O tilintar das moedas

Pesquisa do Ibope e os erros de avaliação dos marqueteiros

As incoerências das pesquisas eleitoraisMais uma vez, a pesquisa do Ibope para governo e Senado no Amapá divulgada na terça-feira, 31 de agosto, não surpreendeu tanto. Lucas Barreto, “governamentável” do PTB, continua na frente. Dessa vez com um acréscimo percentual previsto. Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP), candidato à reeleição, não contabilizou pontos, resultado nada animador para o atual timoneiro da máquina político-administrativa do Estado. Sinal de que comanda uma nau à deriva, com sérios riscos de naufragar em mar aberto. Já os candidatos Jorge Amanajás (PSDB) e Camilo Capiberibe (PSB) estão caindo pelas tabelas, com índices mais acentuados para Camilo. Um indicador de que o pessebista precisa urgente mudar os rumos da campanha.

Quanto ao Senado, Waldez Góes e Gilvan Borges são os candidatos mais atingidos pelas estatísticas do Ibope. De julho a agosto, ambos registraram só perdas. Enquanto pedetista e peemedebista lambem as feridas, João Capiberibe, Randolfe Rodrigues, Professor Marcos e Cláudio do PSTU comemoram candidaturas em ascendência. Pelas projeções do Ibope, Waldez e Gilvan dificilmente recuperam os pontos perdidos desde a primeira pesquisa. E ainda correm o risco de, na próxima edição do Ibope, apresentarem percentuais menores.

Os “guerrilheiros virtuais” das campanhas mais atingidas pela pesquisa do Ibope começam a agir nas redes sociais. Principalmente no Twitter. Um deles afirma que Lucas Barreto pagou “uma milha” (R$ 1 milhão) para o Ibope favorecê-lo. Teoria pouco provável diante do cenário desenhado pelo próprio comportamento do eleitor e pelo tempo de ação do candidato do PTB. E isso tem favorecido sobremaneira a candidatura de Lucas. Sem mandato desde 2006, trabalha desenvolto a imagem de aspirante ao governo. Situação idêntica vivida por Waldez no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, quando também sem mandato esquadrinhou o Estado, garimpando votos em cada um dos 16 municípios.

Na época, entre 2001 e 2002, enquanto a então governadora Dalva Figueiredo (PT) se engalfinhava com seu antecessor, João Alberto Capiberibe (PSB), o pedetista sedimentava o trajeto que o conduziria ao Palácio do Setentrião, derrotando Dalva e a máquina do governo. Da pré a pós campanha, Waldez sempre apareceu em primeiro nas pesquisas – qualquer uma. Mesmo quando Dalva transformou o executivo em rolo compressor nas semanas decisivas do segundo turno. Para o eleitor amapaense, era a hora de Waldez. Não tinha jeito.

Aliás, por falar em “eleitor amapaense” há uma especificidade no Amapá, principalmente em Macapá, que nenhum marqueteiro consegue perceber devido ao desconhecimento de como segmentos da sociedade decidem ungir quem governará o Estado. Não é nada articulado. Nem decidido “de caso pensado”. A “onda” vai evoluindo naturalmente, em conversas entre famílias, parentes, vizinhos, amigos de trabalho, colegas de profissão, colegas de “repartição”.

São os chamados “pioneiros” ou filhos desses que se conhecem há décadas, que se encontram frequente ou esporadicamente. E nessas reuniões trocam impressões, dissecam as vidas dos candidatos, compartilham informações de bastidores, ajustam interesses divergentes, fecham acordos tácitos. Isso acontece em bares, restaurantes, clubes, balneários, igrejas, lojas maçônicas, residências.

Quem afirma que eleição no Amapá é decidida com programas na TV e no rádio, comícios, panfletagem, bandeiradas, caminhadas ou carreatas, engana-se. Ajudam, mas não são os fiéis da balança. O que justifica a surpresa de Paulo Guimarães, diretor da GPP Planejamento e Pesquisa Ltda, com a suposta apatia do eleitor amapaense em relação às candidaturas proporcionais. No recente levantamento realizado pelo instituto, 50% não tem candidato a estadual. E 70% ainda não sabem em quem votar para federal.

Esta afirmativa é uma falácia. Os segmentos mais conservadores da sociedade amapaense já definiram seus candidatos – de presidente a deputado estadual. E é para esses ungidos que os interesses de cada grupo convergem. Esse aspecto da vida política no Estado ganha contornos mais definidos em decisões de segundo turno. E neste ano, pelo andamento das pesquisas de intenção de voto, o governo do Amapá será disputado numa segunda eleição, mais encarniçada e belicosa do que a que marcou a eleição de Waldez Góes em 2002. Então, quem aguçar os sentidos poderá antecipar para qual lado o tilintar das moedas soará mais forte.

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