As incertezas do jogador de futebol após os gramados

A profissão de jogador de futebol normalmente é curta, mas, pode estender-se um pouco mais se o atleta tiver autocontrole ao longo da carreira. Com alguns cuidados básicos, ele pode chegar em plena atividade aos 35, ou quem sabe até aos 40 anos – Túlio e Rivaldo são bons exemplos disso. Caso consiga despontar pelo talento como Zico, Romário, Edmundo, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Neymar, Paulo Henrique Ganso e muitos outros, cedo conseguirá a tão sonhada independência financeira. Mesmo sem o brilho dos chamados “gênios”, o bom jogador de futebol, se agir com parcimônia e diligência, com certeza construirá um excelente “pé-de-meia” para uma aposentadoria tranquila.
Mas, a maioria não consegue conviver bem com a riqueza, a fama e o luxo e acaba metendo os pés pelas mãos, extrapolando limites e cometendo verdadeiros desatinos, a exemplo de Bruno, o ex-goleiro do Flamengo preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), desde o dia 9 de julho de 2010 sob a acusação de encomendar a morte da ex-namorada, Eliza Samúdio. Ou do ex-craque Luiz Antônio Correia da Costa, o Müller, que perdeu tudo o que ganhou ao longo da carreira e hoje vive de favor na casa de amigos.
Porém, não é só saber como lidar com muito dinheiro ou com o assédio da Imprensa, dos torcedores, das mulheres. Ou exibir-se em carros de luxo e morar em mansões. Mas, fundamentalmente é planejar como agir após o fim da profissão, sem a bajulação dos cartolas, ignorado pela Imprensa e tratado como reles “aposentado” pela torcida. E quando o atleta não se prepara para o depois dos gramados a vida pessoal vira de ponta-cabeça.
Enquanto o atacante Müller encantava o mundo com seus belos gols, conquistando campeonatos e brilhando na vitoriosa Seleção Brasileira de 1994, o futuro parecia-lhe dourado. Não se preocupava com dinheiro pois tinha a seus pés uma montanha de dólares. Só andava na companhia de belas mulheres. Desfilava em carrões de luxo.  Não concluiu os estudos. Não se especializou na própria profissão e tampouco quis ter outra atividade que pudesse exercer após deixar os gramados. Dessa forma, o jogador foi atravessando os anos certo de que aquela “montanha de queijo” jamais acabaria.
Bicampeão mundial pelo São Paulo no início da década de 1990, atualmente Müller vive um drama e convive com o ostracismo, fruto do desemprego e da falta de recursos. O último trabalho como técnico foi no Imbituba, de Santa Catarina, cargo exercido até abril passado, quando foi dispensado porque a diretoria do clube considerou seu desempenho abaixo da média. Müller também tentou ganhar a vida como comentarista de um canal de TV a Cabo, mas estranhamente não deu certo.
No fim dos anos 1970, um jogador era idolatrado no Brasil. Chama-se Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, nascido em Belém do Pará em 1954. Reconhecido um dos maiores ídolos do Corinthians, o “Doutor Sócrates”, “Doutor”, “Magrão” ou apenas Sócrates ficou conhecido mundialmente por seu estilo elegante e pela habilidade e uso inteligente do calcanhar. Ao encerrar a carreira, em meados dos anos 1980, o atleta havia conquistado, em definitivo, seu lugar entre os grandes do futebol brasileiro e mundial.
Para os fãs da época, jovens entre os 16 e 25 anos, Sócrates era um exemplo a ser seguido. Formando em Medicina, extremamente inteligente, vocabulário amplo e envolvente, bon vivant, namorador, gostava de uma boa rodada de cerveja, rodeado de bons amigos. Estava sempre com um “Hilton” entre os dedos. Muitos adolescentes começaram a consumir bebida alcoólica e tornaram-se tabagistas inspirados no atleta.
Longe dos gramados, Sócrates dedicou-se à Medicina. Também foi articulista da revista CartaCapital e comentarista do programa Cartão Verde da TV Cultura. Mas, apesar de todas essas atividades, o ex-jogador foi lentamente mergulhando no alcoolismo revelado por ele próprio em recente entrevista ao programa “Fantástico” da TV Globo.
Em meados de agosto, o ex-ídolo do Corinthians foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com o quadro de hemorragia digestiva alta devido à hipertensão portal.
Aos 57 anos, Sócrates está fisicamente destroçado devido, segundo revelou para o Brasil, ao consumo exagerado de bebida alcoólica e ao cigarro. Em tom de pilhéria, “Magrão” disse ao repórter global que não bebia todo dia: “só um trago de manhã à noite”.

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