Porto Alegre, em um exílio voluntário da vida artística do cantor e compositor. Foi lá que o músico sofreu uma parada cardíaca, horas após realizar uma pequena apresentação.
Compositor cearense entre os mais notórios do cancioneiro popular brasileiro, Belchior conheceu a fama na década de 1970, quando morava no Rio de Janeiro e teve canções gravadas por Elis Regina, incluindo Como Nossos Pais. A carreira decolou como um foguete. Ele gravou discos, emplacou sucessos, colecionou namoradas e compôs hinos que atravessaram gerações.

Apenas um rapaz…
Cinco anos antes de Alucinação ganhar as emissoras de radio, Belchior era um estudante de Medicina da UFC. Circulava em importantes corredores da cultura de Fortaleza – como o Bar do Anísio, na Beira Mar – e trabalhava no programa da TV Ceará Porque Hoje é Sábado, que apresentou a nova geração da música local. Mas foi em 1971, em uma viagem cheia de percalços, que Belchior conseguiu projetar suas composições nacionalmente. Deixou para trás a faculdade e a vida em Fortaleza. Juntou os pertences e foi para o Rio de Janeiro.

Discografia Completa:

1974 – Belchior (Continental – LP)
1976 – Alucinação (Polygram – LP/CD/K7)
1977 – Coração Selvagem (Warner – LP/CD/K7)
1978 – Todos os Sentidos (Warner – LP/CD/K7)
1979 – Era uma Vez um Homem e Seu Tempo/Medo de Avião (Warner – LP/CD/K7)
1980 – Objeto Direto (Warner – LP)
1982 – Paraíso (Warner – LP)
1984 – Cenas do Próximo Capítulo (Paraíso/Odeon – LP)
1986 – Um show – 10 anos de sucesso (Continental – LP/ K7)
1987 – Melodrama (Polygram – LP/K7)
1988 – Elogio da Loucura (Polygram – LP/K7)
1990 – Trilhas sonoras (Continental – CD/ LP/ K7)
1992 – Eldorado – com Eduardo Larbanois e Mario Carrero (Movieplay – CD)
1993 – Baihuno (MoviePlay – CD)
1995 – Um concerto bárbaro (Polygram – CD)
1996 – Vício Elegante (Paraíso/GPA/Velas – CD)
1999 – Auto -Retrato (BMG – CD)
2004 – As várias Caras de Drummond

Belchior em 1974 

 

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