Mise-en-scène

A prestação de contas de Waldez Góes, o “Venturoso”

Por quase duas horas, governador tenta explicar o inexplicável

discurso na AL
Da tribuna da AL, Waldez Góes tenta impressionar a claque

Na mensagem de abertura do ano legislativo, apresentada pelo governador Waldez Góes (PDT) na tarde de terça-feira, 02 de fevereiro, no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, foi possível observar um certo esforço da parte dele em demonstrar que, apesar das marchas e contramarchas recentemente registradas entre Palácio do Setentrião e AL, as relações institucionais continuam harmônicas.

Por quase duas horas, Waldez discorreu sobre o que considerou as principais ações “estruturantes” de sua administração nos últimos sete anos. Um arrazoado meticulosamente construído com base na famigerada “Lei Ricupero” (“o que é ruim a gente esconde, o que é bom a gente mostra”) para envolvê-lo numa auréola de governante amplamente bem-sucedido. Isso não é verdade. Como também seria incongruência afirmar que nesse período Waldez foi um fracasso retumbante.

Em sete anos de governo é possível, sim, contabilizar avanços em algumas áreas de seu governo. No entanto, Waldez Góes cometeu um pecado capital sem precedentes na história política do Amapá ao se tornar refém de amizades mais ou menos suspeitas e, no momento em que avalizou a pusilanimidade de seus aliados, estimulou o iscariotismo político contra si.

Estes aliados se pregaram como nódoas na máquina administrativa do Estado e levaram às últimas consequências a infame concepção do “mateus primeiro os meus”. O governador teve oportunidade de extirpá-los, mas, não exerceu na plenitude a autoridade que obteve nas urnas por meio de seus dois mandatos. Nesse aspecto, ele deixou-se levar pelo sentimento de compadrio.

Por isso, nessa fase crepuscular da “Era Waldez Góes” no Amapá pode-se perceber facilmente a dificuldade que o governador enfrenta para emoldurar sua própria história em material nobre. Apesar da reconhecida qualidade dos produtos usados na maquiagem dos números eloquentemente anunciados por ele da tribuna da AL, sua gestão vem sendo pautada por graves contradições internas.

É verdade que não se ganha eleição de véspera. Porém, Waldez tem chances, sim, de eleger-se senador caso decida-se pela desincompatibilização em abril. Um projeto político que, infelizmente, está atrelado a outros, como o do deputado estadual Jorge Amanajás (PSDB), presidente da AL e reconhecido pré-candidato ao governo do Estado. Por conta dessa costura infame, que vem se delineando nos subterrâneos da política amapaense, a próxima eleição para o governo pode-se tornar um simples referendo.

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