Falência do setor primário ameaça a sobrevivência da população amapaense

TRISTE REALIDADE - Produtos agrícolas e peixes comercializados em Macapá assombram pelo preço alto. A febre aftosa continua atingindo os rebanhos bubalino e bovino
TRISTE REALIDADE – Produtos agrícolas e peixes comercializados em Macapá assombram pelo preço alto. A febre aftosa continua atingindo os rebanhos bubalino e bovino

Com 2016 chegando ao fim, mais uma vez constata-se que o setor primário no Amapá continua sendo o mais insignificante entre os Estados da Região Norte e Nordeste. Não chega a representar 5% de crescimento anual ficando atrás de Roraima (4,6%), Rondônia (7,3%), Sergipe (4,4%), Piauí (6,2%) e até do Distrito Federal (4%). Os percentuais são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que reúne informações sobre o crescimento do setor em todos os Estados do País. Economicamente uma vergonha dentro de um panorama que traz engessadas agricultura, pecuária, pesca e a produção de hortifrutigranjeiros e faz com que na prática o Amapá não produza nada do que consome. O que existe é uma produção de subsistência sustentada por pequenos projetos voltados para a agricultura familiar.
Na Secretara de Desenvolvimento Rural, praticamente toda a verba é usada para pagar os fretes dos caminhões que transportam agricultores e produtos que são comercializados duas vezes por semana nas feiras do produtor, realizadas nas zonas Norte e Sul de Macapá. Considerando os minguados investimentos do Estado no setor, conclui-se pela quase ausência do governo Waldez Góes em um segmento que deveria ser visto como a base de reforço para a economia de um Estado que há décadas sobrevive do contra-cheque do funcionalismo público. O que se tem são propriedades de pequeno e médio porte responsáveis por uma produção irrelevante. Até recentemente, pouco mais de 20 fazendas se dedicavam ao plantio de grãos. Apesar disso, a produção é ínfima, segundo dados do IBGE em seu Levantamento Sistemático da Produção Agrícola.
Produtos como o arroz, item básico na mesa do brasileiro, sofreram uma redução de 36%. O mesmo aconteceu com o feijão, com queda de 35% e o milho, 19%. A realidade é praticamente a mesma de 2003, uma vez que o governo do Amapá demonstrou pouco interesse pelo setor. Os percentuais de áreas plantadas são acentuadamente negativos para culturas básicas como o feijão, -35%; arroz, -26% e o milho, -12,5%.
Diante das dificuldades criadas para o produtor, quem vai sentir na hora de pagar pelo produto é o consumidor. Os produtos amapaenses chegam a ser bem mais caros do que os que vêm de fora. Em muitos casos, esta diferença chega até o dobro do preço. A explicação está na carga de impostos cobrados dos agricultores locais, muito superior a que é paga pelos produtos de outros Estados. Resumindo: quem produz aqui tem bem menos chances de obter retorno do que quem planta lá fora. O resultado é a falta de incentivo ao agricultor, que acaba desistindo do investimento por encontrar uma concorrência desleal no mercado.
Nos últimos 50 anos, não existe qualquer notícia de grandes investimentos no setor primário. Tudo é pensado de forma tímida e provinciana, o que coloca o Amapá de hoje como o mesmo dos anos 50 e 60. (Leia Mais Em Cidade)

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