Imprensa Marrom

Jornalismo como instrumento de manobras sórdidas

Ação judicial é proposta com base em reportagens mal-ajambradas

Os lances bizarros que pontuaram o último carnaval em Macapá continuam fluindo em cascata, assombrando os desabituados às manobras sub-reptícias perpetradas por quem deveria dar exemplo de civilidade, cidadania e respeito às leis vigentes. Ao desligar a “Piratas da Batucada” da Liga das Escolas de Samba, o conselho da entidade, cuja idoneidade está em xeque desde os lamentáveis episódios ocorridos na avenida Ivaldo Veras, no decorrer das apurações, confirmam que não se trata somente de uma questão carnavalesca, cultural. É essencialmente política e, em especial, de id. Ou seja, de ego inflado ao limite. Mas, o surpreendente da ação que, de certa forma, já era esperada por conta dos personagens envolvidos e da repercussão exagerada na mídia, foi estrategicamente deslocada para plano secundário. Mais uma vez, o jornalismo é usado como instrumento de manobras sórdidas visando objetivos escusos. Um texto enviado por Cláudio Rogério, de Boêmios do Laguinho, diz que “a representação feita por Boêmios do Laguinho, apontavam provas através de documentos e de matérias do Jornal A GAZETA que mostravam uma lista de nomes de jurados indicados pelo Sr. Mata”.

Tenho em arquivo todas as matérias veiculadas no jornal A GAZETA referentes ao assunto. Nenhuma delas, tecnicamente avaliadas, tem o devido embasamento jornalístico para ser usada em qualquer tribunal como prova documental. Todos os textos, além de mal escritos, não foram devidamente estruturados de acordo com as normas/técnicas mais comezinhas do Jornalismo. Deixam claramente sub-entendidos que foram preparados para o fim acima apresentado: para que fossem usados como “provas” numa futura ação judicial.

Todavia, se foi esse o propósito do (s) autor (es) dos textos mal-ajambrados o tiro pode sair pela culatra. Primeiro, porque qualquer estudante de Comunicação, a partir do terceiro semestre, sabe que para se construir um texto jornalístico com alguma credibilidade ( e é isso o que estabelece o Código de Ética do Jornalista), todas as partes devem ser ouvidas, as informações checadas, as hipóteses dirimidas. Segundo, por conta dessas deficiências percebe-se de imediato que os textos foram elaborados com o intento evidenciado de atingir uma entidade e pessoas ligadas a essa entidade.

E terceiro, em nenhum dos textos há o elemento da convicção. Nem mesmo quando o delegado geral da Polícia Civil, Paulo César, foi entrevistado. Em nenhum momento ele afirma que alguém, da “Piratas da Batucada”, tenha cometido, de fato, alguma irregularidade. Todas as declarações dele foram feitas em cima de hipóteses. Portanto, sem base científica. E nesse texto há um agravante: a inclusão do delegado, como entrevistado, é um velho – e batido – recurso que se utiliza nas redações (típicas do jornalismo marrom) quando se quer dar alguma credibilidade a um texto.

Por exemplo, um editor/redator recebe a incumbência do dono do jornal de produzir um texto contrário a um adversário político/ou qualquer outro. O escriba assim o faz. E para dar credibilidade ao trabalho, entrevista alguém que tenha alguma relação com o assunto. Essa autoridade, às vezes sem saber, é usada como massa de manobra nessa estratégia repugnante em que o Jornalismo é vilipendiado impiedosamente pelos maus jornalistas ou por aqueles que se fazem passar por jornalistas porque em algum momento obtiveram, não se sabe quais meios usaram, uma “carteirinha de jornalista”.

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