A adesão dos coordenadores de Randolfe Rodrigues

Rumo novo com a força do povo

A crescente adesão popular ao projeto de mudança de Camilo 40 está provocando verdadeiro estrago nas fileiras do ex-deputado estadual Lucas Barreto (PTB), concorrente dele na disputa pelo governo do Estado. Na noite de quinta-feira, 21, durante comício das mulheres organizado e realizado pela Frente Popular no bairro do Buritizal, os coordenadores da vitoriosa campanha ao Senado de Randolfe Rodrigues (PSOL), Augusto Oliveira e Cristiane, subiram ao palanque para declarar apoio à Camilo. Augusto disse que embora esteja com Lucas, “(…) o coração de Randolfe é 40”.

Jornalismo como ferramenta de desconstrução social

Na eleição municipal de 2000, eu trabalhava como editor de Política (local, nacional e internacional) no extinto jornal A Província do Pará, fundado em 25 de março de 1876. Em seus últimos anos, o jornal pertenceu ao livreiro Gêngis Freire, dono da gráfica e editora CEJUP, e depois ao empresário Miguel “Barulho”.

A Editoria de Política era composta por editor, subeditor, revisora, dois diagramadores e quatro repórteres – três de texto e um fotográfico.

Dois candidatos disputavam a Prefeitura de Belém em segundo turno: O então prefeito Edmilson Rodrigues (PT) e o na época deputado estadual Duciomar Costa (PTB).

Minha orientação à equipe era garantir amplo espaço na mesma medida aos dois contedores. Nem uma paica a mais ou a menos.

Uma tarde, Gêngis me convocou para uma reunião no gabinete dele. Lá estava o diretor de redação, jornalista e advogado Nicodemos Sena. “Vamos apoiar o Duciomar”, ordenou Gêngis. Ainda ponderei, mas Gêngis estava irredutível.

Nas edições seguintes, aumentei pouca coisa a cobertura de campanha do Duciomar. O Gêngis ficou fulo e enquadrou o Nicodemos. Por sua vez, o (Na) Nicodemos (apelido que o Paulo Jordão botou nele) moveu o torniquete em meu pescoço.

Duas semanas depois, nova ordem: reduzir o noticiário sobre o Edmilson. Menos de 24 horas após essa última determinação, veio outra: o prefeito tinha se tonado persona non grata em A Província do Pará. Daquele momento em diante, era só peia nos costados do petista.

E se não tivesse assunto, era para inventar. Aí não me contive. Sentei diante do computador e redigi minha carta de demissão. Em seguida, fui desabafar na Ivelta.

No sábado, antes do dia da votação, soube que a Polícia Federal tinha apreendido centenas de exemplares de A Província do Pará que eram distribuídos gratuitamente na Praça da República. Tratava-se de uma edição apócrifa, tendo como manchete de capa uma pesquisa ficcional que garantia a Duciomar mais de 65% de vantagem sobre Edmilson.

No domingo da votação, 1º de outubro de 2000, o jornal O Liberal circulou com manchete favorável a Edmilson. Mais uma vez, pesquisa atribuída ao Ibope. Resultado: Edmilson foi reeleito. A diferença entre ele e Duciomar parou rés ao chão. Diferente de 1995/1996, Belém emudeceu ante a conquista do petista. Foi uma vitória de Pirro.

Mais tarde, soube-se que a pesquisa “do Ibope” que O Liberal havia “manchetado” custou na verdade R$ 800 mil. Reportagem de autoria do jornalista Lúcio Flávio Pinto, publicada em seu Jornal Pessoal, denunciou que a pesquisa foi oferecida primeiro a Duciomar Costa. Como ele não dispunha do recurso, a proposta caiu na mesa do prefeito Edmilson. Conforme Lúcio Flávio Pinto, o prefeito também não tinha todo os R$ 800 mil para pagar pela “pesquisa”. Então, negociou com os empresários do setor do transporte urbano de Belém, e com O Liberal.

