Tudo pelo vil metal

Começou o massacre contra a Assembleia Legislativa

O tucano Jorge Amanajás é o alvo principal das ações da Imprensa

presidente da AL AP
Jorge Amanajás: nem aí para as ameaças do governador Waldez

Está acontecendo o previsível: o presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, deputado Jorge Amanajás (PSDB), e os demais parlamentares, incluindo até mesmo os membros da bancada de oposição (apenas dois), estão levando a maior surra da imprensa chapa-branca. Essa situação, qualquer píton de quarteirão poderia facilmente prever. E sem uso de bola de cristal. Para isso, suficiente analisar as emendas inseridas pelos deputados estaduais no projeto original do Orçamento do Estado 2010 (LOA) para “adivinhar” qual seria a reação do governador Waldez Góes (PDT) e de seu estado-maior. Incluindo os bajuladores mais chinfrins. Mas, o que surpreende mesmo é a desfaçatez dos argumentos empregados em editoriais, artigos, notas de colunas – assinadas ou não – e reportagens pseuda-jornalísticas. A estratégia é confundir a opinião pública aliviando o lado do governo e botando a AL no centro do ringue. Ou seja, o sofismo usado pelos “barões” da imprensa é bem simplório: se ocorrer aumento nos índices de criminalidade e faltar medicamento nos hospitais os culpados são os deputados estaduais que retiraram do Orçamento recursos que seriam empregados pelo governo Waldez Góes na efetivação de políticas públicas que beneficiariam a população. Para embasar essa avaliação, o Amapá Em Dia expõe trecho do editorial “Preocupação com o povo”, veiculado na edição de 15 de janeiro do Diário do Amapá: “Os deputados alegam que o corte seria bom para conter o impeto gastador do Executivo e, eventualmente, poderiam até ter razões para o corte. O problema é que suas excelências foram eleitas para a mais restrita defesa dos interesses do povo que juraram defender”. Um leitor desatento construirá o seguinte raciocínio: Pô, esses deputados são uns sacanas, mesmo! Realmente, estão prejudicando a população”.

Tudo bem, isso é verdade. E o próprio presidente da AL, Jorge Amanajás, reconheceu o extremismo da situação em entrevista ao jornalista Paulo Silva. “O Estado vai começar o ano (2010) sem orçamento”, afirmou ele em tom peremptório. E de certa forma, os deputados estaduais, com raríssimas exceções, agiram por conta de interesses políticos contrariados. Amanajás é pré-candidato ao governo do Estado e queria o apoio de Waldez Góes. Como Waldez não sinalizou nesse direção, Amanajás resolveu contra-atacar. E a arma mais poderosa nesse momento para convencer o governo à esclarecer de vez se apóia ou não a pré-candidatura do tucano era mexer no Orçamento do Estado.

Nada disso estaria acontecendo se este não fosse um ano de eleições gerais. Amanajás é pré-candidato ao GEA com apoio dos deputados estaduais. E Amanajás quer ser lastreado pelo grupo nominalmente liderado por Waldez Góes. Foi um acordo firmado no começo de 2008 em que Jorge Amanajás e boa parte dos deputados se comprometiam em apoiar a pré-candidatura do então deputado estadual Roberto Góes (PDT) à Prefeitura de Macapá. Em troca, Amanajás seria o ungido do Palácio do Setentrião para disputar o governo nas eleições de 2010.

Amanajás encampou a candidatura de Roberto Góes. Subiu nos palanques, fez discurso, pediu votos. Resultado, Góes foi eleito prefeito de Macapá. O presidente da AL iniciou o ano de 2009 considerando-se o pré-candidato oficial do governo. Terminou o ano como candidato à desafeto principal do governo. Como é de seu hábito, Waldez não formalizou nenhum apoio e ainda acenou com a possibilidade de se manter no cargo até 31 de dezembro de 2010 para eleger um dos primos: o secretário Especial de Estado da Infra-estrutura, Alberto Góes, ou o prefeito de Macapá, Roberto Góes.

Sobremaneira insatisfeito com a ambiguidade política de Waldez Góes, Jorge Amanajás alinhavou uma estratégia para imobilizar o governo justamente em ano de eleições gerais. Contou, evidente, com o apoio irrestrito dos deputados estaduais, inclusive do próprio líder do governo na AL, deputado Keka Cantuária (PDT). Quais foram as medidas? Os deputados promoveram mudanças substanciais no projeto original do Orçamento 2010, aumentando os recursos orçamentários do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, do Tribunal de Contas do Estado, do Ministério Público do Estado e da própria Assembleia Legislativa. E dos R$ 14 milhões originalmente destinados à Secretaria de Estado da Comunicação (Secom), a menina dos olhos de Waldez Góes (já que é por meio dela que o governo do pedetista paga a imprensa chapa-branca), os tribunos baixaram para “minguados” R$ 7 milhões.

Waldez ficou apoplético.

Agora, qual o verdadeiro interesse da imprensa chapa-branca contrapondo ao aparente fundo jornalístico espelhado no noticiário factual? É puramente monetário. Com o governo financeiramente comprometido, a Secom estará impedida de fazer os vultosos repasses que vem fazendo à Imprensa ao longo dos últimos sete anos. Uma relação insidiosa estabelecida em 2003 pelo então homem forte do governo Waldez Góes, o advogado Gutembergue Jácome, e rigorosamente operacionalizada pelo então secretário da Comunicação, economista Olímpio Guarany.

Outro agravante, caso o governador do Amapá se desincompatibilize em abril vindouro para concorrer ao Senado, é que sem os milhões retirados do Orçamento pelos deputados estaduais, o hoje vice-governador (e quem sabe em futuro breve, governador) Pedro Paulo Dias de Carvalho estará de mãos atadas para alavancar uma provável pré-candidatura à reeleição, além de não poder ajudar efetivamente na campanha do antecessor. E esse cenário favorece, somente, duas pré-candidaturas: a do próprio Jorge Amanajás e a do ex-deputado estadual Lucas Barreto (PTB), que está assistindo de camarote ao imbróglio entre AL e GEA.

Eis o motivo da indignação de Waldez Góes. Ele não está interessado de verdade em promover o bem comum. Em defender a implementação das tais políticas públicas. É que sem dinheiro em caixa, as políticas assistencialistas viabilizadas via Secretaria de Estado da Inclusão e Mobilização Social (SIMS), capitaneada pela primeira-dama Marília Góes, não produzem os dividendos políticos tão necessários em ano de eleições gerais. O governo também não poderá transferir à Imprensa as polpudas quantias (milhões de reais) que fazem a alegria dos “barões” chapas-brancas.

Dessa forma, os ânimos entraram em estado de ebulição. Os donos de jornais, rádios e televisão ombreados com o governo não querem, nem por hipótese, que seus recursos sejam reduzidos. Isso implicaria em apoio menos efetivo ao futuro pré-candidato a senador Waldez Góes. Por isso, quando os jornais e emissoras de rádio e televisão divulgaram o veto governamental ao Orçamento 2010 aprovado pelos deputados estaduais, lançaram mão dos citados argumentos visando transformar o legislativo estadual em vilão. Na verdade, na verdade, somente jogo de interesses. Nada mais e nada menos do que jogo de interesses. Nesse caso, o que menos interessa é o bem-estar da população amapaense.

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