Nota revela estratégia equivocada do PSB

Emanoel Reis – Jornalista

Esquisita a nota veiculada pelo blogueiro Heverson Castro sob o título “O que é isso companheiro?”. Estranha não pelo blogueiro tê-la publicado. Mas, pelo fato de somente agora o PSB, partido do governador Camilo Capiberibe, ter “percebido” que o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Estado do Amapá (SINSEPEAP), professor Aroldo Rabelo, é filiado ao P-SOL, partido que abriga Clécio Luiz, prefeito de Macapá, e o senador Randolfe Rodrigues, suposto candidato ao governo nas eleições de 2014.
Até o menos informado dos frequentadores do “Bar Baré”, localizado ao lado da atual sede do SINSEPEAP, defende a hipótese de que Aroldo segue orientações de lideranças do P-SOL Amapá. Está mais do que evidente. Contudo, pelo conteúdo da nota avalizada por Castro e divulgada com destaque em seu blog político, somente agora o PSB de Capiberibe, Camilo e Janete “descobriu a pólvora”. Ou seja, comprovou o que o “desatualizado” habitué do “Bar do S. Louro” já sabe  há tempos: o P-SOL é o principal mantenedor de Aroldo Rabelo em suas escaramuças contra o governo do Estado.
“Óbvio ululante” – diria o dramaturgo Nelson Rodrigues.
Destoando da opinião geral, sabedora “milenar” dessa verdade incontestável, Heverson Castro difundiu que “(…) A greve dos professores, (sic) é fomentada pelo PSOL de Clécio e Randolfe, em união com o PDT de Waldez e Marília Góes, e o PSTU, com objetivo único de desgastar o governador Camilo Capiberibe (PSB)”. Onde está a novidade? É claro que a direção estadual do PSB sabia disso com antecedência. Porém, pelo teor do texto já citado, parece ter optado em acreditar que Clécio e Randolfe seriam facilmente convencidos a compor com o PSB, inclusive pavimentando a reeleição de Camilo nas próximas eleições. Se assim ocorreu, então o PSB está precisando revisar suas estratégias pré-eleitorais.
Trata-se de uma necessidade premente, até mesmo para salvaguardar o PSB ante a possibilidade de Randolfe Rodrigues anunciar pré-candidatura ao governo. Esta conjetura não está descartada. O senador do P-SOL é ambicioso, logo parece difícil imaginá-lo alheio ao momento político, quando seu nome figura entre os “governamentáveis” com grande poder de aglutinação e chances reais de confrontar – e até derrotar – Camilo Capiberibe em hipotético embate direto.
Sobre “(…) desgastar o governo Camilo Capiberibe” incluso na nota mencionada, Aroldo Rabelo tem, sim, contribuído sobremodo para trincar as bases do governo, encabeçando sucessivas manobras políticas tendo como pano de fundo a justa causa dos professores estaduais. Não existe unanimidade nesse aspecto, é verdade. No entanto, Rabelo faz parecer que trava a luta do rochedo contra o mar, fazendo-se diminuto diante de um “Golias” insensível às reivindicações de uma classe sempre simpática aos olhos dos demais segmentos sociais.
Este artifício não foi concebido por Aroldo Rabelo. Embora o presidente do SINSEPEAP almeje voos estratosféricos e acredite que suas lideranças, em especial Rodrigues, podem conduzi-lo a patamares mais elevados no cenário político local. Para isso, entretanto, precisa manter o atual estratagema, colocando-se como “massa de manobra”, e fingindo apagar incêndio com água quando, na verdade, despeja sub-repticiamente hectolitros de gasolina na fogueira. E pelas reações do governo, ele vem logrando êxito. Para o senador psolista isso é “ouro de mina” porque neste caso vale o “quanto pior melhor”, ou seja pior para o governo do PSB, é claro.

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