Os escorpiões nas costas de Camilo Capiberibe

Antes mesmo dos 100 dias, o governo Camilo Capiberibe (PSB) já começa a ser bombardeado pelos opositores, agora mais incisivos e visíveis. Na edição de seu programa de terça-feira, 8 de fevereiro, o jornalista e radialista Reginaldo Borges entrevistou o advogado Vicente Cruz e o deputado estadual Paulo José (PR). O assunto versou sobre a eleição de Moisés Souza (PSC) para a presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá.
Para chacoalhar o Palácio do Setentrião, Borges adotou a nomenclatura “Camilo Góes Capiberibe”, uma artimanha para lembrar aos ouvintes que Camilo também é Góes, referindo-se ao nome completo do governador, Carlos Camilo Góes Capiberibe. A intenção é clara: forçar um parâmetro de raciocínio para confundir o ouvinte menos informado, atribuindo a Camilo parentesco consanguíneo com o ex-governador Waldez Góes (PDT), preso pela Polícia Federal, na “Operação Mãos Limpas”, deflagrada no dia 10 de setembro de 2010. Como se eles fossem de uma só família e, sendo assim, comungassem das mesmas deficiências de caráter.
A todo momento, no decorrer da entrevista, Reginaldo Borges tratava o governador de “Camilo Góes Capiberibe”, e lembrava aos ouvintes do imbróglio resultante da eleição de Souza para a presidência da AL. No programa, percebia-se a insistência de Borges em cunhar Camilo de “Góes” , além de reforçar o argumento de que o governador estaria insatisfeito com a vitória do social cristão.
Em sequência, Reginaldo Borges repetia que Camilo Capiberibe teria sido deselegante com o recém-eleito presidente da AL e demais deputados estaduais aliados de Souza. “O governador foi deselegante. Virou as costas para o grupo de deputados quando percebeu que caminhava na direção dele”, bradou o jornalista e radialista, irmão do senador Gilvam Borges (PMDB), inimigo visceral dos Capiberibe.
O advogado Vicente Cruz, com seu característico “juridiquês”, consubstanciou o tema apresentado por Reginaldo Borges. Segundo Cruz, a suposta manifestação de desagrado do governador, combinada com a recusa na interlocução com os deputados, é uma “particularidade do PSB no governo”. No entendimento de Cruz, outras reações idênticas “por parte do governador” deverão se repetir com mais frequência. “Já vi isso acontecer no passado”, fulminou.
Na Assembleia Legislativa do Amapá, de onde Camilo Capiberibe saiu para governar o Estado, vários deputados e deputadas já começam a afinar os discursos, alguns mais virulentos, contra o governo do PSB. Recentemente, ocupando a tribuna, uma parlamentar abriu a caixa de ferramentas, posicionando-se claramente contra as diretrizes do Executivo. O discurso enfurecido chamou a atenção sobre as dificuldades que o governo Camilo vai enfrentar no legislativo estadual para aprovar projetos ou medidas.
Mas, outros agravantes estão em andamento. Quatro conhecidos jornalistas e radialistas, antes fervorosos combatentes na trincheira adversária, inimigos implacáveis dos Capiberibe, estão negociando apoio ao governo Camilo. A ideia é que por conta das esferas de influência que alegam ter, são imprescindíveis para garantir à atual gestão bom desempenho junto ao público “porque são fortes formadores de opinião”, justificou um marqueteiro. Por conta desse argumento, estão conseguindo manter o mesmo nível de influência na administração estadual que por oito anos ostentaram nos governos Waldez/Pedro Dias de Carvalho.
Dentro do próprio governo, há quem discorde da estratégia, por considerá-la um verdadeiro tiro no pé. Segundo defendem, essas pessoas jamais serão fiéis aos princípios defendidos pelo governador Camilo Capiberibe. E que cedo ou tarde, reagirão igual ao escorpião: aplicarão a ferroada venenosa nas costas do benfeitor.
E completam o raciocínio: quem garante que esses inimigos convertidos em aliados não estarão adotando a tática da aproximação, fazendo-se passar por amigos, para garantir trânsito fluente nos bastidores do governo, para em seguida, entre os iguais de antes, conspirar para minar as pilastras do governo. E isso já começou com Reginaldo Borges e seu programa “O Estado é Notícia”, e no plenário da AL, por meio de deputados e deputadas vociferantes.

 

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