Tráfico de drogas em Macapá alcança níveis alarmantes

O combate ao tráfico de drogas em Macapá, coordenado pela Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), em conjunto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope), já conseguiu desbaratar inúmeras quadrilhas que atuavam desenvoltas em bairros como Buritizal, Brasil Novo, Renascer e Perpétuo Socorro. As ações policiais, deflagradas a partir de longas investigações ou por meio de denúncias anônimas, conseguiram desmobilizar esquemas criminosos montados em residências aparentemente insuspeitas, e comprovar o envolvimento de famílias inteiras na compra e venda de drogas.
As prisões dos traficantes e o rompimento da corrente criminosa, contudo, têm sido insuficientes para conter o avanço do comércio de entorpecentes na capital do estado, impulsionado, principalmente, pelo crescente consumo promovido por jovens das classes média e alta. Sem descartar, porém, a afluência da juventude periférica, usuária maior de drogas acessíveis como o crack e o óxi, comprovadamente mais baratas, pesadas e letais.
A quantidade de novas “bocas” (pontos de venda de drogas) que surgem semanalmente, suplanta as desmobilizadas pelas operações policiais. Traficantes são presos, trancafiados nas celas do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), mas, em poucos dias surgem outros em substituição aos anteriores, e cada vez mais audaciosos e violentos. O trabalho realizado pelo delegado Antônio Uberlândio Gomes, titular da DTE, vem obtendo bons resultados, no entanto, os traficantes são em maior número.
A participação de mulheres no tráfico de drogas vem aumentando sobremodo nos últimos anos. A constatação é do próprio delegado da DTE, Uberlândio Gomes, e também de estatísticas sobre a população carcerária brasileira que revelam, em nível nacional, aumento crescente de mulheres que cumprem pena nas penitenciárias por envolvimento na compra e venda de entorpecentes.
Em Macapá, não poderia ser diferente. Famílias de baixa renda, geralmente chefiadas por mulheres residentes em bairros periféricos, estão sendo cooptadas pelos traficantes para que as casas onde moram se transformem em “bocas”. O argumento é o mesmo: possibilidades de ganhos fáceis acima dos R$ 3 mil por mês, e consequente melhora no padrão de vida.
Foi o que aconteceu à dona de casa Maria Rodrigues de Lima, 51 anos, moradora do Buritizal, Zona Sul de Macapá. Antes de ser presa, ela sobrevivia vendendo bugigangas na feira do bairro, ou fazendo pequenos biscates para os parentes e vizinhos. O que ganhava era insuficiente para sustentar a numerosa família. Por isso, enfrentava grandes dificuldades financeiras, inclusive, revelou em depoimento, chegou a passar fome.
O negócio das drogas surgiu por meio da filha dela, Elizângela Rodrigues de Lima, 28 anos. E tornou-se próspero porque contou com o apoio de outros membros da família, além de estabelecer um sistema de comercialização ininterrupto, com atendimento 24 horas.
O intenso movimento, contudo, incomodou os vizinhos. O entorno da casa virou área de altíssimo risco para os moradores, em especial para as jovens estudantes que precisavam passar pelo local depois das 22 horas. Vários foram os casos de tentativas de estupro cometidos por drogados ocorridos às proximidades da “boca” da ex-dona de casa.
Durante a operação policial dentro da casa de Maria Rodrigues, sob o comando de Uberlândio Gomes, foram  apreendidos notbooks e vários aparelhos eletroeletrônicos. Segundo hipótese apresentada pelos policiais após as buscas, possivelmente foram deixados por viciados em troca de droga.
As mulheres estão pontificando em todos os lugares, fato constatado pelos últimos levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Inclusive, passaram o ocupar cargos de comando no tráfico de drogas, não somente na compra e venda, mas, principalmente, em áreas estratégicas das quadrilhas internacionais. Elas trabalham também como chefes de bondes (comboio de traficantes, para roubar carros e cargas), gerentes de ponto de venda, chefes da endolação de drogas, olheiras, seguranças, e muitas trabalham em prol dos traficantes como cozinheiras, enfermeiras, entre outras atividades.
E nesse envolvimento não estão somente mulheres de baixa renda (oriundas das chamadas classes C e D). Recentemente, a “Associação Juízes pela Democracia” fez um alerta sobre a vulnerabilidade das mulheres ao recrutamento do tráfico de drogas. Cerca de 64% que são presas, foram condenadas por envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Por uma série de características, uma delas é a questão da fidelidade à opressão e submissão ao homem, que está sendo muito mais usada pelo tráfico. Quase 80% das mulheres presas, guardam o mesmo perfil: jovens, bonitas e de classe média.
Exemplo é o caso da estudante Bibiana Roma Correa, filha de um coronel da Aeronáutica. A jovem de classe média integrou duas das maiores quadrilhas de assaltantes de residências do Rio de Janeiro. Tem tantas histórias para contar que pensa até em escrever um livro. Nele, poderá relatar, por exemplo, como foram as mais de dez vezes em que conseguiu “escapar” depois de ser presa ao lado do então namorado Pedro Machado Lomba Neto, o Pedro Dom, morto em confronto com a polícia. Bibiana cumpre pena em regime fechado.
Nos últimos anos, o número de mulheres recrutadas para o transporte da droga – as “mulas” – cresceu muito. Esse fenômeno da feminização tem pelo menos três explicações. A primeira é a de que os traficantes acreditam que as jovens de boa aparência contam com maior condescendência da polícia durante batidas policiais nas estradas. Outra é a forte expansão, no Brasil, da máfia nigeriana. O grupo atua em associação com os produtores de cocaína na Colômbia. Seus integrantes se especializaram em recrutar belas brasileiras para, daqui, levarem cocaína para a Europa e, de lá, voltarem com comprimidos de ecstasy.
É neste ponto que se encontra o terceiro motivo. Com a “Lei do Abate”, que permite ao governo atacar aviões suspeitos de ilegalidades, os grandes traficantes resolveram pulverizar suas remessas de drogas. Tanto na entrada quanto na saída do País, os bandidos optaram por espalhar sua mercadoria entre viajantes que usam estradas e aeroportos, em lugar de lotar pequenos aviões com a droga. A ONU estima em US$ 100 bilhões/ano o movimento financeiro do tráfico de drogas no mundo.

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