Vendendo o próprio “peixe”

Há quase 30 anos, quando iniciei minha carreira profissional em Belém (PA), a concorrência no mercado de trabalho era bem menor. Porém, já existiam as dificuldades para quem estava começando. Você precisava provar no dia a dia da reportagem de rua que realmente tinha talento. Mais do que isso: dom para o jornalismo.
Hoje soa estranho, não é mesmo? Mas era assim que funcionava com a “Velha Guarda”, que cobrava mais de quem vinha dos “bancos da faculdade”.
Na época, o novato iniciava como repórter “A” (o chamado “foca”). Após um ano no jornal, era elevado à condição de repórter “B”. E se merecesse, mais um ano depois era “promovido” a repórter “C”. Claro, o salário acompanhava a mudança de função.
Na condição de repórter “C”, o jornalista ganhava o respeito do “alto clero” da redação do jornal e também a incumbência de “descascar os abacaxis mais cascudos e espinhosos” da reportagem. Ou seja, pegava as pautas mais “cabeludas”. Tinha uma vida dura – em todos os sentidos.
Antes de “entrar” na “grande imprensa paraense” perambulei por cinco anos na “baixa imprensa”, ou seja, na “imprensa alternativa” de Belém, a dos pequenos jornais de esquerda, das revistas “devezquandárias”, das pequenas agências de publicidade, das assessorias de imprensa de sindicatos, associações de moradores, partidos políticos. Enfim, o duríssimo mundo dos “frilas”, do pouco dinheiro, dos maus pagadores, das inevitáveis “caneladas”.
Nas agências, passei por alguns setores antes de me tornar conhecido como redator publicitário. O Atendimento me fascinou mais. Ou seja, vender é uma atividade que sempre admirei. Embora não me considere um bom vendedor (conheci vários nessa categoria), procurei me aprofundar com cursos e boa literatura sobre o assunto. Isso perdura até hoje.
Para ser um grande vendedor, é preciso estar sempre motivado e conhecer bem o “peixe” à venda. No caso, o produto. Eu me considero um vendedor razoável. Quando estou vendendo meus serviços no comércio de Macapá enxergo a oportunidade de conhecer novas pessoas, fazer amizades, construir uma relação de negócios.
Ao longo dos anos, compreendi que para tornar-me um vendedor bem-sucedido era preciso saber formular boas perguntas para colher as respostas certas.
É o mesmo dom que distingue o bom do mau repórter: saber perguntar e saber ouvir. Perguntas certas, ouvidos atentos.
Conhecimento de mundo e argumento da autoridade.

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