Políticos e empresáriso alvos de EXTORSÃO em Macapá

Chantagem contra Empresários
VULTOSAS QUANTIAS SÃO EXIGIDAS PELOS DOIS CHANTAGISTAS EM TROCA DE SILÊNCIO

Empresários e
políticos estão
denunciando dois
advogados pelo
crime de extorsão

Edmar Mendes – Jornalista

As abordagens são acintosas, envolvem pedidos de vultosas quantias mediante a promessa de que o interlocutor não será vilipendiado no dia seguinte, durante a veiculação de um programa matinal de rádio. Em resumo, esta tem sido a prática cada vez mais usual de dois conhecidos advogados macapaenses. Conforme relato das vítimas, cujas identidades pediram sigilo, eles raramente agem em dupla. A aproximação é sorrateira, sempre em locais públicos, com pedido de encontro reservado “para tratar de assuntos” de interesse do contatado.
Na verdade, o “assunto a ser tratado” é um pedido direto de dinheiro, geralmente quantias que variam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil para “sanar algum imprevisto financeiro”. Caso o pedido seja negado, o outro advogado, cúmplice indireto da tentativa de extorsão, forja acusações ou transforma meias verdades em absolutas por meio de discursos falaciosos repetidos pelo microfone da emissora de rádio.  O objetivo é macular a imagem da pessoa, constrangendo-a diante da sociedade.
Políticos, empresários e servidores públicos são os alvos preferenciais dos dois advogados, conforme denúncias formuladas extraoficialmente. “Eles pedem o dinheiro com a justificativa de que estão enfrentando alguma dificuldade; se o ‘pedido’ é negado, fazem ameaças veladas, prometem revelar ‘segredos’, insinuam o conhecimento de algum deslize que supostamente o sujeito tenha cometido”, comentou, em confidência, famoso empresário local. Conforme acrescentou, a situação de quem exerce cargo público no governo estadual ou de quem atua no ramo varejista está se tornando insustentável devido às ações premeditadas praticadas pela dupla.

Prática da extorsão caracterizou a origem do
“jornalismo marrom” na imprensa nacional  
“Conforme as informações que recebi – veja bem, estou tecendo minha análise em cima dessas informações –, a prática é antiga e principiou nos meios de comunicação do século passado. Era a principal ferramenta de sustentação da chamada ‘imprensa marrom’”, ensina o professor doutor em Comunicação Social e Cultural, Nemézio Filho.
Segundo indicações do professor universitário, feitas com base em publicações de domínio público, disponíveis para pesquisa, a “imprensa marrom” foi inspirada na expressão americana yellow press (“jornalismo amarelo”), que surgiu no final do século XIX a partir da concorrência entre os jornais New York World e The New York Journal. Eles haviam entrado em guerra para ter em suas páginas as aventuras de Yellow Kid, a primeira tira em quadrinhos da história.
A disputa nos bastidores foi tão pesada que o amarelo do cobiçado personagem acabou virando sinônimo de publicações sem escrúpulos. “Em língua portuguesa, a expressão teve sua cor alterada no Brasil em 1959, quando a redação do jornal carioca Diário da Noite recebeu a informação de que uma revista chamada ‘Escândalo’ extorquia dinheiro de pessoas fotografadas em situações comprometedoras”, informa Filho. (E.M.)

Golpes antigos ainda obtêm sucesso
porque as pessoas temem o confronto
A estratégia empregada pela antiga revista “Escândalo” é a mesma dos dois advogados que estariam extorquindo e chantageando cidadãos e cidadãs macapaenses, segundo denúncias formuladas por políticos, empresários e funcionários públicos que já foram abordados pela dupla.
Mediante ameaças veladas de que poderão divulgar “situações comprometedoras” em que as vítimas teriam hipoteticamente se envolvido, estão conseguindo amealhar vultosas quantias. Prova de que mesmo sendo antigo, o golpe ainda funciona por uma simples razão: a maioria teme o enxovalhamento público.
A extorsão ou uma variação dela, a chantagem, é um dos crimes que costuma fazer grande número de vítimas. Pouca gente sabe, mas há algumas diferenças e, no primeiro caso, o autor pode pegar até 10 anos de cadeia. Porém, para que haja punição, as pessoas devem perder o medo e procurar a polícia para denunciar os escroques.
“Há casos diferentes, desde falsos sequestros, pessoas que dizem ter fotos indevidas de outras e até casos de fofocas que ameaçam. Quando pedem essa vantagem para não entregar a vítima por alguma coisa, os acusados a estão extorquindo e podem ser presos em flagrante”, alerta o advogado Luiz C. Rocha.
É com base neste pensamento que um empresário local pretende contar em minudências o que aconteceu com ele. “Não aguento mais ver esse tipo de crime sendo praticado impunemente sem que ninguém tome qualquer tipo de providência”, desabafou. (E.M.)  

Cobrança de “jabá” é picaretagem, diz professor
Nas décadas de 1960 e 1970, uma prática tornou-se muito conhecida nos meios radiofônicos brasileiros: a cobrança do jabaculê. Trata-se de um termo utilizado na indústria da música  nacional para denominar uma espécie de suborno em que gravadoras pagavam a emissoras de rádio pela execução de determinada música de um artista. Profissionais à época conhecidos como programadores ou disc-jóqueis eram os responsáveis pelas negociações particulares, e “por baixo do pano”, para receber determinada quantia para execução das músicas e divulgação dos artistas. “Jabaculê equivale ao termo picaretagem, mais característico da gíria dos jornalistas”, esclarece o professor Nemézio Filho.
Descortinando o aspecto “romântico” do “jabá”, como o jabaculê também é conhecido, a prática é na verdade crime de extorsão, tipificado no artigo 158 do Código Penal Brasileiro: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa”. A pena de reclusão pode variar de quatro a dez anos, e multa. (E.M.)

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