Três abordagens sobre a política no Amapá

A difícil sobrevivência do Zé-povinho

Emanoel Reis – Jornalista

Firmas prestadoras de serviço, em especial nas áreas de gerais e vigilância (incluindo as outras, é claro), foram – e ainda são – o “calcanhar de Aquiles” dos governos, sejam eles de esquerda ou direita (conceitos já sobremodo arcaicos, mas, infelizmente ainda usados). No caso específico do Amapá, a contratação dessas empresas sempre esteve envolvida em controvérsias claramente políticas, em acordos esdrúxulos fechados nos subterrâneos, longe dos olhos enuviados da população. Os esquemas são montados com a conivência de funcionários graduados, notórios habitués do primeiro escalão, geralmente descambando para o superfaturamento puro e simples, resultando na divisão do bolo em gordas fatias e no enriquecimento ilícito de uma corja, a minoria, e no empobrecimento lícito do zé-povinho, a maioria abandonada. O dinheiro é pulverizado em contas diversas para confundir os curiosos e dificultar eventuais incursões da Polícia Federal. Foi assim no ex-governo Waldez Góes (PDT), ganhando contornos de escândalo nacional, continuou no governo tampão de Pedro Paulo Dias de Carvalho (ambos presos na deflagração da “Operação Mãos Limpas”, em 10 de setembro de 2010), e prossegue no governo Camilo Capiberibe (PSB), sendo que na gestão do pessebista fica evidenciado a má-fé de alguns proprietários dessas prestadores na administração dos pagamentos feitos pelo governo. Ou seja, conforme informações advindas da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Tesouro o dinheiro é mensalmente depositado pelo GEA nas contas das empresas para pagamento dos salários dos empregados. Então, se é assim por que os salários atrasam? Fontes próximas ao Palácio do Setentrião, sede do governo estadual, revelam que donos das prestadoras de serviço fazem aplicações financeiras com essas quantias volumosas. Em bom português: usam o dinheiro do trabalhador para aumentar os lucros pessoais. Praticam o crime de usura. Nas últimas semanas, várias manifestações eclodiram em órgãos públicos estaduais. Na Secretaria de Estado da Saúde um protesto ganhou ampla visibilidade devido à cobertura da Imprensa. Os trabalhadores reivindicavam o pagamento de salários atrasados. E outra vez o governo foi duramente alvejado pelos manifestantes, representantes das famílias de baixa renda, moradoras dos bairros periféricos de Macapá onde a insegurança, o lixo, a lama, a falta de saneamento básico e esgotamento sanitário são componentes do pior Índice de Desenvolvimento Humano registrado em uma cidade brasileira. Movimento idêntico ocorreu em frente ao Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Amapá (Hemoap). Trabalhadores paralisaram as atividades para exigir atualização dos salários, em atraso, segundo eles, há três meses. Cerca de 150 prestadores se reuniram na esquina da avenida Raimundo Álvares da Costa, com a rua Jovino Dinoá, Centro de Macapá. Homens e mulheres revoltados, não contra a empresa à qual estavam vinculados, mas contra o governo Camilo Capiberibe, para elas o principal responsável pelas mazelas denunciadas na ocasião. “Não é verdade. O governo Camilo Capiberibe tem honrado os compromissos com as prestadoras de serviço”, assinala o secretário de Planejamento, Juliano Del Castillo, que falou por meio de sua assessoria. Há quem contradiga o secretário, apontando equívocos no discurso oficial. Enquanto prestadoras de serviço conduzidas por simpatizantes do governo são mais aquinhoadas, outras estão envoltas em crises financeiras. E isso vem ocorrendo nos últimos dois anos e quatro meses, dizem. Longe desses altercações políticas, o zé-povinho, vítima usual dos malfeitores, não quer saber dessas marchas e contramarchas envolvendo governo e prestadoras. Para ele, o vilão da história tem endereço certo. E às vezes, esta versão enviesada é solertemente inoculada entre os empregados das empresas para trincar a credibilidade de quem está no comando do Estado. Estratégia com tonalidades políticas cujos efeitos são devastadores para o mandatário em evidência.

