Política e politicagem

As marchas e contramarchas dos aspirantes ao governo do Amapá

As conversas prosseguem em todos os níveis e em todos os segmentos partidários

Há quem duvide da capacidade do governador Pedro Paulo Dias de Carvalho de ser bem-sucedido como gestor e pré-candidato. Também há quem acredite que o presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, deputado Jorge Amanajás (PSDB), possa aceitar candidamente a condição de coadjuvante e contente-se com a posição de pré-candidato a vice-governador numa suposta composição com Pedro Paulo.

Sinceramente, eu não acredito que Amanajás, afeito aos rituais do poder, desempenhe papel secundário num enredo que promete muita aventura, suspense, ação e, principalmente, muito mistério. O tucano não é homem de segundo plano – a não ser que as vantagens compensem o súbito afastamento da ribalta. Mesmo contrariando os defensores de uma pré-candidatura ao GEA que aglutine os interesses em evidência, o presidente da AL dificilmente aceitará ser apenas figurante.

Especialistas” em política local com quem tenho conversado, inclusive próximos ao novo governador do Amapá, afirmam que Pedro Paulo não é de agir atabalhoadamente. E que ao longo de sete anos como coadjuvante de Waldez Góes exercitou à exaustão a arte de engolir sapos. Vejam, por exemplo, no dia de sua posse, no sábado, 3 de abril. Mesmo tendo sido duramente espancado pelo deputado estadual Dalto Martins (PMDB) enquanto secretário da Saúde, Dias de Carvalho o cumprimentou como a um amigo de infância. Não somente o cumprimentou, mas, o abraçou e o afagou, soprando-lhe nos ouvidos palavras de afeto.

Foi um exagero. Porém, em nome da harmonia e de uma pseudo-civilidade, todos engoliram.

Ou seja, o que os “especialistas” querem dizer é que Pedro Paulo jamais repetirá os erros cometidos pela professora Dalva Figueiredo, que sucedeu João Alberto Capiberibe quando este desincompatibilizou-se para candidatar-se ao Senado, nas eleições de 2002. Pedro Paulo é mais ardiloso. Sabe que é impossível, em oito meses, imprimir marca própria num governo tampão. E entende que embora Waldez tenha renunciado ao mandato para tentar uma das duas vagas ao Senado, a máquina político-administrativa que ora comanda está impregnada com os elementos deixados pelo antecessor.

Tenho afirmado, e muita gente me olha sem entender direito, que não se trata de um governo Pedro Paulo Dias de Carvalho. É, na verdade, o governo Waldez Góes que se mantém na essência. Até porque Pedro Paulo é governador por causa da legislação eleitoral. Caso contrário, Waldez poderia continuar no exercício do mandato até 31 de dezembro e pleitear uma vaga de senador. Um governante, só é governante de fato, quando eleito pelos votos de seus eleitores e não pelos votos dos eleitores dos outros. Pedro Paulo só é governador porque Waldez foi eleito em 2002 e reeleito em 2006. Portanto, pode-se até chamar de “governo Pedro Paulo” por uma deferência ao ocupante do cargo. Mas, na prática, o governo continua sendo de Waldez Góes, mesmo tendo este renunciado.

Quanto a Jorge Amanajás aceitar ser vice numa chapa com Pedro Paulo é uma ideia, no momento atual, surrealista. Evidente, que não de toda improvável. Amanajás quer ser governador do Amapá porque considera-se intelectualmente superior aos demais futuros concorrentes. E isso ele demonstra nas entrelinhas. E não à toa que o presidente da AL utiliza-se de todos os recursos para fazer valer sua vontade, visando unicamente seu próprio projeto político. Exemplo claro dessa metodologia de agir de Amanajás foi o episódio do Orçamento Estadual 2010. O tucano deixou Waldez Góes em polvorosa. Forçou o governador e seu estado-maior a manobras de guerra de guerrilha.

Por essas e outras é que considero improvável Amanajás anuir ao projeto com Pedro Paulo. O id do tucano é o grande empecilho para que tal formatação conjuntural ganhe visibilidade. No entanto, como em política qualquer quadrúpede pode voar, vá que numa repentina reavaliação psico-espiritual ele arrefece esse id e acabe aceitando contracenar com o governador numa chapa em que estariam juntos PSDB e PP.

Meus e minhas: nesses dias de tantos encontros e desencontros, não se surpreendam.

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