Alvo errado

A contradição de Lúcio Flávio Pinto

Excessos na cobertura policial irritam jornalista

Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal (Belém/PA) publicou matéria de contracapa na edição derradeira de seu quinzenário descendo a madeira no jornalismo policial dos três diários paraenses (O Liberal, Diário do Pará e Público). Dizendo ele que o sangue jorra abundante das páginas dos matutinos. E realmente, o pessoal está exagerando.

Aliás, a exploração sensacionalista do noticiário policial é um tema recorrente, motivador de acaloradas discussões socio-teológicas ao longo das décadas. E apesar das críticas, resiste nos dias atuais devido ao carcomido argumento de que desgraça pouca é bobagem. O importante é vender jornal, aumentar a audiência ou vitaminar os acessos. E como tragédia no dos outros é refresco, para alcançar esse objetivo vale tudo: até “abrir” em cinco colunas foto de cadáver ensangüentado. É para escandalizar, mesmo.

Conheço Lúcio Flávio há mais de 20 anos. E o “mocorongo” sempre foi um purista. Em jornalismo, gosta das coisas certinhas, preferencialmente pautadas pela ética. Concordo com ele. No entanto, às vezes Lúcio carrega na tinta e – meio a contragosto – acaba atingindo alvos errados.

No artigo intitulado “Jornalismo policial: sangue encadernado” (Jornal Pessoal – Outubro de 2008 – 2ª Quinzena), Lúcio Flávio não economiza adjetivos. Começa destacando o “descompromisso ético e profissional” dos jornalistas setorizados na área, que segundo ele, só estão empenhados em “(…) atender a morbidez do leitor por sangue e tragédia”. E para dar suporte a esse raciocínio, escalou como protagonista o repórter policial de O Liberal, Dilson Pimentel.

Dilson é jornalista profissional há mais de dez anos. Graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará. Tive o prazer de trabalhar com ele por quatro anos seguidos. É competente, cuidadoso ao extremo na apuração da notícia, elegante no relacionamento com os colegas de redação, sempre bem humorado. Lúcio reconhece essas qualidades, mas errou feio ao incluir o repórter no rol dos aéticos. Tenho absoluta certeza tratar-se de um engano involuntário da parte do Lúcio.

Semanas antes, Dilson Pimentel concedera entrevista à TROPPO (“…suplemento dominical de amenidades de O Liberal”) sobre o papel do jornalista na cobertura policial. “Questionado sobre o ‘caráter de espetacularização da violência nos cadernos de polícia, ‘principalmente em termos de imagens’, ele opina”: “Acho que os jornais têm, sim, que noticiar a violência, mas fazer isso sem estardalhaço, sem sensacionalismo. Devemos nos limitar a noticiar o que está acontecendo, que é o que fazemos no jornal O Liberal, sempre tendo o cuidado na apuração das informações”. (segundo parágrafo do texto de LVP).

Teoricamente, escreve Lúcio Flávio Pinto, as ponderações do repórter procedem. Mas, só teoricamente. Ao contrário do que afirma Dilson Pimentel, segundo o entendimento de Lúcio, a cobertura policial de O Liberal (bem como a das demais publicações) é aética e mentirosa. “(…) não respeitam a imagem das pessoas mortas, não são rigorosas na apuração das informações, falseiam dados, algumas vezes inventam e, em quase todas as matérias, não escondem o propósito comercial de explorar o que consideram o leitor-padrão desse tipo de jornalismo. Se ele é assim, atraído pela face mórbida da vida, esses jornais sensacionalistas fazem tudo para que continue assim”.

O arrazoado de Lúcio tem fundamento, sem dúvida. Contudo, inserir Dilson Pimentel nesse cenário me pareceu forçação de barra. Ora, o editor do Jornal Pessoal inicia o artigo enaltecendo os atributos do repórter (“… é aplicado e uma pessoa atenciosa”.). Seis parágrafos depois afirma indiretamente que Dilson “(…) não respeita a imagem das pessoas mortas, não é rigoroso na apuração das informações, falseia dados…” etc, etc. Aí, não entendi mais nada.

Após ponderar longamente sobre o assunto, cheguei à seguinte conclusão: acho que as sucessivas ausências do grande Luiz Pê da redação do Jornal Pessoal não estão deixando só os cabelos do Lúcio mais brancos.

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Um comentário em “Alvo errado

  1. Meu amigo, o rosto dos cara na foto diz tudo o quanto estão preocupado com o povo. Sim, mudando de assunto hj é dia de RE x PA, como estão os preparativos no Bar do Abreu. Bira deve ter apostado com Marquinho. Macaquinho (Ivan) começa sedo a tomar uma geladinha, paparazzo com sua maquina de fotografando tudo e faturando e, o ronaldo com aquela paciência que Deus lhe deu. saudades calixto (RN).

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