Rejeição ascendente

As batatas assadas de Pedro Paulo Dias

O ex-governador do Pará, médico Almir Gabriel, costumava falar que “com a máquina pública na mão, governador só perde eleição se quiser”. Mas, por enquanto, essa não parece ser a verdade do também médico e governador Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP), no Amapá. Mesmo com a máquina, Pedro Paulo vem amargando altos índices de rejeição como candidato à reeleição e sua pretensão de continuar ocupando o principal gabinete do Palácio do Setentrião está seriamente ameaçada.

O candidato do PP (Partido Progressista) não consegue transformar suas ações político-administrativas em dividendos eleitorais. Por mais que se esforce, parece difícil convencer o eleitor de que será capaz de fazer um governo melhor do que o do antecessor. Pelo contrário, tem demonstrado claramente a intenção em continuar adotando as mesmas práticas empregadas pelo ex-governador Waldez Góes (PDT). E isso é uma demonstração de fraqueza.

Por isso, o eleitor ainda não confia em Pedro Paulo como gestor e principalmente não vê nele o político experimentado nas lides eleitorais. Nem independente. O próprio governador não tem colaborado muito para mudar essa imagem. No sábado, 7 de agosto, durante lançamento oficial da campanha, seguido de caminhada pelo centro comercial de Macapá, via-se um Pedro Paulo desconfortável no papel de protagonista.

Esta é a primeira vez em que o governador disputa uma eleição como cabeça de chapa. Em 2002 e 2006 foi o Rubens Barrichello, ou agora o Felipe Massa, de Waldez. Esteve sempre na coadjuvância como candidato a vice-governador. Soube muito bem desempenhar esse papel a tal ponto de passar os dois mandatos sem se envolver diretamente na gestão do pedetista. E essa disposição foi tamanha que quando assumiu o governo em abril passado ficou que nem cego em tiroteio. Precisou recorrer aos conhecimentos do ex-supersecretário Alberto Góes, seu candidato a vice.

A situação pode ser pior se Pedro Paulo precisar combater no front oposto um adversário amplamente amparado pela vontade popular. Para PP, tratar-se-ia de um oponente quase imbatível nas urnas. Hoje, perfis com essas características são os dos candidatos do PSB e PTB, Camilo Capiberibe e Lucas Barreto.

Aliás, falando em Barreto não surpreendeu a boa colocação dele na pesquisa do Ibope. Afinal, desde 2006 não exerce nenhum cargo eletivo. Disputou a Prefeitura de Macapá em 2008 com relativo sucesso e passou os meses seguintes percorrendo o interior do Estado. Antes das eleições 2010, Barreto tinha consolidado, aos olhos da população, a imagem de candidato ao governo.

Pedro Paulo tem outra pedreira pela frente. Trata-se do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Amanajás. Nas eleições passadas, o atual candidato do PSDB ao governo obteve boas votações para o legislativo estadual. Porém, não foram tão expressivas a ponto de assegurar-lhe as credenciais necessárias para sustentar o nome como alternativa real ao governo Pedro Paulo.

Porém na presidência da AL, Amanajás construiu bases municipalistas que referendaram seu projeto político cujo formato só ganhou aspectos definitivos com a eleição de Roberto Góes à Prefeitura de Macapá. Esse apoio, entretanto, sofreu profundo desgaste porque até agora não é realmente efetivo. Tanto que dividido entre rocha e areia, o prefeito não titubeou em fincar os pilares da candidatura do tucano na areia movediça. Reservando a rocha para as colunas da candidatura de seu primo, Waldez Góes, que disputa uma das duas vagas ao Senado.

Dessa forma, Amanajás conta com suas próprias pernas e as de alguns deputados ainda ocupantes da nau tucana para atravessar o mar revoltoso descortinado à frente. Os empresários estão com Barreto e rejeitam a candidatura Pedro Paulo porque a consideram uma continuidade do predecessor, Waldez Góes. Camilo Capiberibe não tem todo o apoio do setor produtivo amapaense, nem a máquina administrativa do Estado nas mãos, ou a lenidade da Assembleia Legislativa. Mas tem a mensagem da mudança que o povo quer ouvir.

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