As peripécias de um carnavalesco neófito na “Ivaldo Veras”

Após onze anos, voltei ao sambódromo “Ivaldo Veras” para assistir ao desfile das escolas de samba do Amapá. A primeira vez, em fevereiro de 2002, foi como brincante da Escola de Samba Solidariedade. Senti uma grande emoção. Em especial porque na ocasião aproveitei para celebrar a vida. Semanas antes havia sobrevivido ao naufrágio do “Cidade de Óbidos I”, tragédia que vitimou a talentosa jornalista Simone Teran, além de outras sete pessoas.
Particularmente, gostei do que vi na noite de sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013. O sambódromo macapaense está uma beleza. Tudo bem organizado, com a equipe de apoio atuante, atendendo com educação. Conheci o trabalho dos colegas jornalistas da Rádio Difusora. Fui recebido pelo caro amigo Célio Alício, sempre um gentleman. Quero agradecer a sua gentileza, Célio!
Também visitei (confesso que meio por engano, rs) a cabine da Diário FM 90,9, capitaneada pelo jornalista Luiz Melo. Estava um luxo. Reencontrei o amigo Douglas Lima, um grande profissional, e fui efusivamente cumprimentado pelo radialista e jornalista Aníbal Sérgio, sempre bem humorado. No comando da cobertura do carnaval pela Diário FM 90,9, Heraldo Almeida, cuidando para que os ouvintes da emissora acompanhassem (em tempo real) todos os detalhes do desfile.
O “meio por engano” foi um mal-entendido de um dos funcionários da equipe de apoio em serviço. Quando alcancei o andar pretendido, perguntei onde ficava a sala de imprensa e ele apontou uma porta com um “i” em destaque no topo. Não hesitei. Mas foi bom ter reencontrado grandes profissionais em plena atividade.
Em seguida, visitei o “camarote do governador”. Como de praxe (e não podia ser diferente), a segurança estava bem reforçada, com mulheres e homens sisudos formando um “corredor polonês” na porta principal. Com a credencial de Imprensa à vista não fui importunado – não dessa vez. Vi escorados no parapeito do camarote, Camilo e Clécio (governador e prefeito). Saudei as duas autoridades. Embora cortês, percebi um leve franzir de sobrolhos quando o Clécio me cumprimentou. Perguntei a ele: “O senhor não me conhece, né mesmo?” Ele “deu uma quase imperceptível desconcertada” mas logo recobrou: “Conheço, sim. Creio que do blog”… Aí o Camilo emendou: “Da Folha do Estado, não é mesmo Emanoel Reis?!”…
Não desperdicei o tempo deles com firulas e rapapés. Afinal, hoje eles são os mandachuvas. Aliás, nunca fui claque de político. Talvez, por não saber bajular ou quem sabe pelo excesso de escrúpulos, eu não tenha me tornado um “grande dono de jornal” em Macapá. Quem sabe eu ainda me torne. Mas não por meios transversos. Primo por minha consciência tranquila e paz de espírito. Tenho uma grande admiração pelo Camilo. Fui assessor parlamentar dele em 2009, na Assembleia Legislativa do Amapá, e pude testemunhar o quanto ele trabalha. E além disso acredito nele como governador. Somente isso e nada mais. Nunca o procurei no Palácio do Setentrião. Tampouco o visitei na residência oficial. Nossos encontros são “festivos”. Ocasionais.
Contudo, o bom mesmo foi na área entre as barracas de venda de bebidas e as frisas (aqueles quadrados minúsculos e gradeados que foram comercializados a R$ 1,5 mil). Encontrei um grande número de amigos e conhecidos (porque “conhecido”, vocês sabem, é a fase probatória antes de virar amigo). Falei com a Alcinéa Cavalcante. Disse que “acompanhava” o trabalho dela. Deu um sorriso sem muito entusiasmo, agradeceu e foi logo se retirando. Fiquei observando ela se distanciar. Foi divertido. Esbarrei no policial civil Viana, grande parceiro. Também cumprimentei o delegado-geral Tito Guimarães. Ano passado, entrevistei o Tito para o meu jornal (Folha do Estado). No sambódromo, ele não me reconheceu de imediato. Achei engraçado!!! Creio que todo policial deveria ter uma memória privilegiada. Concluí que nem sempre isso acontece.
Não importa. O fato é que me diverti à valer no sambódromo, ao lado de pessoas importantes, mas, mais ainda, ao lado de pessoas simples iguais a mim, que se encontravam nas arquibancadas, nas frisas, nas mesas, nas barracas de venda de bebidas e comidas, com quem conversei, contei piadas e gargalhei muito. Gostei muito de reencontrar essas pessoas que, conhecidas ou amigas, continuam sendo especiais para mim porque humanas demasiado humanas são maravilhosas com seus defeitos e virtudes.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s