Os gargalos políticos e a Imprensa maoísta do Amapá

É engraçado como a política tem seus gargalos (virou moda hoje usar esse substantivo para ilustrar a ideia de afunilamento). Nas eleições de 2010, o então deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB) disputou o governo do Amapá sem muita esperança de suplantar adversários aparentemente imbatíveis nas urnas. Venceu a disputa eleitoral, tornou-se governador, e com cerca de 45 dias à frente da gestão estadual está às voltas tentando gerir o caos deixado pelos antecessores – Waldez Góes e Pedro Paulo Dias de Carvalho.
Camilo também passa a enfrentar um contencioso com os veículos do mass-media, em especial o jornal A Gazeta, de Silas Assis Júnior. Nas últimas semanas, o periódico posicionou-se francamente contrário ao governo do PSB e vem sovando os costados do governador, às vezes, golpeando abaixo da cintura quando reúne no mesmo balaio familiares de Camilo Capiberibe. Fica parecendo um desrespeito à instituição familiar. Nem o pior inimigo merece isso.
Mas é uma velha estratégia que o empresário aprendeu com o falecido pai, o jornalista Silas Assis: fustigar incansavelmente o adversário ao estilo Mao Tsé-Tung e sua guerra de guerrilha: “Se oinimigo avança, nós recuamos; o inimigo acampa, nós acossamos; o inimigo se cansa, nós atacamos; o inimigo recua, nós perseguimos”.
Assim, Silas Assis Júnior vem fazendo em relação ao governo Camilo Capiberibe. Segundo o linguajar comumente usado nas esquinas: “A Gazeta começou a dar ‘taca” no Camilo”.
Diferente do jornal Diário do Amapá, do Luís Melo. Parece que depois de passar maus bocados com um problema de saúde, Melo voltou menos vociferante e mais, digamos, preocupado com os rumos de seus negócios. Menos jornalista militante e mais empresário.
Vem tratando o governo Camilo em banho-maria, reservando generosos espaços em seu jornal para o inimigo de outrora. Não pelos belos olhos de Camilo, que não os tem, mas, sim, pelo futuro de seu jornal, o que é muito justo. Negócios são negócios. E nesse caso política vem em segundo lugar, como dizia o ex-senador e ex-governador do Pará, Hélio Gueiros, quando ao lado de Jader Barbalho.
Manhã dessas, enquanto dirigia meu carro em direção à panificadora, ouvi o radialista Carlos Lobato anunciando uma de suas chamadas: “Roberto Góes passa 45 dias na prisão sem que nada tenha se provado contra ele”. Eu me surpreendi: Caramba!! Como pode o prefeito de uma capital passar quase dois meses no xilindró sem ter culpa nenhuma? Então, lembrei que um dia desses me contaram que o Lobato, que é advogado, foi contratado para defender o prefeito Góes. Não tenho confirmação disso. Até porque não vejo nada de mais nesse fato.
Mas, como jornalista  às vésperas de completar 30 anos de profissão, vejo na manchete propalada por Lobato, em seu programa matinal, uma tentativa de inocentar alguém que jamais cometeu crime algum, como é o caso de Roberto Góes. Ora, se Roberto Góes, que ficou preso 45 dias nas celas da Política Federal, em Brasília, não cometeu ilícito, a chamada de Carlos Lobato tem contornos meramente eufêmicos. Mais para agradar quem está no outro lado da mesa principal do Palácio Laurindo Banha.
Afinal, negócios são negócios. E as eleições municipais de 2012, embora vislumbradas pela maioria como miragem, começam a ser enxergadas pela minoria do poder como fato consumado. É assim que são desenhadas as futuras lideranças políticas, e construídas as parcerias de “negócios na política”, como é o caso de Carlos Lobato com o prefeito de Macapá. Apesar do revés, Roberto Góes está de olho na reeleição.
O governador Camilo Capiberibe e seu partido, o PSB, também estão de olho. O PT da vice-governadora Dora Nascimento e de seu parceiro constante, o secretário de Estado da Infraestrutura, Joel Banha, também estão mirando a PMM. O PT da deputada federal Dalva Figueiredo idem. Fora os demais igualmente importantes nesse contexto, como o deputado estadual Moisés Souza (PSC), por enquanto presidente da Assembleia Legislativa do Amapá.
Fico conjeturando sobre os gargalos da política. E analisando o que ouço, leio e vejo. E o quanto as pessoas se amesquinham para ficar perto de alguém que está no poder. Ou mesmo, perto do poder. Em 2009, fui assessor parlamentar de Camilo Capiberibe na AL. Mas, não me considero “amigo do rei”. Quem sabe, um simpatizante à distância raramente lembrado. Porém, considero precipitadas as “tacas” que A Gazeta e demais estão aplicando no lombo do governador. Parece que o Amapá é o que menos conta nessa guerra que se prenuncia sobremaneira sangrenta.

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