Segurança Nacional

Sucateamento das Forças Armadas ameaça soberania brasileira

Boa parte dos quase oito mil quilômetros de extensão costeira está desprotegida

Forças Armadas
Forças Armadas estão atuando com equipamentos obsoletos

Numa eventual invasão militar estrangeira no Brasil, as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) seriam facilmente derrotadas em, no máximo, três semanas de combates. O alerta eclodiu em audiência pública realizada na Comissão de Relações Exteriores do Congresso Nacional e surpreendeu os parlamentares presentes no encontro. A situação descrita pelos comandantes militares expôs o estado de abandono em que se encontram as três forças de defesa da soberania brasileira. Para começar, a Força Aérea não tem uma centena de caças interceptadores e de ataque para se defender de uma suposta operação ofensiva, com vistas à manutenção da superioridade aérea, à qual se sucederiam um maciço desembarque anfíbio e a ocupação terrestre por parte de forças invasoras. Outra denúncia estarrecedora revelou que a Marinha não dispõe de recursos suficientes para manter um único navio operando 24 horas por dia ao longo da costa.

Na Amazônia, a situação é ainda mais deplorável. Caso forças estrangeiras ocupassem militarmente a região, o Exército não teria condições materiais para suportar um ataque inimigo mais prolongado. Primeiro, os canhões atualmente utilizados remontam à Segunda Guerra. Segundo, possui uma frota de veículos com, em média, 20 anos, e terceiro os blindados pesados estão com cerca de 30 anos de uso. Além desse cenário de decadência, não existem canhões antiaéreos e o estoque de munição só responderia por 15% das necessidades.

Na Marinha, metade dos 21 navios está imobilizada, assim como dois dos quatro submarinos, 27 dos 58 helicópteros e 21 dos 23 aviões. A Aeronáutica sofre com uma frota com idade média de 24 anos.

Apesar desse evidente sucateamento das Forças Armadas , o chanceler do governo Luís Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, trabalha tenazmente para que o Brasil seja aceito no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). Na audiência pública, os comandantes das Forças Armadas não pouparam críticas ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao governo Lula. De acordo com eles, uma nação continental com quase 8.000 quilômetros de extensão costeira, e, a despeito disso, os meios navais são inferiores àqueles de que dispõe a Marinha italiana, está parcialmente desprotegida.

De acordo com os militares, os concorrentes do Brasil pela vaga no CSNU são uma potência nuclear cuja economia cresce à ordem de 7,5% a 8% ao ano, um colosso tecnológico-industrial que corresponde à segunda maior economia do globo, e uma potência científico-tecnológica européia que dispõe do estado-da-arte em matéria de equipamento militar no Velho Mundo.

Quanto ao Brasil, a avaliação deles é pessimista. “Com um PIB nominal pouco superior ao da cidade de Nova York, uma Força Aérea indulgentemente modesta, uma Marinha de Guerra que definha há mais de uma década e um Exército cuja experiência aproveitável em teatros operacionais ultramarinos vem sendo deliberadamente atrofiada pela mais absoluta indiferença dos formuladores do pensamento estratégico em relação à necessidade de envolvimento de forças brasileiras nas operações de paz das Nações Unidas, não se pode esperar muita coisa”, comentaram, unissonantes.

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