As sucessivas derrotas do PT Amapá

Emanoel Reis – Jornalista e Publicitário

O Partido dos Trabalhadores no Amapá vem sendo sucessivamente golpeado, numa demonstração de que suas lideranças nas esferas municipal e estadual não estão conseguindo se impor, nem pela importância da legenda em nível nacional, tampouco pelo volume histórico político conquistado ao longo dos anos como protagonista da construção socioeconômica amapaense. O PT de hoje é um arremedo do passado, quando despontava no cenário local lastreado por militantes de elevada envergadura intelectual, e principalmente, moral capaz de confrontar e vencer adversários sobremodo perigosos.
Foi com essa militância aguerrida e sofisticada que o PT ganhou notoriedade no Estado, arrebanhou outros personagens expressivos e passou a ocupar espaços cada vez mais abrangentes nos três poderes recém-constituídos na época. No entanto, as marchas e contramarchas internas provocaram rachaduras nas vigas mestras do partido impossíveis de conserto, o que resultou em embates encarniçados e rompimentos traumáticos.
A derrota no PT no município de Santana, nas eleições de 2012, tornou-se emblemática porque foi a somatória de dois mandatos eivados de equívocos, marcados pelo comportamento controverso do ex-prefeito Antônio Nogueira na condução da administração pública e, em especial, por graves denúncias de malversação. A então postulante à sucessão de Nogueira, professora Marcivânia Flexa, ainda hoje evoca a suposta trama urdida por seu principal adversário para justificar a derrota nas urnas. Porém, detalhes sobre o episódio permanecem nebulosos.
O PT de Antônio Nogueira lançou Marcivânia contando com a máquina político administrativa do governo estadual para suplantar os adversários. Fracassou. Petistas santanenses afirmam que faltou mais empenho do GEA. Recentemente, o pleno do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) manteve Elcias Guimarães Borges (PMDB) como prefeito de Ferreira Gomes, no lugar de Valdo Isacksson (PT), eleito em 7 de outubro de 2012, mas cassado há dois meses por compra de votos. Joel Banha foi defenestrado da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf) e como consolo “ganhou” a vaga de Agnaldo Balieiro na Assembleia Legislativa do Amapá, que foi para a Secretaria de Estado da Administração. Banha vai exercer um mandato tampão, isso caso Balieiro se mantenha no cargo até meados de 2014. Mesmo assim, o prestígio do ex-secretário está comprometido.
O “expurgo” que vitimou Joel Banha incomodou, sobretudo, notórios petistas como a vice-governadora Dora Nascimento, mulher de Banha e líder do PT no Amapá. Para minimizar o estrago, o governador Camilo Capiberibe (PSB) sinalizou que pretende entregar a Secretaria de Estado da Educação para o PT. No entanto, o blogueiro santanense Heverson Castro, que se diz militante petista e habitué dos corredores palacianos, com entrada franqueada no principal gabinete da sede do governo estadual, deixou entrever no post “E a Seed vai para…” que uma ala do PT Amapá (não explicitou qual) está agindo para impedir que Camilo cometa “(…) um erro se optar por um quadro que tem pouca habilidade política e [com] dificuldades de se relacionar com o movimento sindical e [com] a base da Educação”.
Conforme Castro, alguns petistas estrelados estão cogitados para ocupar a pasta: Edivan Barros, José Amiraldo, Marcivânia Flexa, Zé Roberto. Nomes relacionados, porém, não avalizados por todas as lideranças do PT Amapá, dentre elas a deputada federal Dalva Figueiredo. Neste ponto está o xis da questão. A demora na escolha do nome petista para a SEED pode levar Camilo a se decidir pela efetivação da interina Elda Araújo. E aí “(…) a Seed vai para”… a já crescente lista de derrotas do PT no Amapá. O que confirmaria, sem questionamentos, o papel de coadjuvância do petismo amapaense no cenário político local. Continua a reboque.

Tenho veiculado em meu perfil, no Facebook, alguns textos sobre assuntos variados. Disponho três deles aqui, neste meu espaço, para apreciação dos senhores e senhoras.

