Qual será o desfecho?

Veto de Góes coloca Amanajás numa sinuca de bico

O reverso do golpe de mestre do presidente da Assembleia Legislativa

presidente da AL AP
Jorge Amanajás vive dilema: a cura ou o cura

Boa parte das alterações avalizadas por 22 dos 24 deputados no projeto original do Orçamento do Estado para 2010 (LOA) foi vetada pelo governador Waldez Góes (PDT). E a peça de defesa apresentada por ele, a princípio veiculada no Diário Oficial do Estado, está fundamentada em informações surpreendentes. Por exemplo, de acordo com a mensagem enviada pelo Palácio do Setentrião à Assembleia Legislativa, os deputados promoveram cortes em unidades basilares para a sociedade como Secretaria de Estado da Educação, Secretaria de Estado dos Transportes e Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública. Somente para citar três de uma longa lista.

O veto é parcial, calcado nas premissas de que os deputados estaduais violaram a Lei de Diretrizes Orçamentárias e as normas do direito financeiro. Além da inconstitucionalidade dos atos, assinala o governador, contrariaram sobremaneira o interesse público. Pelo conteúdo do documento, a bomba-relógio de efeito retardado deve estourar no colo do presidente da AL, deputado Jorge Amanajás (PSDB). O tucano terá de apresentar bons argumentos para explicar os motivos dos cortes no Orçamento 2010 (Projeto de Lei número 0022/2009-GEA). Se não conseguir, terá alvejado o próprio pé. E incidentes dessa monta, em ano de eleições gerais, costumam promover grandes estragos em campanhas antes aparentemente solidificadas.

Na verdade, Jorge Amanajás está numa sinuca de bico. Não pode recuar agora (posicionando-se favorável ao veto de Waldez Góes) sob pena de parecer um líder fraco, uma espécie de “rei Frederico Guilherme IV”, da Prússia, totalmente nas mãos de seu ministro de gabinete, Otto von Bismarck. Mesmo que tente transformar esse recuo numa peça de publicidade favorável à sua pré-campanha, reconhecendo algum tipo de erro de avaliação, estará enveredando pelo caminho sem volta trilhado pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Ou seja, o de pedir desculpas em público quando flagrado em algum malfeito numa tentativa de amenizar a culpa. Tudo mise-en-scène.

Se Amanajás alegar que acatou o veto porque “pensou no povo” e por isso priorizou as políticas públicas do governo Waldez Góes não estará agindo diferente dos pusilânimes contumazes. Se insistir na defesa dos cortes no Orçamento 2010 corre o risco de ser impiedosamente alvejado pela imprensa chapa-branca e, como consequência, exporá seu projeto político aos riscos típicos das guerras de extermínio. Para o presidente da AL, trata-se de dirimir aquela famosa dúvida do doente: Quem chega primeiro? A cura ou o cura?

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