Herdeiro generoso

O continuísmo político de Pedro Paulo Dias

Atual governador repete nos discursos as mesmas cantilenas

O governador Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP) está investindo pesado na herança mediática deixada pelo antecessor. Manteve os contratos anteriores, com acréscimo pecuniário em alguns, aqueles com maior poder de fogo. Aos demais, garantiu a continuidade dos pagamentos mensais via Secretaria de Estado da Comunicação (Secom).

A estratégia está resultando eficiente porque sem muito esforço assegura ao governo generosos espaços nos veículos de comunicação. Logo, o atual mandatário aparece bem mais do que os outros pré-candidatos ao GEA, não somente como ocupante do cargo de maior relevância no Estado, mas, emoldura uma pré-candidatura fortalecida por alianças entre diferentes sub-repticiamente sedimentada em interesses nebulosos.

Pedro Paulo incorre no mesmo erro de seu antecessor: para eleger-se “a todo custo” vale até tornar-se refém de amizades mais ou menos suspeitas. Isso sem levarmos em consideração a metástase que assola o sistema político local sem que ele tenha demonstrado algum interesse em combatê-la. Fez pior: resolveu ignorá-la, como governante e médico.

Alheio à crise que permeia as fronteiras da sociedade amapaense, Pedro Paulo investe os recursos do Estado na criação de novas mídias. Recentemente, determinou à Secom a criação de uma revista toda em policromia, papel couchê liso, capa e contracapa em Opaline, 80 páginas, tiragem estimada em 25 mil exemplares. Para coordenar esse projeto em especial mandou contratar uma jornalista em Brasília, funcionária do jornal Correio Braziliense, responsável pela linha editorial e revisão dos textos produzidos pelos jornalistas do Núcleo de Jornalismo Institucional.

Uma rápida sondagem nas gráficas locais, com levamento de custos de um impresso com essas características, revelou que o governo torrará cerca de R$ 150 mil dos cofres públicos numa publicação que terá, como pano de fundo, a função primeira de divulgar as ações do governador em seus mirrados dois meses de gestão. Depois, ser utilizada como ferramenta de propaganda eleitoral. Não foram incluídos os honorários da jornalista, nem as despesas com hospedagem, alimentação e transporte.

Em meio a tanta mis-en-scène, o discurso do governador repete as mesmas cantilenas. Por isso, aparece mistificado, atenuado, mitigado. Exatamente no diapasão do predecessor, construído tantas vezes só para agradar claque e arquibancada. Dessa forma, pelos últimos acontecimentos Pedro Paulo decidiu assumir seu continuísmo político. Não poderia ser diferente, principalmente quando a pessoa resolve crescer sobre pernas de pau e pensa que forma sozinha e com sua corte, o que só é possível em conjunto: uma história de mudança.

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