Barco à deriva

Antigos aliados abandonam barco tucano

Pedro Paulo Dias articula para isolar concorrente eleitoral

Raciocinando com base nos últimos noticiários veiculados nos jornais, o deputado estadual Jorge Amanajás, presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao governo pelo PSDB, precisa redobrar a vigilância, caso contrário acaba sozinho na condução de um barco com fortes indícios de que está à deriva. No sábado, 5 de junho, o rompimento do DEM com o PSDB foi manchete dos matutinos. Pela justificativa do presidente estadual do DEM, deputado federal Davi Alcolumbre, o embarque na nau do governador Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP) não foi necessariamente por causa de Amanajás. Mas, sim, porque Jorge decidiu se aliar ao PMDB do senador Gilvam Borges. Por conta dessa súbita parceria, Davi disse que Jorge “não cumpriu acordos”.

Na verdade, ninguém quer ficar sob árvore rala, cujas folhas antes viçosas ficaram incolores e murchas. A maioria prefere as de copas espessas, cuja sombra pode acomodar convergentes e divergentes. Atualmente, essa árvore chama-se Pedro Paulo Dias de Carvalho. O que não é nenhuma surpresa. E o próprio Pedro Paulo vem tirando proveito disso. Jorge Amanajás não tem muito o que oferecer . Pedro, ao contrário, ganhou amplo poder de barganha quando sucedeu Waldez Góes (PDT) no Palácio do Setentrião. E como tem gente, que antes professava amor eterno ao ex-governador, hoje despudoradamente declara-se Pedro Paulo desde “gitinho”. Interesses, somente jogos de interesses.

Até o próprio Partido Social Cristão (PSC) do pastor Valdenor Guedes e do deputado estadual Moisés Souza começou a flertar com o governador. Logo Moisés Souza que recentemente apareceu na TV como garoto-propaganda do tucano, afirmando, com aquele ar compungido: “O deputado Jorge Amanajás está certo”. Pelo jeito, Amanajás não estava tão certo assim. Tanto que Guedes articula os primeiros passos rumo à prancha de embarque no navio comandado por Pedro Paulo. Quanto ao acordo anterior com Amanajás, Guedes e Souza preferem o silêncio. Falar o quê?

Os “nanicos”, entre os quais o PSC, fecharam com Pedro Paulo. Não surpreendeu. Afinal, é uma questão de sobrevivência. No entanto, a volubilidade deles é de admirar. O PRTB que já foi da família do deputado estadual Edinho Duarte (PP), hoje está sob os auspícios da família de Telma Gurgel, presidente licenciada da Federação das Indústrias do Estado do Amapá (Fieap) e pré-candidata a uma das 24 vagas da Assembleia Legislativa. O PSC atende aos interesses de um segmento evangélico liderado por Valdenor e Moisés. Tem ainda os Partidos Republicano Brasileiro (PRB), da Mobilização Nacional (PMN), Verde (PV), da República (PR), Popular Socialista (PPS), Trabalhista do Brasil (PT do B) e outros.

A manchete da edição do Jornal do Dia de 6 de junho não é muito alvissareira para o pré-candidato do PSDB ao GEA. O emprego do verbo conseguir no imperativo afirmativo deixou entrever como se ele, Amanajás, após negociar o improvável com Gilvam Borges finalmente, por um ato de benevolência do peemedebista, ”consegue apoio do PMDB para disputar o governo”. Ou seja, pelo teor da manchete do JD é como se Borges tenha feito um favor aceitando apoiar Amanajás para o governo. Uma situação, no mínimo, delicada para o presidente da AL que até recentemente parecia imbatível nas urnas. Diante de tanto revés, já há quem aposte numa possível desistência de Amanajás em disputar o GEA. Porém, ele jamais tomaria essa decisão. Não é mera questão de conquista política. E, sim, de vaidade e orgulho pessoal.

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