Trânsito desorganizado em Macapá sufoca e atemoriza população

Emanoel Reis

trânsito louco
Temendo ser atropelado mesmo na faixa, transeunte foge do perigo iminente

Parado na frente de um antigo imóvel em alvenaria localizada na rua Leopoldo Machado, às proximidades da avenida Ana Nery, bairro Jesus de Nazaré, o aposentado Otoniel Moreira dos Santos, 74 anos, olha desinteressado o intenso tráfego de veículos no entorno. Já se acostumou ao ronco dos motores, às buzinas dos apressados, às freadas bruscas. Não por conformismo, assinala. Mas, porque desistiu de reclamar. “Antigamente não era assim”, observa, com evidente tom monocórdio na voz.
O tempo assinalado pelo septuagenário reporta ao século passado, mais precisamente aos anos 1950 e 1960, quando Macapá despontava como capital do Território Federal do Amapá, e ostentava o status de “cidade joia da Amazônia” pelo clima bucólico, hospitalidade cativante, ruas limpas e praças conservadas. Na época de seu Otoniel, nem havia trânsito em Macapá. Tampouco índices de violência. “Todo mundo se conhecia”, completa ele.
Sessenta anos depois, a capital do Estado do Amapá retorce-se em convulsões. Padece dos males típicos das grandes metrópoles, a exemplo do trânsito desordenado, e sofre com o desleixo político-administrativo de seus governantes. A ascensão do psolista Clécio Luiz à Prefeitura de Macapá, a partir das últimas eleições municipais, ainda provoca reações controversas. Há quem acredite numa gestão realmente comprometida com a promoção do bem-estar comum. Outros, continuam ressabiados, comportamento compreensível para quem cansou das vãs promessas dos maus políticos.
Três quarteirões após Otoniel Santos se despedir com uma declaração de amor à Macapá, apesar das marchas e contramarchas urbanas, o professor José Aguiar, radicado na capital amapaense há quase duas décadas, faz questão de relacionar os problemas do trânsito com ares de expertise. Primeiro, sugere mudanças radicais no fluxo de veículos no centro da cidade. “Algumas ruas e avenidas são subutilizadas”, comenta, referindo-se às avenidas e ruas Procópio Rola, Raimundo Álvares da Costa, Ernestino Borges, Hamilton Silva, Jovino Dinoá, Odilardo Silva. Segundo, denuncia que a sinalização (tanto vertical quanto horizontal) é confusa e precária. “Algumas nem existem, outras estão encobertas pelas folhagens das árvores.”
O paraense sugere mudanças radicais. “No primeiro mandato do [ex-prefeito de Belém] Edmilson [Rodrigues], fizeram profundas mudanças no trânsito da cidade [Belém]. Elas continuam até hoje. Acho que quem comandou essas mudanças foi a Cristina [Baddini]”, observa, acrescentando que prefere deixar o carro em casa. “Às vezes, chegou bem mais rápido ao trabalho”, exulta José Aguiar despedindo-se efusivamente.
Para relembrar, a convite de Edmilson Rodrigues a engenheira Cristina Baddini presidiu a Companhia de Trânsito de Belém ( CTBel) de 1996 a 2000. Realmente, as mudanças promovidas por ela provocaram polêmicas e discussões acaloradas. A principal delas foi a inversão no fluxo do trânsito na avenida Magalhães Barata (São Brás até a Travessa 14 de Março) e Nazaré (da avenida Generalíssimo à Travessa Assis de Vasconcelos). Outra mudança radical foi na avenida José Malcher (sentido São Brás à Assis de Vasconcelos).
No entendimento do professor José Aguiar, que seguiu pelo que restou de meio-fio e calçada à margem esquerda da rua Leopoldo Machado, somente com mudanças iguais seria possível melhorar o trânsito em Macapá. “Mas antes é preciso que todos estejam envolvidos”, recomenda.

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