A guerra dos quebrados

O jornal A Gazeta, de Silas Assis Júnior, vem batendo duro nas costelas do governador Camilo Capiberibe (PSB), com manchetes e reportagens cada vez mais incisivas e arrasadoras, numa clara demonstração de que não apoiará o governo nem com a oferta de muito dinheiro. É a guerra de um jornal, criado e amplamente apoiado na gestão do ex-governador Waldez Góes (PDT), numa ligação umbilical tão evidenciada que tem hoje como colaboradores diretos dois ex-secretários de Estado da Comunicação de Waldez, Olympio Guarany e Marcelo Roza. Ambos amigos e parceiros do dono do jornal desde quando exerciam seus respectivos cargos, cada um num período diferente.
Silas Assis Júnior jamais receberá do governo Camilo Capiberibe o volume de dinheiro que recebia do governo Waldez Góes. E pela artilharia pesada que vem utilizando para bombardear o Palácio do Setentrião, demonstra claramente não ter nenhuma intenção em firmar qualquer tipo de acordo comercial com o GEA. E como jornal em Macapá dificilmente sobrevive só de anúncios (principalmente um jornal diário), pergunta-se como Silas Assis Júnior vem garantindo a manutenção de seu parque gráfico, a folha de pagamento de seus funcionários e assegurando a compra de papel para imprimir o periódico.
É notória a ligação de Silas Assis Júnior com o presidente do Senado,  José Sarney (PMDB). Foi uma das “heranças” deixadas pelo pai dele, o falecido jornalista Silas Assis, também conhecido editor de jornais na região Norte. Quando em 1999 fundou o Jornal do Dia em Belém (PA), Silas Assis Júnior tinha dois sócios: o fiscal de tributos do Estado, Teófilo Palmeira, e o então policial civil e presidente municipal do Partido Verde, Paulo Castelo Branco.
O projeto do Jornal do Dia, que à época tinha como editor-chefe o falecido jornalista Arlindo Souza, não apresentava nenhuma novidade. Mas para um tabloide despretensioso, balançou as estruturas dos jornalões paraenses com uma estratégia simples, por isso mesmo eficiente. Para se diferenciar dos demais, Silas Júnior focalizou duas editorias: Polícia e Esporte.
Para a Editoria de Polícia, contratou o experiente jornalista Raimundo Oliveira, na ocasião assessor de Imprensa da Coordenadoria de Polícia Civil do Pará e que por mais de dez anos fizera dupla em O Liberal com o conhecido repórter policial Ítalo Gouvêa, e de tabela fechou contrato de exclusividade com o fotojornalista Fernando Nobre, o “Passarinho”, ex-Diário do Pará.
Esses dois jornalistas começavam a trabalhar às 23 horas. Até as 5 horas da manhã “raspavam” tudo que acontecia na área policial em Belém. Antes das 10 horas, o jornal estava na gráfica, com ampla cobertura policial em três páginas, e manchetes que somente o Arlindo Souza sabia construir. Às 2 horas, o Jornal do Dia estava nas ruas, com notícias da área de Polícia que O Liberal, Diário do Pará e A Província do Pará só iriam veicular 24 horas depois.
Foi um dos maiores sucessos editoriais da história recente da imprensa paraense. O Jornal do Dia de Silas Assis Júnior vendia como sal. Era bom e barato. Com o tempo, os gazeteiros passaram a disputar no tapa cada exemplar do tabloide. Mas se por um lado era um sucesso editorial, o mesmo não acontecia no departamento comercial, sob a direção das irmãs de Silas Júnior, Telma e Sandra Assis. Em menos de seis meses, os salários começaram a atrasar, um claro sinal de que o negócio não andava bem das pernas.
Silas Júnior não obteve do governo Almir Gabriel (PSDB), tampouco do prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PT), a salvaguarda financeira de que precisava para assegurar a longevidade de seu jornal. Fez alguns poucos acordos de bastidores, empreendeu manobras nada convencionais para pressionar alguns figurões da política paraense, contudo, os resultados foram pífios para quem acostumara-se às grandes jogadas provenientes, exatamente, de quem sabe como poucos instrumentalizar o veículo jornal para obter lucros fabulosos.
Foi após uma viagem ao Estado Maranhão que semanas depois Paulo Castelo Branco entrou eufórico na redação do Jornal do Dia anunciando a boa-nova: fora nomeado superintendente do IBAMA Pará. “De agora em diante, a história do Jornal do Dia vai ser diferente. E os salários não mais atrasarão”, anunciou ele, cheio de empáfia.
Silas Assis Júnior e Paulo Castelo Branco defenestraram Teófilo Palmeira da sociedade (esse acontecimento será narrado numa outra ocasião). Palmeira, que além de fiscal da SEFA também integrava – e integra – a cúpula da Igreja Assembleia de Deus no Pará, sentiu  o knockdown, beijou a lona, saiu carregado do ringue, no entanto, logo se recuperou e passou a relatar a história escabrosa para quem quisesse ouvir.
Já Silas Assis Júnior e Paulo Castelo Branco… (esta é uma outra história, e que história!)