A assustadora simplicidade da blogueira

Na reportagem de capa da revista VEJA desta semana, sobre a blogueira cubana Yoani Sánchez, tem este trecho “(…) Sua simplicidade assusta os adeptos das tiranias”. Esta frase me provocou a seguinte reflexão: “Toda simplicidade assusta”. Lembrei de Sócrates, Jesus Cristo, Sidarta Gautama (Buda), Mahatma Gandhi, Martin Luther King e tantos outros homens extraordinários. No começo de minha adolescência (eu estava com 15, 16 anos), li um texto de Henry David Thoreau que mexeu profundamente comigo. O título do texto: SIMPLICIDADE. Reproduzo aqui três parágrafos dele:“(…) A maioria dos homens vive em silencioso desespero. O que se chama de resignação é puro desespero. Mas uma característica da sabedoria é nunca desesperar.Vivemos mediocremente como formigas. Desperdiçamos a vida com detalhes. O homem honesto dificilmente precisa contar mais do que os 10 dedos das mãos ou, em caso extremo, acrescentar os dos pés e descartar o resto.Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Reduza seus negócios a dois ou três e não os expanda a 100 ou mil; em vez de um milhão, conte meia dúzia.Simplifique, simplifique! Em vez de três refeições por dia, se for necessário faça apenas uma; em vez de 100 pratos, cinco; e reduza o resto na mesma proporção.”Jesus Cristo elevou às alturas a máxima da simplicidade. “Sejam simples como as pombas”, recomendava. E advertia: “Cuidado com a ansiosa solicitude pela vida. Por que viveis tão ansiosos pelo amanhã. Basta ao dia de hoje o seu próprio mal”. A simplicidade de Yoani Sánchez assusta porque é desprovida DAS AMBIÇÕES RASAS E DA MEDIOCRIDADE DO ESPÍRITO.

O poeta quando jovem cão no Bar do Parque

Dia Nacional da Poesia?! Hummmm!… Lembro-me de um caro amigo, saudoso Ronaldo Bandeira (trabalhamos em o Diário do Pará), jornalista, escritor, poeta, desenhista (hoje – que luxo!!! – designer gráfico)… Enfim, um multitalento. Quando o chamavam de poeta, ele retrucava de imediato: “Não sou poeta! Cometo poesia!” Bandeira era um modesto, mas, no fundo tinha razão. Há quem, após cometer umas prosas, se arvore em auto intitular-se poeta. “Lá vem o poeta!”, gesticulam os bajuladores, provocando ondas de vaidades no “homenageado”. Nos anos 80, conheci um “poeta” cuja principal obra de um livro intitulado “Parindo Poesia” começava assim: “Procurei, procurei: não encontrei!/Cancei de procurar, não achei!”. Já contei aqui meu encontro com o celebrado Rui Guilherme Paranatinga Barata, em meados de 1982, no Bar do Parque, em Belém. Mostrei a ele a minha mais recente “obra poética” batizada de “Olhos”, assinada em baixo E. Reis. O mestre foi visceral – e demolidor: “Meu jovem, a poesia está aqui, no título, e nesta tua assinatura: ‘Olhos, e.reis! E. Reis olhos'” (Olhos, erreis! Erreis olhos na imensidão deste verde/vago/mundo”… E por aí vai. Me senti humilhado, mas engoli em seco, meti a porra do papel na bolsa de couro (aquelas bolsas de hippie que a galera usava muito nos anos 80), tomei umas brejas com o velho e, no correr da madrugada em “Manga City”, tomei uma decisão: não seria poeta, mas, no entanto, me tornaria um incorrígivel cometedor de poesias. E viva o Dia Nacional da Poesia!

Um socialista cansado de “ser pobre”

