Terror Urbano

Violência crescente assombra população do Amapá

A criminalidade atinge a todos, independente da classe social

população assustada
O medo da violência está presente em todas as cidades

 

Não é de hoje que a população amapaense se esconde com medo da violência. O tráfico de drogas, os homicídios, os assaltos e outras formas de delitos estão presentes, principalmente, no cotidiano da capital do Estado. Com o carnaval em evidência, a tendência é que os índices de violência no Estado entrem em espiral crescente. Uma expectativa que assombra porque descortina a distância entre o tamanho e a frequência das ações criminosas e os recursos e o preparo das autoridades para combatê-las.

Com os bandidos cada vez mais organizados, audazes e violentos o cidadão sente-se acuado dentro de sua própria casa e sobremaneira vulnerável quando fora dela. Tanto faz se é de dia ou à noite, os criminosos agem desenvoltos na certeza da impunidade ou do afrouxamento da legislação penal que permite um sem número de mecanismos jurídicos que podem livrá-los da cadeia em pouco tempo, mesmo que tenham cometido crimes hediondos como latrocínios, sequestros ou estupros. Faz tempo que a ideia de integrar uma comunidade e sentir-se confiante e seguro por ser parte de um coletivo deixou de ser um sentimento comum aos habitantes de Macapá. As noções de segurança e de vida comunitária foram substituídas pelo sentimento de insegurança e pelo isolamento que o medo impõe. O outro deixou de ser visto como parceiro ou parceira em potencial; o desconhecido é encarado como ameaça. O sentimento de insegurança transforma e desfigura. De lugares de encontro, troca, comunidade, participação coletiva, as moradias e os espaços públicos transformam-se em palco do horror, do pânico e do medo. Na verdade, ninguém confia em mais ninguém. As pessoas andam apavoradas nas ruas de Macapá, com medo uma das outras, olhando para os lados como se a todo momento corressem o risco de uma abordagem violenta, resultado de assalto ou sequestro relâmpago. É paranóia coletiva, mesmo. A insegurança está mexendo com a psique de homens e mulheres e forçando-as a um isolamento quase absoluto. 

As regras de segurança recomendadas pelos especialistas, como andar na rua com cuidado, evitar falar com estranhos, não sair à noite para caminhar, em especial se estiver sozinho, trancar as portas do carro quando estacionar, não parar em sinal vermelho de madrugada e não reagir a assaltos, estão se tornando obsoletas e ineficazes diante de casos em que pessoas não reagiram a assaltos e mesmo assim foram executadas a sangue frio por criminosos, quase em sua totalidade, menores de idade.

Truculência oficial

O outro lado, o dos “mocinhos”, também integra essa lamentável estatística de violência no Amapá, bem como, em todo o Brasil. Desde os anos 1980, quando a chamada “abertura política” idealizada pelo general Golbery Couto Silva, falecido em 1987, e principiada na gestão do então general-presidente da República, Ernesto Geisel (1974-1979), e implementada no período do general-presidente João Baptista Figueiredo (1979-1985), que consideráveis esferas das Polícias Civil e Militar são alvejadas por críticas contundentes sobre práticas típicas de suas congêneres do passado, Gestapo (Geheime Staatspolizei/Polícia Secreta do Estado) e KGB (Komitet Gosudarstvenno Bezopasnosti/Comitê de Segurança do Estado).

Exemplos dessa barbárie podem ser encontrados nos anos 1990. Dois episódios brutais mancharam de sangue a história das polícias brasileiras e fizeram a violência urbana no país ser destacada em toda a imprensa internacional. O primeiro ocorreu em julho de 1993, quando sete crianças de rua foram mortas em frente à Igreja da Candelária (RJ). Houve aqueles que aplaudiram o fuzilamento, mas a história ficaria para sempre na memória do brasileiro como um dos atos mais violentos da história do país.

Apenas dois meses depois, nova matança no Rio: uma quadrilha de PMs, integrantes de um grupo de extermínio, invade a favela de Vigário Geral, e utilizando armamento pesado massacra 21 pessoas inocentes. Nenhuma delas tinha envolvimento com o tráfico de drogas ou havia praticado algum tipo de delito. A chacina repercutiu no mundo e o Brasil passou a compor a lista dos países mais violentos, perdendo somente para a então “meca” no narcotráfico internacional, a cidade de Medellin, na Colômbia.

Bandidos com distintivo

As notícias sobre a corrupção dentro da polícia e o envolvimento de autoridades com o crime organizado provocam perplexidade. A participação de policiais, e mesmo de integrantes das Forças Armadas, em crimes normalmente atribuídos a bandidos semi-analfabetos e sem nenhuma perspectiva de crescimento social e econômico de forma honesta e digna, vem se tornando cada vez mais comum.

