Lula, o Ingratalhão

A via-crúcis de Ciro Gomes no PSB de Lula da Silva

Deputado cearense é aconselhado a desistir de projeto político

Há 15 dias, venho acompanhando o dilema do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), pré-candidato à Presidência da República. Quer dizer, pelo menos era essa a pretensão do cerense para as eleições de outubro. Desde meados do ano passado que Gomes vem anunciando essa intenção e, em certo momento, até estimulado pelo próprio presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). Inclusive, o pessebista esteve em Macapá, participando de uma sessão especial na Assembleia Legislativa, e foi recepcionado pelo presidente estadual do PSB, ex-senador João Alberto Capiberibe. Na ocasião, em meio aos aplausos da militância socialista, Ciro se empolgou e reforçou seu projeto político. Chegou a pedir o apoio do PSB amapaense.

Ciro Gomes estava confiante de que teria amplo e irrestrito amparo de Lula nessa empreitada. Não somente o do presidente, mas, acima de tudo, o de seu próprio partido. Ciro terminou 2009 celebrando sua futura campanha para presidente do Brasil. Atualmente, se aproxima do final do primeiro semestre de 2010 correndo o risco, até, de ficar sem mandato a partir de 2011. Tudo porque, segundo tarimbados especialistas em política nacional, Ciro acreditou até o último momento que Lula seria tão grato a ele que, no frigir dos ovos (essa é manjada “prá” caramba, mas cabe bem nesse contexto) o apoiaria em qualquer iniciativa.

Na semana passada Ciro Gomes entrou em depressão. Trancou-se em casa, evitou falar com as lideranças do PSB, não quis conversar com interlocutores indicados por Lula. Recusou-se, inclusive, a compartilhar com a mulher, a atriz Patrícia Pilar, suas mágoas e angústias. Quem acompanhou a via-crúcis do deputado federal pelo Ceará pôde sentir nele uma grande decepção. Não somente com o PSB nacional, porém, e principalmente, com Luís Inácio Lula da Silva. Afinal, durante os escândalos do Mensalão que trincaram os pilares da “República dos Metalúrgicos” Ciro foi a voz mais atuante em defesa de Lula. Jogou todo o peso de sua credibilidade para defender o paulista-pernambucano.

Agora, quando mais precisou do “velho companheiro”, viu somente as omoplatas dele encobertas por charmosos ternos D’Amani. Em nome de um ambicioso projeto político pessoal, Lula sacrificou aquele que em passado recente foi seu mais fiel cão de guarda no Congresso Nacional. Para garantir a permanência do PT no poder, com uma possível eleição de Dilma, o presidente mandou Ciro Gomes comer capim no asfalto sem nenhuma comiseração pelo aliado de horas mais do que difíceis.

E somente nesses dias atribulados foi que Ciro Gomes percebeu o quanto Lula pode ser implacável com aqueles que, por qualquer circunstância, tentem atrapalhar seus planos. Isso mesmo, só sentiu porque teimou com uma candidatura natimorta. Sentiu na pele o quanto qualquer político que pare abruptamente de rezar na cartilha do poder (de qualquer poder) pode sofrer as consequências de sua malfada decisão.

Sabem de uma coisa? Bem que lá no fundo, Ciro Gomes merece esse desfecho.

Leia matéria mais recente sobre o assunto distribuída às agências de notícias.

22/04/2010 – 18h24

PSB diz a Ciro que pré-candidatura é difícil e caminha para apoiar Dilma

MARIA CLARA CABRAL

da Sucursal de Brasília

Em reunião hoje, a cúpula do PSB informou ao deputado Ciro Gomes (PSB-CE) que o partido está isolado politicamente e que isso dificultará sua candidatura ao Palácio do Planalto. Por isso, no encontro marcado para a próxima terça-feira, a tendência é que a legenda anuncie que vai apoiar Dilma Rousseff (PT) na corrida para a Presidência.

Segundo participantes da reunião de hoje, Ciro vai seguir a orientação partidária. A tendência é que ele se afaste da Câmara para coordenar a estratégia de campanha nos Estados.

O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, disse que a prioridade hoje é a de eleger uma bancada parlamentar maior e dar apoio aos candidatos ao governo. Durante o encontro, Ciro viu uma exposição sobre o cenário em todos os Estados, do cenário nacional e das pesquisas de intenções de votos.

“Hoje o partido tem condições de ter candidato próprio e de não ter. A questão é que vamos avaliar todos os fatores e chegar a uma decisão consensual. Não tem nenhuma chance de adiarmos nada, a decisão sai na terça-feira”, disse Amaral.

Segundo a assessoria do Ciro, a situação da sua pré-candidatura continua a mesma. Ela também lembrou que haverá uma reunião da Executiva do PSB na próxima semana.

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