Tráfico de órgãos

Traficantes de órgãos humanos agem no Amapá

Dois homens provavelmente podem ter sido vítimas dessa máfia

crimes misteriosos
Mercado negro de órgãos está em espiral crescente

 

A polícia do município do Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá, investiga o desaparecimento de dois homens, ambos aparentando de 25 a 30 anos de idade, que estariam hospedados numa kit-net localizada na rua Joaquim Caetano da Silva, Centro. A busca pelos supostos desaparecidos teve início com uma denúncia anônima de que populares teriam encontrado órgãos humanos em estado de decomposição às proximidades da comunidade de Vila Velha.

De acordo com levantamentos preliminares, os desconhecidos estavam na cidade do Oiapoque há cerca de duas semanas, e planejavam atravessar para Caiena, território francês, onde pretendiam chegar às áreas clandestinas de garimpo. Pelo menos foram essas as confidências que fizeram a um funcionário da pensão em conversa de fim de tarde, em frente ao imóvel. No entanto, dois dias depois eles tinham deixado o local sem levar os poucos pertences – duas sacolas de viagem, redes de dormir e algumas peças de roupas. O desaparecimento de pessoas em Oiapoque, principalmente de mulheres jovens, não surpreende mais ninguém. É quase uma rotina, embora existam indícios consubstanciais da atuação de quadrilhas envolvidas no tráfico de pessoas, crianças e mulheres, e agora, com o desaparecimento dos dois homens e com a localização de órgãos humanos encontrados num matagal perto de Vila Velha, da existência de uma rota de tráfico de órgãos humanos. A hipótese ganha consistência porque no decorrer das investigações outros desaparecimentos de pessoas, comumente de homens jovens, foram relatados aos policiais. São pessoas que saem de suas terras de origem sem informar aos familiares mais próximos, ou mesmo aos amigos, o caminho que pretendem tomar. Como viajam sem rumo certo, tornam-se os alvos preferenciais dos traficantes de seres humanos ou de órgãos de seres humanos.

Programas sob ameaça

O comércio internacional de órgãos humanos está em espiral crescente. No Brasil, o quadro ganhou contornos tão obscuros que a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara Federal decidiu aprovar, em abril passado, o projeto de lei (PLC) 84/02, de autoria do deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP), numa tentativa de inibir o tráfico de órgãos humanos. Na prática, contudo, a lei segue a galope para a galeria das chamadas “letras mortas” porque as denúncias contra as quadrilhas avolumam-se, em especial em cidades fronteiriças, a exemplo da amapaense Oiapoque.

Especialistas da área de transplantes vêm alertando sobre o tráfico ilegal de órgãos humanos com maior veemência desde o começo deste ano. Segundo afirmam, a prática criminosa em países pobres como o Brasil está minando respeitados programas de doação nos países industrializados. Explorar os doadores pobres, especialmente para a obtenção de rins, é uma prática que vem criando um tipo de “apartheid médico” capaz de jogar a opinião pública contra os programas de transplante e ameaçar os esquemas de doação adotados pelos países ricos, alertam.

Comércio milionário

O comércio ilegal de órgãos humanos movimenta anualmente de US$ 15 a US$ 20 bilhões no mundo. Por isso, as máfias estão agindo com mais desenvoltura e violência contra as vítimas. Até meados dos anos 1990 os casos de raptores de adultos para retirada ilegal de seus órgãos, principalmente de rins, se preocupavam em deixá-los vivos. Atualmente, isso não vem acontecendo por razão lógica segundo a ótica dos criminosos: um crime (quase) perfeito é aquele que não tem testemunhas.

O livro-reportagem do jornalista Júlio Ludemir “Rim por Rim” vem batendo recorde de vendas desde seu lançamento pelo Editora Record, em 2008. A obra mergulha no submundo do tráfico internacional de órgãos humanos e faz revelações estarrecedoras sobre suas ramificações no Brasil e a corrupção em diversos níveis do sistema de saúde.

A trama de horror começa na África do Sul, passa por Israel e ganha dimensionamento inimaginável em território brasileiro. De um lado, cidadãos miseráveis, dispostos a trocar uma parte do próprio corpo por dinheiro. De outro, doentes renais dispostos a tudo para comprar um órgão que lhes devolva a saúde e a juventude. Entre os dois extremos, uma próspera máfia de traficantes internacionais que comanda técnicos em hematologia, operadores de bancos de órgãos e tecidos, cirurgiões e profissionais ligados a viagens.

A atuação de organizações criminosas especializadas no tráfico internacional de órgãos humanos é cada vez mais visível em cidades brasileiras com grande movimentação portuária e que fazem fonteira com outros países da América do Sul. A escolha do município do Oiapoque como uma das bases operacionais desses traficantes se deve, conforme pareceres da polícia, à localização da cidade amapaense. Próxima à Caiena, Oiapoque é uma rota quase perfeita para quem deseja transportar clandestinamente órgãos humanos para fora do país.

Crianças e jovens são as principais vítimas das máfias. Como os dois desaparecidos que estavam hospedados na pensão da rua Joaquim Caetano da Silva, no bairro central de Oiapoque. Os órgãos encontrados por moradores de Vila Velha foram recolhidos e enviados para exame. No entanto, mesmo que os peritos comprovem sua origem humana, não será possível descobrir a quem pertenciam sem a identificação de seus supostos “doadores”.

Filme sobre o tráfico

Em 2007, a Paramount Pictures lançou um filme tratando da máfia internacional de órgãos humanos. O suspense “A Passagem” provocou debates em todo o mundo ao descortinar o nível de crueldade com que as vítimas são tratadas. Os órgãos são retirados com elas semi-anestesiadas, portanto, ainda vivas, acondicionados em caixas isolantes e imediatamente transportados para hospitais particulares localizados na Europa e Estados Unidos.

O ator Stephen Dorff interpreta o personagem Luke, um fotógrafo americano, e seu amigo inglês Adam (Neil Jackson), viajam pelo Marrocos e encantam-se com a exótica Zahara (Sarai Givaty), uma nativa. A princípio seduzidos por Zahra, que consegue amostras do DNA dos dois amigos, sentem um crescente temor à medida que ela misteriosamente os leva a um remoto e incrivelmente belo lugar nas Montanhas Atlas. Numa impressionante seqüência que intensifica sua assustadora aventura, os personagens entram num claustrofóbico labirinto de túneis subterrâneos que os levará diretamente à clínica clandestina.

Depois de dominados pelos bandidos, Luke e Adam são anestesiados parcialmente e colocados sobre duas mesas de cirurgia. Pelos equipamentos suspensos no teto, eles testemunham a abertura de seus abdomens e o início da extração de seus órgãos (rins, fígados…). Seus gritos de horror ecoam pelos túneis.

O filme termina com a bela Zahara seduzindo outro estrangeiro, viajante solitário, e se dispondo a ajudá-lo enquanto durar sua estada no Marrocos. Evidentemente, é uma armadilha. Ela o seduzirá, fará sexo com ele e recolherá amostras de seu DNA para ver qual cliente da quadrilha aguarda órgãos com aquelas características.

Anúncios

4 comentários em “Tráfico de órgãos

  1. eu vendo meu rim,tenho otima saude sangue B positivo.nunca bebi e fumei 38 anos 92kgs.(33)88741726 ou (31)91441562

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s