Onda de violência no Amapá ganha contornos de tragédia social

Violência Urbana
Os comerciantes Edson Pereira (E) e João Batista (D) precisaram recorrer às grades para conter a ousadia dos assaltantes

Em apenass cinco meses, o número de homicídios no Estado alcança níveis alarmantes e revela um quadro em que a criminalidade vem adquirindo características de epidemia sem nenhum vislumbre de cura imediata, conforme revelam os representantes dos próprios órgãos de segurança

“Meter o bicho” quer dizer “assaltar”. A expressão, cunhada nas ruas pelos criminosos, é também bastante conhecida pelos policiais e até usada por jornalistas que cobrem o submundo do crime e a ação da polícia. Nos últimos meses, o que o amapaense mais tem visto são bandidos metendo o bicho. Os alvos são os mais variados, desde um simples mercantil de esquina a uma agência bancária dentro do que deveria ser uma fortaleza a prova de roubos: o quartel do próprio Comando Geral da Polícia Militar do Estado, onde trabalham mais de 3 mil policiais. O QG da PM do Amapá também já foi assaltado. Apesar de todas as tentativas e mega-operações realizadas nos fins de semana, as forças de segurança parecem ser incapazes de tirar de circulação os mentores por trás dessas ações criminosas. Por isso, a onda de assaltos continua, e está virando uma pororoca.
Os assaltos sempre foram comuns no Amapá, especialmente na capital, que concentra cerca de 70% dos 648 mil habitantes do Estado, segundo o IBGE. Contudo, este ano a ação dos bandidos começou a ganhar cada vez mais as manchetes dos jornais e espaço nos programas de rádio e televisão. Alguns ataques terminaram até com reféns e negociação com a polícia.
Em escalada crescente na capital do Estado estão os assaltos a pequenos estabalecimentos comerciais. No bairro Nova Esperança o comerciante Edson Pereira Souza, de 24 anos, foi obrigado a esvaziar o caixa enquando a filha de um ano e meio tinha uma arma apontada para a cabeça. “Já fui assaltado quatro vezes este ano. Na última vez, o bandido chegou sozinho armado e fugiu a pé”, lembra ele, que agora tem que trabalhar o dia inteiro atrás de uma grade que na verdade não oferece proteção alguma contra armas de fogo. “Eu vivo apavorado”, confessa.
Quem também trabalha como se fosse um criminoso, atrás de uma grade, é o comerciante João Batista Souza, de 39 anos. Desde o fim do ano passado já foi vítima de cinco assaltos. “Vou desistir. Vou entregar o ponto para o dono e voltar para o Ceará”, diz ele, desiludido. Detalhe: o mercantil de João Batista fica a 10 metros da Delegacia do Nova Esperança.
A quantidade de roubos varia muito, segundo revelam as próprias estatísticas da Polícia Militar. Assaltos onde as vítimas são pessoas caminhando em via pública lideram o ranking da criminalidade em Macapá. Os alvos mais frequentes são os pequenos e médios estabelecimentos comerciais, residências, bicicletas, motos, carros e postos de revenda de combustíveis.
A criminalidade está espalhada pelos quatro cantos do Amapá. No caso dos assaltos, o Centro, um dos maiores bairros da capital, está entre os campeões de ocorrências. Os crimes são de todos os tipos. E na ponta do atendimento está o Centro Integrado de Operações em Defesa Social (Ciodes), responsável por receber as primeiras chamadas do cidadão vítima de um crime.
A Polícia Militar está dividida em batalhões com o dever de guardar grandes extensões do território amapaense. Vinte e cinco por cento das ocorrências estão dentro da área de abrangência do 1º Batalhão, que compreende nada menos que 26 bairros, incluindo o Centro.
Apesar dos assaltos dominarem as manchetes por serem crimes onde existe violência e muitas vezes assassinatos, esses não são os crimes mais comuns. A PM também atende ocorrências sobre poluição sonora, seguidas de averiguação de suspeito, violência doméstica contra a mulher, ameaça, rixa, estupros, compra e venda de drogas entre outros.
Numa tentativa de inibir a violência, a PM tem realizado nos fins de semana mega-operações em Macapá e Santana. A Polícia Civil igualmente participa das ações. Ainda assim, a onda de violência no Amapá continua em espiral crescente.

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