O abandono da juventude amapaense

Emanoel Reis – Jornalista

Os jovens amapaenses, em especial os de baixa renda, estão abandonados. As políticas públicas voltadas para eles, anunciadas com estardalhaço em passado recente, não foram suficientes para amenizar a grave crise social e econômica eclodida no meio desse segmento e cujo resultado a população tem acompanhado, assombrada, pelos noticiários policiais: é cada vez maior o envolvimento de crianças e adolescentes em assaltos, arrombamentos, homicídios e tráfico de drogas. E até agora não se viu nada de concreto estabelecido para atender as necessidades dessas pessoas, em alto grau de vulnerabilidade. Precisamos saber quanto de emprego foi gerado nos últimos dois anos, quais setores da economia mais cresceram e que mão de obra foi mais absorvida. Dizem que o Amapá está melhorando, mas, falta esclarecer onde e como, principalmente, para dirimir as dúvidas e minimizar os ataques dos “profetas do caos”. O que foi feito dos projetos voltados para a juventude? Aliás, o que vem fazendo a Secretaria Extraordinária da Juventude? Se vem fazendo, então precisa (e deve) ser divulgado para que a sociedade acompanhe esse trabalho. Se não, o que faz o governo que não exige mais empenho do órgão? Nossos jovens estão sucumbindo às drogas, aos crimes, à prostituição. Nas madrugadas, meninos e meninas se prostituem no entorno do Complexo Beira-Rio, sob a conivência criminosa da própria polícia e dos cidadãos ditos de “bem”. Integram gangues mistas cujos membros ficam à distância, escondidos, enquanto a menina seduz a vítima para mais tarde conduzi-la ao local onde o assalto será cometido. Deixam a vítima “depenada”, sem roupas e descalças. Garçons e garçonetes contam que até um delegado de Polícia “caiu no esquema”. Na verdade, a situação em Macapá, capital com quase 500 mil habitantes, é extremamente grave. E não cabe somente ao governo do Estado a responsabilidade em promover o bem estar da juventude amapaense. A sociedade precisa entender que o futuro dessa geração está nas mãos de todos, não é virando as costas, fazendo cara de paisagem, que este problema será resolvido. Não é deixando para os governos municipal e estadual a tarefa portentosa de impedir a evolução dessa tragédia anunciada. A atuação de pais e mães pode ser decisiva nesse aspecto. Acompanhando os filhos em suas expectativas, exigindo dos governos o cumprimento de políticas públicas voltadas para atender os jovens na promoção de cursos profissionalizantes, na geração de emprego e renda, na proposta de uma educação de qualidade, com professores que estejam ganhando bons salários e que por isso possam dedicar-se em tempo integral ao ofício. Porque não adianta só escolas bonitas, isso é importante, sim, mas escolas bonitas sem professores bem remunerados e atualizados é como construir em areia movediça. Existe uma sequência de irresponsabilidades nessa triste história. Por exemplo, por meio do Fundo de Participação dos Municípios, o governo federal repassa às prefeituras os recursos que deveriam ser investidos em educação. Mesmo bem intencionados (uma raridade num mar de 5,5 mil gestores), os prefeitos geralmente cometem erros na aplicação desse dinheiro por desconhecimento técnico-administrativo ou porque nomeiam pessoas despreparadas para as Secretarias de Educação. Infelizmente, essas são questões secundárias diante do ocorrido em quase todas as prefeituras. Ainda hoje ex-prefeitos são presos acusados do crime mais hediondo: roubo do dinheiro da população carente. Ora, não é preciso ir muito longe. Em Macapá, o prefeito Clécio Luís (P-SOL) recebeu uma prefeitura sucateada, com as finanças comprometidas, secretarias pilhadas, documentos desaparecidos, computadores destruídos. É por essas e outras que a juventude do Amapá precisa de ajuda. Ou então, pode ser tarde demais.

Governo Camilo Capiberibe de bico fechado

Emanoel Reis – Jornalista

Afirmar que o governo do Estado é insipiente seria um grande desatino. Em dois anos e quatro meses, o governador Camilo Capiberibe tem realizado feitos relevantes. Só os inimigos declarados e os velados fingem não enxergar. Setores nevrálgicos da administração pública recebem atenção especial e problemas crônicos, escamoteados nas gestões passadas, são combatidos e amenizados. Obras significativas foram inauguradas ou estão em andamento. Sem contar os ajustes feitos nas finanças públicas, que possibilitaram ao Amapá a exclusão da lista dos inadimplentes. Mas, está faltando algo. E muita gente tem observado isso. Inclusive, pessoas ligadas a outros grupos políticos que antes comungavam com João Alberto Capiberibe, ex-governador e senador pelo Amapá, na cartilha do antigo PDSA. São questionamentos básicos como a pouca visibilidade midiática do governo e de suas obras. Realmente, projetos de envergadura recém-inaugurados por Camilo Capiberibe não tiveram a devida divulgação. Pelo contrário. Tornaram-se alvo de críticas ferozes, capitaneadas, principalmente, por âncoras de programas transmitidos pelas emissoras de rádio do Grupo Beija-Flor de Comunicação, pertencente ao ex-senador Gilvam Borges, inimigo visceral da família Capiberibe. A eficiência dos ataques pode ser mensurada nas pesquisas de popularidade do governo, em queda conforme revelam fontes próximas ao Palácio do Setentrião. Há quem aposte na veracidade das estatísticas e preveja dificuldades para Camilo Capiberibe garantir o sucesso de seu projeto de reeleição em 2014. Outros apontam como “solução para o problema” maior divulgação, por meio de propaganda veiculada maciçamente no mass-media (veículos de massa), das ações governamentais que têm beneficiado a população amapaense. Ou seja, o que essas pessoas comentam à boca miúda é que está faltando uma “política de Comunicação” para divulgar as medidas e projetos voltados para o desenvolvimento social e econômico do Amapá e, assim, manter o governo Camilo Capiberibe em evidência. Sem essa “política”, afirmam eles, continua prevalecendo o discurso do caos proferido por radialistas entrincheirados na oposição. Os mesmos que diariamente inoculam a peçonha na femural da população amapaense, superdimensionando falhas e eventuais imprevistos. É notório que a audiência desses programas está em espiral crescente. Caso singular provando a assertiva aconteceu dias após a inauguração da Feira do Pescado do Igarapé das Mulheres. Por causa das intensas chuvas, surgiram goteiras numa parte do telhado, um contratempo minúsculo. No entanto, tratado à exaustão pelos adversários do governo. Construíram os argumentos mais estapafúrdios para desqualificar a Feira do Pescado, reduzindo sua importância na economia do Estado. Disseram, inclusive, que Camilo inaugurou obra do antecessor. E não teria utilizado na construção do mercado materiais e equipamentos de qualidade. Contudo, para governistas de plantão são mentiras que adquiriram contornos de verdade, visando confundir a opinião pública, incitando-a contra o governador. Para eles, nesse caso específico, faltou veicular mais incisivamente o contraponto do governo. Se assim avaliam, logo confirmam a grave deficiência e a necessidade premente de ajustes. Sem essas medidas, o governo Camilo Capiberibe continuará malhando em ferro frio. Põe o maior ovo, mas fica de bico fechado

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