Sustentabilidade

 

PROJETO CARBONO AMAPÁ

 

Lana Patricia Santos de Oliveira1

 

Diante dos mais de 2.000.000 ha da Floresta Estadual do Amapá, da diversidade de recursos naturais e das pressões ambientais sofridas continuamente pela Amazônia, têm-se buscado alternativas para o aproveitamento com bases sustentáveis. Portanto, é de fundamental importância que os recursos naturais sejam utilizados de acordo com princípios técnicos eficientes, visando principalmente contemplar questões sociais, econômicas e ecológicas.

Após estudos significativos, observou-se que às florestas quando retiradas para o uso alternativo do solo são fontes de gases de efeito estufa e que, se manejadas corretamente ou preservadas são sumidouros de carbono. Diante dessas informações, o Governo do Estado do Amapá, em maio de 2008 criou o Projeto Carbono Amapá que através da pesquisa aplicada, ambiciona unir o potencial de recursos naturais do Estado com iniciativas desenvolvimentistas concretas. Dessa forma, o Estado se adéqua às políticas recentes que envolvem a floresta, conduzindo-se para atividades relativas ao seqüestro de carbono, um tema que se evidencia gradativamente na atualidade.

As concentrações altas de CO2 e outros gases na atmosfera mostram que há necessidade de buscar soluções práticas aos problemas de emissões. É provado que a floresta desempenha um importante papel nos fluxos de carbono que ocorrem entre a biosfera e a atmosfera. Desse modo, uma alternativa viável à problemática apresentada é estimar a quantidade de carbono que uma floresta pode seqüestrar em condições naturais, pois o “seqüestro” de carbono é uma ação mitigadora da emissão de gases. Iniciativas como o Projeto Carbono Amapá coadunam com as novas políticas macroclimáticas, tal como o Protocolo de Kyoto que visam reduzir as emissões de gases dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, alguns destes últimos com extensas áreas florestais, capazes de absorver carbono em grandes quantidades.

O Projeto Carbono Amapá é executado pelo Instituto Estadual de Florestas do Amapá – IEF, com parcerias do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Pesquisadores do INPA são responsáveis pela metodologia empregada, os quais são pioneiros em estudos realizados sobre carbono no país.

O Projeto divide-se em etapas, realizadas de acordo com metodologia adequada: coleta de dados alométricos de biomassa de parte aérea e de solo (campo); análises laboratoriais (IEPA e INPA); análises estatísticas (IEF e INPA); elaboração de projeto de REDD (IEF, Embrapa Amapá, IEPA, UEAP, UNIFAP, SEMA, IMAP entre outros).

A parte de campo foi realizada na localidade do Cupixi, município de Porto Grande, AP. Consistiu na coleta e pesagem de partes aéreas e de solo de árvores (folhas, tronco, galhos finos e grossos e raízes finas e grossas) localizadas dentro das áreas previamente demarcadas (FIGURAS 01). A este estudo chamamos alometria que tem por finalidade analisar as diferenças entre o tamanho do organismo em relação a ele próprio e as conseqüências do tamanho sobre a dinâmica ambiental.

As amostras foram conduzidas ao IEPA para secagem em estufa, transformadas em cavacos e depois armazenadas em frascos de vidros (amostras testemunhas) e sacos de papel. Foram transportadas até a cidade de Manaus-AM, onde no Laboratório de química da madeira da Coordenação de Pesquisas em Produtos Florestais – CPPF do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA foram reduzidas a pó e analisadas quimicamente (determinação do Carbono orgânico) (FIGURA 02).

Os dados inventariados de campo e as análises de laboratório foram armazenados em planilhas eletrônicas. A fase final de análises destes dados já está em andamento e com término previsto para dezembro de 2009. Esta fase consiste na análise estatística dos dados e teste dos modelos alométricos que mais se adéquam ao Amapá e que já foram testados por Santos (1996) e Higuchi et al. (1998). A modelagem e formulação da equação de seqüestro de carbono vão esclarecer e projetar o quanto de carbono a floresta consegue absorver e a quantidade que pode ser negociada através de créditos. Salienta-se que a negociação de créditos de carbono é uma atividade que beneficia de modo direto e indireto a economia do Estado.

Um projeto desta natureza, que reúne pesquisa e esforços políticos, principalmente com viés ambiental, social e econômico é pioneiro no país, pois, concomitante as pesquisas realizadas, há uma negociação em andamento com governos internacionais para a venda desses créditos. No entanto, para que este estoque de carbono possa ser negociado, em parceria com outras instituições foi montado uma equipe que terá por função levantar informações técnicas para a construção do Projeto de redução de Emissões por Desmatamento e Degradação – REDD, pois somente com informações sistemáticas e confiáveis é que o carbono do Estado do Amapá poderá ser comercializado. O REDD baseia-se no pressuposto de que as florestas somente contribuirão para a redução de gases de feito estufa se seu valor alcançar um nível que torne a proteção das florestas compatível com estratégias viáveis de desenvolvimento.

 

 

1 Mestre em Desenvolvimento Regional e Bióloga

do Instituto Estadual de Florestas do Amapá.

 

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