Em meados dos anos 80, conheci em Belém o jornalista cearense Marcos Moraes de Lima, proprietário do tabloide RESENHA MUNICIPAL, um periódico de esquerda, bem à esquerda mesmo, contumaz espancador de costelas direitistas. Marcos Moraes idolatrava Fidel Castro e era (ainda é) militante puro sangue do PT. Trabalhei com Marcos por 2 anos. Nossos grandes parceiros eram os deputados Paulo Rocha (PT) e João Carlos Batista (PSB), este último assassinado em dezembro de 1988. Com a morte do Batista, de quem fui assessor, decidi morar em outro Estado. Dois anos e meio depois, voltei para Belém e reencontrei o Marcos todo repaginado. Sem sua tradicional marca registrada: uma vistosa e sempre bem cuidada barba cubana. Indagado por mim sobre a radical mudança, respondeu, sem pestanejar: “Cansei de ser socialista. Vou virar empresário”. Realmente virou empresário do setor gráfico, se tornou amigo inseparável da então governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, e se elegeu presidente da Tuna Luso Brasileira. O que eu quero dizer com isso? Nada. Esta lembrança me veio à mente esta manhã, observando a estrondosa (e estapafúrdia) repercussão da morte do Hugo Chávez, discípulo confesso de Fidel. Que coisa! Tantos elogios para Chávez. Ora minhas bolas, Chávez foi um ditador! Por essas e outras que “(…) cansei de ser socialista e estou tentando virar empresário”. Que assim seja!

Parceria, enfim?!

Emanoel Reis – Jornalista e Publicitário

A  imprensa alinhada aos governos municipal e estadual amanheceu a segunda-feira, 25 de março, tecendo loas à parceria entre GEA e PMM, lançada oficialmente no Palácio do Setentrião após costura dos senadores João Capiberibe (PSB) e Randolfe Rodrigues (P-SOL). Já era para ter saído do campo meramente subjetivo. Mas, encontros e desencontros políticos não permitiram essa união ansiada por muitos, criticada por outros, mas extremamente necessária para minimizar os graves problemas que afligem Macapá.
A cidade de Macapá está abandonada. E não é culpa do prefeito Clécio Luís (P-SOL). A situação se agravou nos últimos 12 anos, nos dois mandatos do controverso João Henrique, eleito vereador ano passado, e nos quatro anos de Roberto Góes (PDT). Uma tragédia. Contudo, ao eleger-se prefeito da capital do Estado, mais do que qualquer outro macapaense, Clécio sabia do enorme desafio. Afinal, com dois mandatos de vereador, e sendo de oposição, é “óbvio ululante” que o psolista já soubesse bem onde estava se metendo.
Conforme fontes próximas ao governador Camilo Capiberibe (PSB), quem pilotou as negociações foi o senador Capiberibe. Os fãs declarados do pessebista não economizaram nos adjetivos elogiosos. Os mais comedidos sugeriram sensatez nas análises sobre o episódio. Para Clécio, a parceria acontece no momento certo. Com os cofres da PMM pilhados pela gestão passada, a promessa de promover mudanças significativas em 100 dias de governo foi “pras cucuias”. A mão estendida de Camilo é a “tábua da salvação” do psolista.
Mas, o acordo só pôde ser formatado com a anuência do senador Randolfe, hoje em pé de igualdade com Capiberibe no cenário político nacional, apesar da diferença de idade, e claro, da experiência. Capi pode ser “mestre” na arte de fazer política. Entretanto, Randolfe não fica atrás. Esta é a opinião convergente no Amapá. E essa concordância popular parte do pressuposto de que Randolfe é “pré-candidato” ao governo do Estado em 2014 e tem condições de surpreender.
Não se sabe se nas reuniões onde foram acordados os termos da “parceria” entre Prefeitura e Governo, o senador do P-SOL tenha formalizado sua desistência em disputar a cadeira hoje ocupada por Camilo. Fato é que até agora o próprio Randolfe não afirma nem desmente. Deixa subentendido como parte da estratégia em abrir espaço para diferentes interpretações. Assim, ao jogar a decisão para o futuro ganha tempo no presente e abre espaço para manobras de profundidade.
Com PMM e GEA unidos, quem ganha é a população de Macapá. É o que se espera. Politicamente, a parceria resultará em bons dividendos para ambos. Porém, o P-SOL de Randolfe e Clécio ganhará mais do que o PSB de Capi e Camilo. E era exatamente esta a preocupação dos pessebistas. Não sabemos se diminuiu após os encontros com Randolfe e Clécio. Quem sabe um Randolfe mais dócil e anuente aos projetos políticos do PSB tenha desassombrado Camilo e Capi. Mas, enquanto o senador Randolfe não anunciar formalmente que não será candidato ao governo do Amapá em 2014, o desassossego será uma constante em certo imóvel localizado na rua Eliézer Levi, número 903, Laguinho.

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