Sindicalista declara guerra contra o governo do Amapá

Crise Institucional
Protegido por seguranças, Camilo deixa o prédio da UEAP sob uma chuva de pedras (Foto: Eric Macias)

As ofensivas do presidente do Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Estado do Amapá (SINSEPEAP), professor Aroldo Rabelo, contra o governo Camilo Capiberibe estão causando desconforto e insegurança entre a população do Estado. As recentes escaramuças, que resultaram em agressão física contra o governador, revelam elevado grau de apreensão de jovens e adultos em relação à disposição dos dirigentes da entidade sindical em empregar todos os meios disponíveis, inclusive os transversos, para desestabilizar e comprometer a atual administração pública estadual.
O clima de beligerância instalado no SINSEPEAP evolui na medida em que as negociações resultam inúteis porque lideranças do sindicato se deixaram manobrar por caciques decadentes da política local, e por políticos em evidência. Rabelo é filiado ao P-SOL, partido que abriga Clécio Luiz, prefeito de Macapá, e o senador Randolfe Rodrigues. A ala de professores no entorno de Rabelo, nominada pelo governo de “os radicais”, passou a personificar uma oposição perversa, cuja prioridade é fustigar incansavelmente as costelas de Camilo.
É por conta desse clima de discórdia, estabelecido a partir da disposição dos docentes em confrontar o governo, que a população amapaense começa a externar seu descontentamento em relação aos rumos que a Educação no Amapá está tomando. Claro, nem todos os professores e professoras estão no balaio. Mas, no entendimento popular, a maioria é responsável pelos infortúnios que hoje atingem diretamente os estudos de centenas de crianças e adolescentes.
Nas sequentes entrevistas concedidas a programas transmitidos pelas emissoras do Grupo de Comunicação Beija Flor, controlado pela família do ex-senador Gilvam Borges (PMDB), Aroldo  Rabelo deixa claro que é ele quem dita as regras do jogo quando o assunto é contrapor as propostas do governo e negar, por mais minudentes que sejam, as vantagens da regência incorporada aos salários. Mas a questão deixou a esfera trabalhista para ganhar visíveis contornos políticos. Afinal, Rabelo é o homem de confiança das lideranças do P-SOL no Amapá, com quem ele divide planos e segredos, ouve e segue os aconselhamentos ao pé da letra, mesmo os mais estapafúrdios.
A população acompanha os acontecimentos com apreensão. Há 32 anos residindo em Macapá, a cearense Daísa Silveira, 66 anos, proprietária de um mercadinho no bairro Jesus de Nazaré, atribui aos professores em greve a responsabilidade por boa parte das mazelas sofridas pelos três netos pré-adolescentes. “Ano passado, eles ficaram muito tempo sem aula. E quando terminou o ano, estavam com os estudos atrasados. E agora, vejo essa situação se repetir. Pior que a gente não tem pra onde correr”, lamenta.
Daísa aproveitou para reivindicar melhorias para o bairro. “Com essas chuvas, muitas famílias sofrem com alagamentos, falta de água encanada, com os dejetos que são levados para o meio da rua pelas águas. Aliás, a vida das famílias de baixa renda que moram na periferia de Macapá é muito difícil”, reclama. E a comerciante está certa. E é muito difícil para quem reside em áreas desprovidas dos serviços mais elementares como transporte urbano e unidade básica de saúde. Sem excluir, assinala, as precárias condições de ruas e avenidas completamente abandonadas pela Prefeitura de Macapá.
“É triste ver meu neto andar sobre lixo, mato e lama porque o poder público municipal é inoperante. A gente só vê político de perto quando é candidato. Aí ele calça sandália, desce a baixada, aperta mão e dá tapinha nas costas. Depois que consegue se eleger, toma chá de sumiço”, assinala, acrescentando que nas últimas três décadas tem acompanhado os acontecimentos políticos, inclusive, recorda ela, todo o governo de João Capiberibe (o atual senador pelo PSB governou o Amapá entre 1995 e 2002). “Estão fazendo com o Camilo o mesmo que fizeram com o pai dele”, adverte Daisa.

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