O indeciso

A encruzilhada do vice-governador Pedro Paulo
 Ele precisou reunir-se com Waldez Góes para tomar a decisão

O vice-governador e secretário de Estado da Saúde, Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP), deixou subentendido que pretende aceitar o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A “quase” confidência aconteceu na tarde de terça-feira, 02 de fevereiro, após o encerramento da solenidade de abertura do ano legislativo da Assembleia Legislativa do Amapá.

Pedro Paulo comentou que, após a cerimônia, teria um conversa reservada – e definitiva – com o governador Waldez Góes (PDT) sobre o assunto e que, dependendo do resultado desse encontro, estaria anunciando sua decisão em coletiva prevista para quarta-feira, 03 de fevereiro.

Com duas aposentadorias recentes, o TCE abriu duas vagas para Conselheiro, cargos vitalícios e com rendimentos mensais beirando os R$ 45 mil cada. Uma delas será ocupada por auditor de carreira após envio de lista tríplice ao governador do Estado. A outra cabe à Assembleia Legislativa a prerrogativa da indicação.

Há nove meses, o nome de Pedro Paulo jamais seria cogitado pela AL para ocupar uma das futuras vacâncias no TCE. Por dois motivos: os conselheiros somente se aposentariam em dezembro de 2009 e o vice-governador ainda não tinha assumido a condição de aspirante ao Palácio do Setentrião. Contudo, ao adotar postura de sucessor de Waldez Góes entrou em rota de colisão com o grupo político dominado pelo deputado Jorge Amanajás (PSDB), presidente da AL.

Por conta da pré-candidatura de Amanajás ao governo do Estado e da ambiguidade de Góes em decidir-se pela desincompatibilização em abril ou uma continuidade no cargo até 31 de dezembro de 2010, apoiando uma possível pré-candidatura e depois candidatura de um dos primos dele, Alberto ou Roberto Góes, Pedro Paulo veiculou a ideia de que, tornando-se governador a partir de abril, estava automaticamente declarando-se candidato à reeleição.

O projeto do vice-governador provocou esgares tanto no Palácio do Setentrião quanto na AL. Embora, pelo cenário vigente esse seria o caminho natural a ser trilhado por ele. Saindo Waldez em abril, Pedro Paulo assumiria o comando da máquina político-administrativa. Nessas condições, poderia se tornar quase imbatível nas urnas. Todavia, Pedro Paulo cometeu um erro primário: foi transparente demais nas ações e pensamentos. Com isso, assustou em demasia os grupos políticos convergentes. Transformou em fato consumado uma possibilidade que dependia da anuência – e boa vontade – de poderosos aliados. E esses, tinham (e têm) outros planos. Em suma, Pedro Paulo foi o homem que tentou ser bom o tempo todo entre os inúmeros que não eram bons.

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