Seminário propõe debates sobre o futuro econômico do Amapá

Políticos e Burocratas
Autoridades reunidas na abertura oficial do Seminário Desenvolvimento Regional da Amazônia no Teatro das Bacabeiras, em Macapá

Emanoel Reis

O que falta para tirar o Amapá do subdesenvolvimento? Esta era a pergunta que participantes do Seminário Desenvolvimento Regional da Amazônia, realizado quinta-feira, 13 de junho, no Teatro das Bacabeiras, Centro de Macapá, se faziam antes da abertura oficial do evento, ocorrido com duas horas de atraso. Ao longo dos últimos 15 anos, o Amapá progrediu pouco em áreas consideradas nevrálgicas na promoção do bem-estar de uma população atualmente estimada em mais de 600 mil pessoas. Na agricultura, os avanços foram ínfimos, apesar dos investimentos anunciados o estado continua dependendo de vizinhos como Pará e Maranhão para garantir na mesa das famílias carentes (que formam a maioria) a farinha, o açaí, as frutas, verduras e, lamentavelmente, feijão, arroz e carnes brancas.
Na verdade, pesquisas realizadas pela Coordenadoria de Pesquisas e Estratégias Socioeconômicas e Fiscais da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Tesouro (Copesef/Seplan)  comprovam que boa parte da alimentação consumida pelo amapaense “vem de fora”. Ou seja, de outras regiões do país. Trata-se de uma constatação também avalizada por instituições de altíssima credibilidade como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por isso, ao sugerir Macapá como sede da 13ª Reunião do Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Condel/Sudam) o senador João Alberto Capiberibe (PSB-AP) trabalhou com duas perspectivas: a primeira, apresentar o Amapá como alternativa de investimentos para grandes empresas em níveis de Brasil e de mundo; para isso, o parlamentar iniciou o discurso de abertura do seminário afirmando que “o governo Camilo Capiberibe tem feito o dever de casa”.
Houve na plateia quem discordasse da assertiva. Em 30 meses, a gestão de Camilo Capiberibe  apresenta conquistas tímidas em áreas cruciais como saúde e segurança pública. Sem incluir na relação outras zonas de igual importância para uma população cuja carência social e econômica alcança patamares estratosféricos. Contudo, o governador é o menos culpado pelo crescente empobrecimento de jovens e adultos amapaenses. Diante desse fato, João Capiberibe expôs a segunda alternativa: a partir do paulatino saneamento das contas públicas, será possível garantir em Brasília mais recursos para o estado. No entendimento dele, com a saída do Amapá da extensa lista federal de inadimplência as dificuldades serão menores para acessar volumosos recursos e investi-los em saúde e segurança, além, é claro, de educação e agroindústria, só para citar alguns exemplos.
O otimismo do pessebista não passou despercebido. Proponente no Senado do requerimento que deu origem à realização do Seminário Desenvolvimento Regional da Amazônia em Macapá, Capiberibe obteve apoio imediato do presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), e do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB-PE). Até aí, nenhuma surpresa, a afinidade partidária e a relevância política dos três garantiria o sucesso do encontro – o que aconteceu. Para João Capiberibe, no entanto, o mais importante era promover em terras tucuju extenso debate sobre recursos provenientes de fundos e programas direta ou indiretamente subsidiados pelo governo federal, a exemplo do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), gerido pelo Banco da Amazônia, este representado no evento por Valmir Rossi.
Para o senador (opinião expressa claramente em seu discurso e nas entrevistas concedidas à Imprensa), o Amapá atual está deixando o subdesenvolvimento e se encaminhando para um futuro de prosperidade. Conforme afirma – “e não se trata de nenhum exercício de clarividência”, adverte – nos próximos 18 meses serão entregues à população grandes obras hoje em andamento. “Isso mudará o cenário social e econômico no estado”, prevê. No contraponto, os céticos observam que para chegar a esse “futuro de prosperidade” ainda há muito caminho a percorrer e assombrosos obstáculos a transpor. Antes, é necessário investir nos ensinos fundamental e médio, tão deficientes no Amapá conforme atesta recente levantamento da Fundação Lemann, feito com base em micro dados da Prova Brasil. Depois, em ciência e tecnologia, nesse caso o governo estadual poderá contar com recursos do FNO. “O orçamento é de R$ 180 milhões”, salientou Rossi. E é neste aspecto que todos concordam: só com educação de qualidade será possível tirar o Amapá do subdesenvolvimento.

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