Quem não lembra, em Macapá, do sequestro da enfermeira Adriana Sinara Félix Ulisses, ocorrido há cerca de cinco anos? Três sargentos do Exército, um deles exímio pára-quedista, planejaram e executaram o crime. A notícia motivou – e ainda motiva – acalorados debates sobre os motivos que levaram os três militares profissionais ao cometimento de um crime tão bárbaro.

O “caso Gambra” é outro exemplo de grande repercussão nacional. Otávio Lourenço Gambra era tido como um policial modelo. Até o dia em que uma fita gravada por um cinegrafista amador mostrou Gambra no comando de um grupo de policiais que se divertia batendo e extorquindo quem passava na entrada da Favela Naval, em Diadema, na Grande São Paulo.

Num dado momento, depois de tomar o dinheiro de uma turma de amigos que voltava para casa num Gol, o PM deu dois disparos na direção do carro, que se afastava. Atingido pelos tiros, o conferente Mário José Josino morreu ao chegar ao hospital. Gambra era conhecido pelo apelido de Rambo. Era o fortão que, ao lado dos comparsas, costumava humilhar, agredir e roubar.

O fim da “ROTA” paraense

Quando o Patrulhamento Tático Metropolitano (PATAM) foi criado pelo então governador do Pará, Jader Barbalho (PMDB), logo a imprensa identificou semelhanças metodológicas entre a famigerada Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), de São Paulo, e PATAM. O comando do 6º Batalhão de Polícia Militar elegeu como símbolo da nova corporação uma cabeça de caveira, como aquela muito usada pelos antigos piratas, a mesma utilizada pelo Esquadrão da Morte, um grupo de extermínio formado por policiais que ganhou notoriedade nos anos 1970.

Em pouco tempo, mais precisamente entre os anos 1991 e 1992, o PATAM evidenciou seu modus operandi. Ou seja, atirava antes e perguntava depois. Bandidos foram implacavelmente perseguidos e executados nos ramais e áreas de invasão que à época circundavam a Região Metropolitana de Belém. Os policiais militares do 6º BPM abusavam da autoridade, mas, devido à alta incidência de crimes registrada na capital paraense, a sociedade condescendeu.

Até o dia em que uma guarnição do PATAM, sob o comando do sargento PM Cruz, recebeu a denúncia de que quatro rapazes, um deles portando uma arma (um revólver calibre 38), seguiam às proximidades do conjunto Europa, bairro do Coqueiro (Belém/PA). A abordagem coordenada por Cruz aos supostos criminosos resultou em três assassinatos, de um investigador de Polícia, lotado na antiga Divisão de Ordem Política e Social (DOPS), e de dois universitários, e na tentativa de assassinato de um militar da Marinha, que sobreviveu ao massacre e identificou os criminosos.

A chacina foi a principal chamada de jornais e telejornais nacionais e internacionais. Por conta da pressão, Jader Barbalho extinguiu o PATAM por meio de um simples decreto veiculado em página par (menos nobre) do Diário Oficial. Mas, ainda hoje há quem sinta saudades da temível PATAM, cuja existência não chegou a dois anos.

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4 comentários em “Terror Urbano

  1. sou Moises sou paraense,moro em Sao Paulo ha 11 anos a criaçao da PATAM foiuma das muitas coisas constituida por este governo(Jader Barbalho) que usou da falta de conhecimento da populaçao para criar um grupo de esterminio ,que em alguns momento por esta matando bandido foi tido como herois mas que tambem em tantas outras mataram inocentes,eu vi a PATAM agindo e o que eu vi nao parecia policia parecia bandido ,o que eu vi naquela epoca ate hoge è posivel se ver, em ananindeua por exemplo è facio ver isso pois as pessoas nao tem conhecimento sobre leis ,tecnologia e cultura.
    se compararmos uma cidade do interior de Sao Paulo com Belem por exemplo veremos uma diferença esmagadora a unica pocisao que Belem pode ganhar e o numero de assalto e desemprego ,que e uma coisa que so vem crescendo ,entre os que roubam muitas vezes o faz por nescecidade sendo assim culpa do governo que deixa apopulaçao esquecida

  2. sou parente de uma das pessoas assasinas pela a patam ed amigo do sobrevivente o marinheiro nA EPOCA tinha 14 anos e não tinha noção do que estava acontecendo, procuro resposta para tamanha crueldade que fizeram com o meu irm]ao e com os amigos deles se tiveres videos ou materiats sobre o casso envie para mim, abraços.

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