Fim indefinido

As intermináveis obras da rodovia BR-156

Precisar o volume de recursos anunciados ou efetivamente alocados nos últimos dez anos para a BR-156, rodovia federal que atravessa o Estado do Amapá de norte a sul, parece uma tarefa gigantesca. Ninguém saberia informar, mesmo quem está – ou esteve – diretamente envolvido no processo, quanto em dinheiro o Governo Federal (de Fernando Henrique Cardoso a Luís Inácio Lula da Silva) enviou ao Governo Estadual para incontáveis “retomadas” das obras de terraplenagem, pavimentação e asfaltamento.

Trata-se de uma das maiores e das mais intrincadas caixas-pretas da administração pública local, cuja abertura e providencial interpretação certamente levaria anos para o estabelecimento de uma compreensão exata desse estranho labirinto.

Apesar de sua importância estratégica na integração do Brasil com a Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela, conforme acordos da Iniciativa da Infra-estrutura da América do Sul (IIRSA), as contramarchas político-econômicas ao longo da última década vêm impondo alterações consubstanciais no calendário das obras, sem que os governos estadual e federal, e mesmo os integrantes da bancada do Amapá no Congresso Nacional, tenham uma explicação plausível para tanto atraso na conclusão da rodovia.

E a pergunta recorrente é: o que falta para isso acontecer? Certamente não é por falta de recursos. Segundo levantamentos a partir de releases divulgados pelo extinto Departamento Central de Notícias da Secretaria de Estado de Comunicação do Governo do Estado do Amapá (Secom/GEA), nos últimos sete anos a rodovia BR-156 vem sendo contemplada com vultosas quantias.

Por exemplo, em 30 de julho de 2003 o DCN fez circular o seguinte release: “Waldez reinicia obras da BR-156 e senador Sarney garante recursos para obras de integração”. O texto começa com uma frase ufanista: “O reinício das obras de asfaltamento da BR-156 foi saudado por políticos e populares (…)”… E prossegue explicitando a quantia que seria empregada no asfaltamento de “(…) aproximadamente 60 quilômetros (…)”: R$ 40 milhões, “(…) proveniente[s] de uma parceria entre a União e o Governo do Estado e, segundo o senador Sarney, já está alocado para a execução da obra”.

Somente 31 dias após a divulgação da matéria citada, o DCN voltou a veicular outro release sobre a BR-156. No dia 1º de setembro de 2003, circulou um texto com o seguinte título: “Governador inspeciona serviço de asfaltamento na BR-156”. Sem muitos detalhes, informava, apenas, que Waldez Góes “(…) estava empenhado em acompanhar a evolução das obras”.

No dia 10 de novembro de 2003, o site do GEA, atualizado pelo DCN/Secom, divulgava que o “Asfaltamento da BR-156 é a maior reivindicação da população de Oiapoque”. Já no dia 26 de novembro de 2003 informou que o “Diretor de Obras Viárias garante que não haverá atoleiros na BR-156 no inverno deste ano”.

Durante o mês de dezembro daquele ano, a BR-156 nem chegou a figurar na pauta do DCN e o destino dos R$ 40 milhões anunciados com estardalhaço seis meses antes, foi deliberadamente deixado no limbo. Nem o Ministério público se manifestou sobre o assunto.

Em setembro próximo, a BR-156 estará completando 37 anos. Apesar da idade, parece longe de alcançar a trafegabilidade plena e segura. No começo deste ano, mais uma vez os atoleiros estiveram em evidência e a revolta de motoristas e da população residente nos municípios localizados no entorno, repercutiu até em outras regiões do país.

Com certeza, este ano o povo amapaense ouvirá as mesmas promessas de 2001. Ou seja, políticos jurando de pés juntos que se empenharão até a alma pela conclusão da BR-156. As mesmas cantilenas. Os mesmos ataques verborrágicos mascarando interesses sorrateiros.

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