Com José Sarney, não existe meio-termo

A relação do senador José Sarney (PMDB) com o Amapá nunca foi um mar de rosas. É verdade que o maranhense tem muitos seguidores no estado, pessoas comuns, motivadas apenas pela história do político, ou qualquer outra razão. E outras, de pequeno a grande poder aquisitivo, interessadas na influência de Sarney. Mas, no todo, José Sarney é mais odiado, mais incompreendido, mais temido do que, propriamente, amado. Temido porque, nos últimos governos, consolidou a imagem de político influente, “maquiaveliano”, implacável e sobretudo apegado em demasia ao poder. Tanto que sai Lula e entra Dilma lá está ele, contrariando todos prognósticos, impoluto, soberano, junto ao Poder.

Nas conversas, há divisão clara: ou se é contra ou a favor de Sarney. No Amapá, não existe meio-termo, do tipo: “Ah, Sarney é mais ou menos”. Nada disso. E ganha volume a ideia de que tudo de ruim que aconteceu com o Amapá nos últimos anos, principalmente durante a “era Waldez Góes/Pedro Paulo Dias de Carvalho”, é culpa do Sarney. As operações da PF desencandeadas no AP, desde a famosa “Operação Pororoca”, em novembro de 2004, é culpa do Sarney. Inlusive, comentou-se muito nos dias 10 e 11 de setembro de 2010 que Sarney “estaria por trás da ‘Operação Mãos Limpas'”. O objetivo seria derrubar “Pedro Paulo” e alavancar a campanha de Lucas Barreto. Claro, hipótese estapafúrdia. Coisa de esquina. Ou não?

A única vez em que conversei com José Sarney foi há seis anos, no Jornal do Dia. Eu era editor-chefe do jornal e Sarney estava lá, fazendo uma visita à direção da empresa. Fui apresentado ao “home” pela Inerine Pereira. Como sempre, Sarney muito polido, me cumprimentou com discrição, com um sorrisinho nos lábios, e voltou ao bate-papo com os anfitriões. Fiquei ali, na arquibancada, olhando aquele sujeito, aquele rosto que tanto povoou a minha vida, a minha história, em anos passados. Que coisa! Pensei comigo! Eis aí o sujeito que manda no Brasil. Queria saber como ele consegue fazer isso.

Não precisam responder.

E isso não é de hoje. Lembro de 1986, se não me engano, recém-formado, trabalhava no jornal Resenha Municipal (já falei nele neste blog), quando o jornalista Marcos Moraes, que era o superintendente e editor-chefe, decidiu manchetar a capa desse jeito: “Petróleo no Marajó é papo do Sarney”.  Naquela época, Sarney era presidente da República, e corria um forte boato no Pará, em especial na capital, Belém, de que a Petrobrás pretendia explorar petróleo no Marajó. E Sarney fizera um estardalhaço. Depois, foi anunciado que tudo não passara de mal-entendido.

Resolvi escrever sobre o Sarney por puro acaso. Após postar a matéria “Sarney usa blog do Senado para divulgar biografia”. Lembrei de que hoje, quarta-feira, 23 de março, é o dia do julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a aplicabilidade da “Lei da Ficha Limpa” para 2010 ou se deixa para 2012. Pensei em João e Janete Capiberibe, eleitos com maioria de votos em 2010, e impedidos de tomar posse com base na lei. Tenho conversado muito com pessoas, caminhado meu caminho, papo-som dentro da noite (eita, Belchior!), e sempre ouço o seguinte: “É o Sarney que está por trás de tudo isso”. Não sei não. Sempre comento com as pessoas que quando uma multidão vai por um caminho, eu prefiro fazer o inverso. Nesses casos, tem sempre algo de muito errado.

Creio que neste momento, com Sarney ou sem Sarney, o mais importante para o Amapá é fazer valer a vontade do povo. Neste momento, garantir a posse de João e Janete Capiberibe no Senado e na Câmara dos Deputados, é o que importa. Se Sarney vai gostar ou não, bolas!, é problema dele. O nosso, é fazer valer os votos que elegeram Janete e João. O meu e o de vocês.

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