Imprensa equivocada

A ineficácia da enquete como ferramenta de pesquisa eleitoral
Em ano eleitoral, pipocam nos veículos de comunicação pesquisas eleitorais das mais diversas, com o intuito de sondar, naquele momento, a intenção de voto da população e analisar como anda o cenário político do segmento pesquisado. Porém, as pesquisas ou sondagens eleitorais (enquetes) divulgadas para a população (eleitores) ou até mesmo restritas a consumo interno, devem ser regidas de acordo com as diretrizes da legislação eleitoral vigente, caso contrário os envolvidos poderão ser punidos com multas e sofrer pena de até seis meses de trabalho voluntário.
Quando se fala em pesquisar a intenção de voto do eleitor a primeira ação a se fazer é verificar em qual classificação a pesquisa se encaixa. Segundo especialistas em direito eleitoral, existem duas classificações que abrangem as pesquisas. São a pesquisa eleitoral e a sondagem eleitoral (enquete). Cada uma tem sua regulamentação, por isso, antes de fazê-la, é preciso conhecer bem suas recomendações.
A pesquisa eleitoral tem caráter cientifico, pois passa por planejamento e a execução atende a uma série de pré-requisitos exigidos para conseguir respaldo cientifico. A pesquisa eleitoral segue todo um planejamento técnico e cientifico. Nela devem estar contidas informações, tais como idade, sexo, número de eleitores entrevistados, período e localidades onde foram coletados os dados. E o principal: as pesquisas eleitorais só podem ser divulgadas após o registro prévio no TRE.
A sondagem eleitoral parte de uma provocação de alguém ou de um determinado grupo, geralmente por motivação voluntária. Ela é muito utilizada nos blogs e em sites jornalísticos, porém, seu resultado não pode ser considerado como cientifico, pois não atende a nenhum planejamento e o resultado reflete apenas a opinião daqueles internautas que votaram. Ou seja, o universo de uma sondagem eleitoral através da enquete, por exemplo, é voltado apenas a um segmento. Dependendo do sistema, uma mesma pessoa pode votar mais de uma vez num mesmo candidato, e até aquelas que não estão aptas a votar podem também, com um clique, escolher o seu candidato.
Apesar do parecer de especialistas, na quinta-feira, 2 de setembro, um jornal local transformou uma enquete, que pode ser manipulada livremente por qualquer pessoa, em fato jornalístico de grande relevância. Dessa forma, como veículo de comunicação do mass-media (grande imprensa) o periódico prestou um desserviço à população amapaense ao revestir de credibilidade um instrumento empírico de aferição  popular.
O próprio jornal, numa medida desnecessária para eximir-se de qualquer responsabilidade, “esclarece” o leitor sobre a ineficácia da enquete como ferramenta de pesquisa eleitoral. Há de se concluir que, se não tem nenhum valor científico, não serve, portanto, para ilustrar matéria jornalística. Caso contrário, pratica-se o antijornalismo. Em vez de dirimir, cria mais dúvidas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s