Abastecimento irregular de água atinge mais de 90 mil pessoas em Santana

DESLEIXO - Obras de ampliação do fornecimento de água para os moradores de Santana estão paralisadas desde 2015
DESLEIXO – Obras de ampliação do fornecimento de água para os moradores de Santana estão paralisadas desde 2015
Reportagem: Emanoel Reis

Um dos graves problemas ainda hoje enfrentado por mais de 90 mil habitantes de Santana, a 20 quilômetros de Macapá, é a distribuição irregular de água potável. Há dois anos, somente três dos 26 bairros do município eram beneficiados com fornecimento ininterrupto de água. Hoje, outros bairros também sofrem com os constantes racionamentos e interrupções sem aviso prévio. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que cerca de 67% da população sofrem com interrupções diárias ou redução no fornecimento. Com isso, os contratempos são constantes nos cerca de 25.297 domicílios santanenses.
No entanto, a questão da água em Santana é antiga e bastante embaraçosa para os governos passados – nas três esferas, que fique bem explicado. O estadual ganha destaque a partir de 2003, ano que inicia o primeiro mandato do então governador do Amapá, técnico agrícola e ex-deputado estadual Antônio Waldez Góes da Silva (PDT), pelos repetidos anúncios referentes a vultosos investimentos visando solucionar, em definitivo, o problema da água na cidade santanense.
Por exemplo, na primeira quinzena de maio de 2003 a Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa) inaugurou ações do programa “Água e Saúde para Santana” em meio a pomposa solenidade na Escola Afonso Arinos, com as participações de Waldez, do à época prefeito de Santana, Rosemiro Rocha (na ocasião, filiado ao PL), de secretários de estado e do município, além de centenas de moradores.
Tratava-se de “um projeto audacioso”, orçado em R$ 17,5 milhões, cuja proposta era “levar água tratada para todas as famílias residentes na sede do município”. Como diretor-presidente da Caesa, Raimundo Nonato da Silva Pires discorreu sobre os supostos benefícios que o projeto, calçado por volumosa quantia, proporcionaria à população santanense. “Após estudos técnicos, a Caesa concluiu pela viabilidade de se realizar a interligação entre os sistemas de captação de água do rio Amazonas e os nove poços isolados. Com isso, vamos garantir auto-suficiência por um período razoável”, garantiu Nonato Pires ante considerável plateia.
Semanas depois, a Caesa iniciou suposto levantamento visando diagnosticar os problemas existentes no sistema de abastecimento. O “objetivo [era] conhecer os pontos críticos a serem atacados e definir os serviços que [deveriam] ser executados visando sanar as deficiências encontradas”, assinala trecho do relatório entregue ao governo. No documento, constava que a causa do problema da falta de água estava relacionado com a explosão demográfica ocorrida em Santana entre os anos 1980 e 1990. Ou seja, o sistema de distribuição fora projetado para atender 20 mil pessoas e àquela altura residiam na cidade mais de 90 mil. (Leia Mais Em Cidade)

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