Mídia conquistada

A história do‭ “‬mensalinho‭” ‬da Comunicação no AP‭ – Final
Os principais personagens do projeto de cooptação do mass-media

mídia amapaense
Jornalista e publicitário: principais personagens dessa história

Ao sinalizar mudanças no pagamento do “mensalinho” a “jornalistas e radialistas” não afinados com a nova política de Comunicação do Palácio do Setentrião, o sucessor de Olympio Guarany na Secom, jornalista Marcelo Roza, provocou mal-estar entre os principais colaboradores do governo Waldez Góes, proprietários dos diários e semanários em circulação na época, além de donos de emissoras de rádio e TV. Roza assumiu o cargo na primeira “reforma administrativa” promovida por Góes, em meados de 2004.
‭Desde 2003, contudo, participava do governo, embora indiretamente, e conhecia como poucos as engrenagens dessa área específica da nova gestão. Afinal, fora secretário de Comunicação no governo João Alberto Capiberibe (PSB), permanecendo fora no mandato “tampão” de Dalva Figueiredo (PT) e retornando após a posse de Góes, não como secretário, e, sim, como principal colaborador do publicitário Paracy Negreiros na montagem da Amazoom – Sistema de Comunicação.
‭A agência de publicidade de Negreiros começou literalmente do zero. Mesmo com recursos minguados, o publicitário alugou um prédio residencial, convertido em comercial, pertencente ao empresário Jorge Récio, localizado na rua Hildemar Maia, onde antes funcionava uma empresa de segurança privada. Os móveis do estabelecimento eram improvisados. Uma funcionária emprestou o próprio computador. Outro, cedeu um bebedouro e uma mesa de escritório. As cadeiras eram poucas, e nenhuma com características comerciais.
‭O primeiro design não tinha nenhuma experiência na área. Apenas auxiliava Claúdio Negreiros, autor das primeiras peças publicitárias. Aliás, na ocasião a agência sequer existia porque não fora legalmente declarada ganhadora da concorrência anunciada pelo recém-empossado governo Waldez Góes. Para oficializar sua entrada no mercado faltava reunir a documentação necessária. E foi exatamente nesse momento que a experiência de Marcelo Roza contribuiu sobremaneira para o bem-sucedido desfecho antecipadamente anunciado. Na verdade, não tinha “prá” ninguém.
‭Confirmada a vitória da Amazoom, Marcelo Roza passou a dar expediente na agência como “consultor especial” de Paracy Negreiros. Funcionava como elo entre Amazoom e Secom, leia-se Olympio Guarany. Mas, não estava sozinho nessa função. O advogado Gutembergue Jácome, alcunhado de o “general” na campanha de Waldez Góes ao governo do Amapá, também dava as cartas na agência de publicidade. Outro com idêntica esfera de influência era o ex-motorista da campanha do pedetista, Joaquim Grunho, o Joca. Além, é claro do próprio governador e dos demais integrantes de seu estado-maior.
‭Ficou estabelecido pelo governo que todos os pagamentos referentes à mídia no Amapá (emissoras de rádio e TV, jornais e revistas, produtoras e gráficas) seriam efetuados diretamente pela Amazoom – Sistema de Comunicação. Procedimento normal. No entanto, o projeto de cooptação da mídia por meio de pagamentos mensais conforme o grau de importância do veículo ou do profissional foi avalizado por todos e entregue fechadinho para Paracy Negreiros executá-lo sem nenhuma alteração. O publicitário nem pestanejou. Mesmo porque naquela ocasião andava muito ocupado com as novas contratações, com as obras de reforma e ampliação do imóvel, com a aquisição de modernos equipamentos de informática, com o volume crescente de trabalho.
‭E a Imprensa amapaense, que vinha de um longo período de vacas magras, sobrevivente de uma relação conflitante com o governo pessebista, vislumbrou o paraíso ao ver-se beneficiária da nova política de Comunicação implantada pelo governo Waldez Góes. Nos primórdios de 2003, circulavam em Macapá somente três diários: O Liberal Amapá (standard), do Sistema Romulo Maiorana de Comunicação (atual Organizações Romulo Maiorana); o Diário do Amapá (standard/tablóide), do jornalista Luiz Melo; e o Jornal do Dia (standard). O jornal A Gazeta, do jornalista Silas Assis Júnior, começou a circular nesse período. Adotando uma linha editorial mais escrachada, com manchetes garrafais e denúncias sub-repetícias contra proeminentes personagens do governo estadual, o tablóide foi sumariamente excluído da lista. Para o publicitário Paracy Negreiros, tratava-se de uma publicação sobremodo escandalosa. Somente no começo de 2005 A Gazeta passou a fazer parte efetiva da relação.
‭Dos semanários de maior longevidade em 2003, destaque para o Jornal dos Municípios, do jornalista Ângelo Pires, e para a Folha do Amapá (já extinta). O primeiro era (e é) estritamente comercial, certamente por isso se mantenha até hoje. O segundo, engajado numa ferrenha oposição declarada aos novos inquelinos do Palácio do Setentrião. Para este último sobraram apenas os rigores da lei. Em idêntica periodicidade, circulavam outros jornais de igual formato.
‭Porém, a partir de julho de 2003 houve um verdadeiro boom de jornais circulantes em Macapá. E de novas emissoras de rádio e TV também. Os programas de rádio quadruplicaram. Apareceram radialistas das mais diversas nuanças e tendências. Da mesma forma, as revistas ganharam visibilidade nas bancas. Agências de publicidade, produtoras, sites de notícia e até blogues emergiram em profusão.
‭Quando assumiu a Secom, em 2004, Marcelo Roza contemplava esse cenário na Impresa amapaense. Embora tenha se queixado entrelinhas da excessiva abertura a “radialistas e jornalistas” promovida pelo antecessor e lamentado que muitos nomes inclusos no listão do “mensalinho” da Comunicação no Amapá não estavam contribuindo como deveriam na divulgação das ações do governo Waldez Góes, esquecera de que mesmo na coadjuvância fora responsável pelo surgimento da miscelânea. Ao tornar-se protagonista das ações, tentou brecar o trem e seus incontáveis vagões. Era tarde demais.

Anúncios

2 comentários em “Mídia conquistada

  1. Prezados Senhores,

    Por favor, solicito intermediar e pedir a Paracy Negreiros que faça contato comigo, pois perdi minha agenda com seus dados.
    Grato,

    Webert Machado
    Juiz de Fora MG

  2. Prezados senhores ,preciso muito falar com Sr. Paracy a mando da Sra. Sheila do Rio de Janeiro.
    Alexandre Condinho Villanova : (21) 7803-8029 .
    Solicito a gentileza de repassarem meu recado ao Sr. Paracy.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s