Expressões máximas de um livre-pensador

Aplicando a “Teoria do Morcego Vermelho”
Emanoel Reis – Jornalista

Há algum tempo, formulei a “Teoria do Morcego Vermelho” (uma singela homenagem ao atrapalhado herói da HQ do Peninha – Walt Disney). Vou explicar. A teoria é baseada no sistema de proteção natural desses mamíferos. Para evitar colisões durante o voo noturno, eles emitem sinais que identificam os obstáculos (árvores, torres, paredes…).
Inspirado nesse princípio, construí a tese de que todo ser humano é dotado de um “sistema natural de segurança” idêntico. Um radar. Se você consegue desenvolvê-lo, observando os sinais de alerta lançados por ele, pode amenizar alguns problemas decorrentes das circunstância do cotidiano, também chamados contratempos.
Porém, a maioria de nós tende a ignorar esses “bipes”. Embora tornem-se percebíveis, com sinais claros da ocorrência futura, a tendência é considerarmos a improbabilidade do acontecimento e insistirmos na ação. A isso chamamos imprudência, que “consiste em proceder sem a necessária cautela, deixando de empregar as precauções indicadas pela experiência como capazes de prevenir possíveis resultados lesivos”.
Pois é. Acontece que antes da ação imprudente materializar-se, aquele “sistema natural de segurança”, ou bom-senso para muitos, sinaliza alertando sobre o perigo crescente. Essas sensações (também nominadas adrenalina) aumentam quando ocorrem situações de elevado risco à vida. Os “bipes” disparam.
Alguns, cuja clarividência é altamente desenvolvida, percebem de imediato a anormalidade da situação. Esses, têm menos dificuldade em lidar com o inesperado. A maioria, contudo, desconhece a existência desse “sistema” e não consegue se antecipar aos fatos.
Resumindo, meus e minhas, para minimizar as pequenas e grandes “cagadas” cotidianas (e não se surpreendam, são cometidas até pelos mais sapientes), recomendável são doses frequentes de cautela e canja de galinha. Como diz este velho provérbio português, não fazem mal a ninguém.

A humanidade em guerra fratricida
Emanoel Reis – Jornalista

Acompanhando o noticiário na TV, em especial o caso da dentista queimada viva, não tenho nenhuma dúvida: a humanidade está em guerra fratricida. Dizem que nos últimos anos a violência virou epidemia. Não sei. Penso que há controvérsias. Na verdade, o homem sempre foi o lobo do homem (Homo homini lupus). Vi muito isso nos meus anos dedicados à reportagem policial, primeiro na gloriosa FOLHA DO NORTE, reeditada pelo então Sistema Rômulo Maiorana de Comunicação entre 1990 a 1992; depois, em O LIBERAL, de 1994 a 1998. Confesso a vocês que reportei casos horripilantes, assassinatos “cometidos com requintes de crueldade” e por pessoas “inofensivas e cordatas”, acima de qualquer suspeita. E isso diariamente, numa cidade pautada pela violência urbana em espiral crescente. Lembro-me de um avô, um senhor que conheci desde os remotos tempos de Marambaia, funcionário do extinto DNER, cuja sede localizava-se no Entroncamento, em Belém (PA). Sempre solícito, cordial, afável. De repente, durante um ataque de fúria, se armou com um formão e aplicou dezenas de golpes no neto, uma criança de cinco anos. Isso aconteceu em novembro de 1991. Fui vizinho daquela família. Ele era pai de uma amiga do bairro, a Edna, mãe do menino assassinado. Mesmo de folga, fui ao local do crime. Duas cenas guardo na memória até hoje: a mãe, debruçada numa cadeira, rodeada por pessoas, e no mais profundo desespero; o avô, sentado no sofá, com as mãos ensanguentadas, cruzadas entre os joelhos, ombros arqueados, lívido, trêmulo, olhar vítreo, balbuciante. Um ser humano esfacelado. Na pequena casa em alvenaria, havia sangue da sala à cozinha. Ao lado da cama, no único quarto do imóvel, o corpo da criança jazia em pedaços. Aquele cenário suplantou em horror o que eu viveria em janeiro de 2002, durante o naufrágio do barco  “Cidade de Óbitos”, em que morreram sete pessoas num amanhecer chuvoso no rio Jari. Da mesma forma, precisei de um bom tempo para mitigar as lembranças. Não foi fácil. Hoje, as tragédias se avolumam. Muita gente matando gente. Implacáveis como os nazistas em Auschwitz. A dentista só queria viver sua juventude de sonhos. Trabalhar, namorar, amar, casar, ter filhos. Simples assim. Simples. Meu Deus!!!!! (reflexão). Por isso, recomendo: deixemos de coisas e cuidemos da vida – enquanto há vida para ser cuidada.

Demasiadamente humanos
Emanoel Reis – Jornalista

Costumo acordar cedo, geralmente por volta das 4h30. Aproveito sempre para continuar a leitura da noite anterior. No momento, estou (re) lendo ” Criatividade em Propaganda”, do Roberto Menna Barreto. Depois, faço meus exercícios diários. Mas, hoje foi diferente. Optei em meditar sobre as fragilidades humanas. E quando isso acontece, inevitavelmente lembro de uma das obras de Friedrich Wilhelm Nietzsche, “Humano Demasiado Humano”. Vou explicar. Às vezes, somos excessivamente severos conosco. Nos cobramos demais. E quando erramos, então, padecemos mais “que goleiro na hora do gol” (que o diga o Víctor Valdés, goleiro do Barcelona). Nesses momentos, precisamos ser condescendentes com a nossa natureza humana e aprendermos com os nossos próprios erros. Nessas ocasiões, lembro-me sempre do grande discurso de Jesus Cristo chamado “Ansiosa solicitude pela vida”. Nós nos preocupamos tanto com o que havemos de comer, beber ou vestir e esquecemos o principal: amar a Deus sobre todas as coisas. E por que viver tão sofregadamente o dia de hoje? Basta ao dia de hoje o seu próprio mal. Se cometemos erros, exageros, e conseguimos reconhecer esses erros e exageros, que busquemos melhorar a nossas vidas. “Não leve a vida tão a sério” é o título de um livro do Hugh Prather, publicado pela editora Sextante. Gosto muito dele. Prather recomenda exatamente isso: lão leve a vida tão a sério. Caso contrário, você pode acabar cantando assim, ó: “Quem espera que a vida/Seja feita de ilusão/Pode até ficar maluco/Ou morrer na solidão/É preciso ter cuidado/Pra mais tarde não sofrer/É preciso saber viver”. É isso aí: É PRECISO SABER VIVER mesmo com todos os tropeços, deslizes e deficiências porque somos HUMANOS, DEMASIADO HUMANOS.

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