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5 comentários em “A guerra dos quebrados

  1. Fala, rapaz! Como é que tu escreve isso? Ahahahahaha!!!…. É verdade. Tudo isso é a mais pura verdade. Eu tava lá, nessa história. Trabalhei com o Oliveira mais de um ano, fazendo a cobertura policial pro jornal do Silas, e quando o jornal fechou, não pagaram nossa indenização. Até hoje tô querendo receber. E eu não escondo de ninguém que não vou desistir. Quem quiser saber mais sobre o Jornal do Dia entre em contato comigo pelo fernandopassarinho21@gmail.com. Eu confirmo e acrescento mais alguma coisa.

    Valeu, Reis!

  2. Ora, quem não lembra como a Gazeta surgiu no Amapá, em 2002? Chamava secretários do governo Waldez (isso mesmo, pasmem) de cornos, empresários de políticos de gays e desafetas de putas! Era a coluna “Sem Retoques”. Tanto que na época, o então deputado estadual (hoje senador) Randolfe Rodrigues chamou o “jornal” de “instrumento de chantagem”. E o tiro que deram na porta da antiga Redação? Falar nisso, o dono do prédio onde ficava a empresa, na Jovino Dinoá, no Centro, até hoje trava batalha judicial para receber os aluguéis do prédio e do “apê” onde o Sillas morava. Em 2004, o “Governador” Waldez logo cedeu às pressões e “trouxe o cu pra pica”, como se diz por aí. A mamata durou quase 8 anos, mas a fonte secou. O jornal não vai mais receber a grana q é da merenda, da saúde, da educação… É, pessoal, é esse tipo de gente que anda dando porrada num governo que mal começou, mas é o mesmo pasquim (sem ofensas ao pasquim) que encobriu uma bandalheira que durou 8 anos e acabou com o Amapá!

  3. O Governador Camilo está arrumando a casa, e ainda tem mazelas dos vícios passados que estão infiltrado no Meio do atual Governo, como é o caso da SEMA, tem grupos gananciosos com interesses escusos de não deixar o Secretário Paulo Figueira e o Governador Camilo fazerem um bom trabalho pela população de nosso Estado. Como é o caso de um tal conselheiro de Meio Ambiente (que já está a 20 anos no cargo) chamado Geraldo Jesus Capela de Araújo, querendo dar uma de honesto, mas é o maior ladrão de Paragominas-PA, veio foragido de lá para o Amapá tentar enganar e perseguir outras pessoas. Em Paragominas-PA ele foi exonerado da Receita Federal pó roubo de equipamentos de informática, a polícia federal deu uma batida em sua casa onde estava todo o roubo (o larápio estava montando uma loja). Depois ele faliu a empresa de seus parentes o Frigorífico ULIANA do grupo FRIPAGO (91) 3729- 3502 (telefone para verificar a verdade), (onde ele veio foragido para Macapá pois queriam dar cabo dele), chagando em Macapá ele faliu a Gráfica dos padres, (são José), Por favor governador Camilo tirem esse ladrão de perto de nosso dinheiro público.
    Povo amapaense

  4. fale mestre, apesar das “tacadas”, mesmo assim vc retratou os bastidores de um pouco dessa história. Só faltou dizer que vc na época era para ser secretario municipal e acabou não sendo, apesar de intelectual e petista de carteirinha. Legal recordar tudo isso.

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