E quem pagou a fatura? Adivinhem!!

Truque antigo com mesmo efeito devastador

Contei essa pequena história porque tenho acompanhado as últimas edições do Jornal do Dia e observo que o tradicional periódico tem se colocado de forma visivelmente parcial e passional na cobertura do segundo turno das eleições 2010 para o governo do Amapá. Me lembra sobremodo o jornalismo (?) praticado em Macapá e Belém entre os anos 1980/1990 por “jornalistas” que foram mais ou menos bem-sucedidos na arte de usar o jornalismo como ferramenta de desconstrução social.

Jornal do Dia declara guerra à Frente Popular

Sizan Luis Esberci

Engajado na campanha de Lucas Barreto, apesar de não tratar disso de modo honesto e transparente com seus leitores, o Jornal do Dia se esmera na manipulação dos fatos com o objetivo de atingir o candidato Camilo Capiberibe e, como já fez sem sucesso no primeiro turno, também a deputada federal reeleita Janete Capiberibe e o senador eleito João Alberto Capiberibe.

Usando jogos de palavras inadequados ao jornalismo promove ideias discriminatórias, típicas dos regimes sectários e totalitários – e não dos regimes democráticos que defendem e respeitam as diversidades; reclama de censura quando há o pleno funcionamento das instituições democráticas e se mostra saudosista dos métodos da ditadura militar para defender a candidatura à qual aderiu, mesmo que, no intuito de apresentar-se imparcial e isento, não declare sua escolha aos leitores.

Em pleno regime democrático, no exercício dos direitos que a democracia possibilita, dentre eles a liberdade de imprensa, pela qual Janete e João Capiberibe renunciaram a parte da sua vida pessoal, o Jornal do Dia usa como fonte de pesquisa o site “Ternuma”, que congrega os pensamentos remanescentes mais despóticos e tiranos da ditadura militar, os mesmos que fizeram alvo em João e Janete Capiberibe mais de uma vez. João e Janete eram alvos por defenderem a democracia, a liberdade de imprensa e de expressão. Aqueles que os perseguiam, adeptos do totalitarismos, da força bruta, da opressão.

Quando, praticamente, todos os setores da sociedade brasileira se esforçam no sentido de consolidar a democracia, a simpatia do Jornal do Dia por aquele site torna-se, no mínimo, peculiar.

A matéria publicada nesta quinta, 21, com o título “Bolsa Estupro”, para atacar mais uma vez o candidato da Frente Popular, ofende o leitor pelas inverdades que contém. O coautor do projeto citado na matéria panfletária do Jornal do Dia não integra o Partido dos Trabalhadores. Nem o deputado autor da proposta ao qual o projeto citado está anexado. Nenhum dos dois encontrou no Partido dos Trabalhadores abrigo para suas suas ideias esdrúxulas e de incentivo ao crime.

O projeto de lei 1.763/2007 não foi aprovado, ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados e, portanto, não há lei federal que pague a malfadada “Bolsa Estupro”. Uma pesquisa jornalista preocupada com a verdade constataria isso em menos dois minutos.

Proposta com tamanho descalabro não tem o apoio dos parlamentares da Frente Popular, conhecidos pelas suas posições em defesa da vida defesa, dos direitos da mulher e da integridade dos diversos segmentos reconhecidamente legais e honestos que compõe a sociedade brasileira diversa e, por isso, dinâmica e rica.

Ambos os partidos são conhecidos pela sua luta histórica em defesa da igualdade de gênero, da vida, da não violência, do respeito à lei, da democracia, da justiça social e da verdade. Fora dela o debate democrático não se sustenta e não passará de uma ditadura daqueles que se julgam acima das leis estabelecidas pela maioria constituída democraticamente e pela vontade livre do conjunto da sociedade, a quem tentam, de qualquer forma, impôr exclusivamente as suas próprias.

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