Os palhaços da Fórmula 1

Felipe Massa e a “Síndrome de Rubinho Barrichello”

Nunca fui um aficionado da Fórmula 1. Na época do piloto Ayrton Senna, me tornei um apreciador ocasional. Quando ele morreu, esperei que Rubens Barrichello continuasse o espetáculo. O resultado todos sabem.

Com o passar dos anos, meu interesse pelo esporte arrefeceu. Lembro-me de ter acompanhado uma corrida em que o Rubinho foi pole position e outra, se não me engano, em que ele conquistou o pódio.

Por um momento, Rubinho pareceu um substituto à altura de Senna. Foi contratado pela Ferrari.

Depois disso, em vez de vitórias somente fiascos e mais fiascos. Rubinho, como sparing do alemão Michael Shumacher, ficou nacionalmente conhecido como “Rubinho Pé-de-Chinelo” graças ao humor ácido dos Cassetas.

Reclamava, esperneava, mas ficava só nisso. A grana (e que grana!) falava mais alto. Então, aos olhos da nação Rubinho aquiesceu. Se contentou em ser sempre o segundo. Tanto que no moderno vocabulário da Psicologia brasileira surgiu a patologia denominada de a “Síndrome de Rubinho Barrichello”. São aquelas pessoas sem brilho, apáticas, exacerbadamente conformadas com a coadjuvância, com o fundo do palco.

Lembrei de tudo isso no último domingo, quando assistia trechos do programa esportivo da TV Globo. O episódio envolvendo os pilotos da Ferrari Fernando Alonso e Felipe Massa me reportou a outros idênticos ocorridos entre Shumacher e Barrichello.

Ficou clara a estratégia da Ferrari. Quando algum piloto brasileiro de reconhecido talento começa a brilhar numa escuderia concorrente, imediatamente a Ferrari entra em cena, contrata o brasileiro por uma fortuna, faz ele protagonizar algumas vitórias, para em seguida empurrá-lo para a coadjuvância, transformando-o em “escada” da estrela da vez.

Foi assim com Barrichello, agora a vítima é Felipe Massa.

O que aconteceu domingo (25 de julho), no GP da Alemanha, afetou gravemente a credibilidade da Fórmula 1. Por determinação do engenheiro Rob Smedley, da Ferrari, Felipe Massa, que vinha em primeiro lugar, e em condições de vencer a corrida, foi obrigado a desacelerar e permitir a ultrapassagem de Alonso. “Fernando é mais veloz que você. Entendeu a mensagem?”, disse Smedley a Massa, via rádio.

Antes, Alonso já vinha reclamando com a equipe por estar atrás de Massa. Por isso, Rob Smedley não titubeou em orquestrar a manobra, se não ilegal, no mínimo antidesportista, em sugerir ao piloto brasileiro para que permitisse a ultrapassem de Alonso.

Não foi uma vitória honrosa. Não existiu honra na vitória da Ferrari. Ganhou, mas não levou. Ganhou com fraudes. Isso não é vencer com dignidade. É fraudar, burlar, trapacear. Como certos políticos do Amapá que venceram algumas eleições na base da fraude, da burla, da trapaça.

Em termos de qualidade, Alonso e Massa estão nivelados. Quem sabe, Massa bem mais que Alonso. Alonso já demonstrou falhas de caráter na corrida em que tocou “sem querer querendo” o pneu traseiro do carro de Massa. E revelou esse maucaratismo latente quando externou seu desagrado diretamente ao engenheiro Rob Smedley: “Isso é ridículo”.

Afinal, o que pareceu ridículo no entender de Alonso? Era ele ficar atrás de Massa? Ou Massa não estar cumprindo o acordo tácito feito nos bastidores em que, como Barrichello, deveria se contentar em ser um reles sparing de luxo ? Se Massa aceitou esse papel, então é mais mau-caráter do que Alonso ou Smedley. Muito mais do que isso: um apátrida. Um traidor de seu povo.

Sinceramente, espero que Felipe Massa tenha dignidade e auto-estima para não ficar somente nos trejeitos faciais, tentando exprimir seu descontentamento com muxoxos e semblante contrariado. Mas, diferente de Rubinho, adote a postura de um verdadeiro campeão e, em comunicado à imprensa internacional, revele o que realmente aconteceu.

Ou em caso extremo, anuncie o rompimento do contrato com a Ferrari por desrespeito ao povo brasileiro e por prática antidesportista.

Se continuar calado, é porque é só mais um perdedor no grande circo da Fórmula 1. E aos perdedores, restam as batatas podres.

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