O infiltrado

O paraibano que cumprimentou Adolf Hitler
 General revela sua missão secreta na Alemanha nazista
 

o herói brasileiro
O militar conheceu de perto a Alemanha nazista

 Há muito tempo, a trajetória pessoal e profissional do general reformado Roberto de Pessôa, exibida domingo, 17 de janeiro, no Esporte Espetacular, deveria constar nos livros de história. Uma pena, como bem frisou o repórter Régis Rösing, que o povo brasileiro esqueça tão facilmente seus heróis. Em fevereiro, o militar estará completando 100 anos. Ainda bem. Porque ainda houve tempo de resgatar – e mostrar para a nação – o que este homem fez pelo Brasil. No Amapá, o problema é idêntico. Nos últimos oito anos, homens e mulheres que construíram a História do Amapá e, principalmente, de Macapá, com muita determinação e trabalho faleceram sem que tenham deixado para a posteridade um registro minucioso dos fatos históricos que protagonizaram ou testemunharam. Ainda hoje, dormita em alguma gaveta o projeto do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Amapá. Até o MIS sair do papel, muitos personagens hoje idosos certamente não estarão entre nós. E suas memórias não poderão mais ser resgatadas. Esse relaxamento com o passado pode resultar em um povo sem história. O general Roberto de Pessôa viveu um período de profundas transformações, de eferverscência política, de guerra mundial. Esteve em contato com personagens que desencadearam o pior conflito da história do homem. E conseguiu ser recebido por Adolf Hitlter.Um brasileiro entre os nazistas

Em agosto de 1936, Adolf Hitler mostrava sua força ao mundo e recebia 3.963 atletas de 49 países no Estádio Olímpico de Berlim, para a disputa dos Jogos da Alemanha. O Brasil não alcançou o objetivo de trazer medalhas, mas conseguiu extrair do regime nazista importantes informações.

Infiltrado entre os 94 atletas da delegação verde e amarela (entre eles, Maria Lenk e João Havelange), o então Tenente Roberto de Pessôa, de apenas 26 anos, foi enviado pelo Exército Brasileiro para uma missão secreta. Pessôa usou o disfarce de profissional da comissão técnica para chegar à Alemanha e tentar descobrir os segredos da metodologia da educação física e mental dos soldados nazistas – conhecidos pela disciplina, autoconfiança e resistência.

– Meu pai foi à Alemanha em 1936 após ter concluído o curso de Educação Física. A missão principal era trazer ensinamentos da metodologia alemã, que estava em um nível de desenvolvimento avançado. Todas as técnicas de treinamento que produziam atletas de alto nível na época foram absorvidas de uma forma geral e ele teve a oportunidade de transmitir isso no Brasil quando assumiu a cátedra de metodologia da Universidade do Brasil. Os ensinamentos são usados no Exército e nas escolas até hoje – contou o coronel Pessoa, filho de Roberto de Pessôa.

O tenente brasileiro cursou a Academia de Esportes do Terceiro Reich e teve sucesso em sua missão. Voltou ao Brasil e ajudou a desenvolver as práticas de educação física aplicadas até hoje nas Forças Armadas e nas escolas.

Setenta e quatro anos depois do episódio, Roberto de Pessôa é General reformado e está prestes a completar cem anos em fevereiro.

Depois de se infiltrar entre as tropas alemãs durante as Olimpíadas de Berlim-1936 e extrair do regime de Adolf Hitler importantes informações sobre os avanços da preparação física alemã, o então Tenente Roberto de Pessôa ficou muito interessado pelo trabalho dos paraquedistas do Terceiro Reich. Anos mais tarde, ele se tornaria o primeiro paraquedista militar brasileiro.

Aos 26 anos, Pessôa colocou na cabeça que queria aprender a saltar. Foi apresentado ao ministro dos Esportes da Alemanha, Hans von Tschammer, e pleiteou uma vaga no curso dos militares alemães. Nada feito. Tschammer negou o pedido, por ser uma força especial secreta de Hitler, mas ofereceu ao brasileiro a formação em planadorismo. Oferta aceita.

Os dois cursos aconteciam no mesmo local, a Ilha de Sylt. Pessôa fez amizade com os soldados nazistas e, quando se formou na prática de pilotar planadores, também já tinha aprendido os segredos do paraquedismo.

Para decepção de Roberto de Pessôa, alguns de seus amigos de curso se tornaram pilotos do exército alemão na Segunda Guerra Mundial. Ao saber disso, o brasileiro decidiu que queria lutar ao lado dos Aliados (Inglaterra, França, Rússia e, mais tarde, EUA), contra os nazistas, e pediu ao governo brasileiro para treinar com os paraquedistas americanos em Fort Benning, nos EUA. Ele participou de atividades junto com o contingente Airborne, a 101ª Divisão Aerotransportada, que saltou na Normandia no famoso Dia D, em 1944.

Após a temporada na Terra do Tio Sam, Pessôa retornou ao Brasil. O Exército Brasileiro não permitiu que ele combatesse na Segunda Guerra Mundial, mas restou-lhe a honra de ser o primeiro paraquedista militar brasileiro da história. Nos anos seguintes, Pessôa disseminou a prática do paraquedismo no país, ensinando as técnicas aprendidas na Ilha de Sylt (Alemanha) e no Fort Benning (EUA).

O militar paraibano Roberto de Pessôa, 99 anos, guardou o segredo por 73 anos: tinha uma missão secreta nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. É esta a incrível história que o repórter Régis Rösing vai revelar no programa “Esporte Espetacular” deste domingo, 17 de janeiro. Enviado à Alemanha como integrante da delegação brasileira, ele foi encarregado de descobrir segredos da metodologia de educação física usada pelo Terceiro Reich no treinamento de seus soldados.

Com uma credencial de imprensa, Roberto de Pessôa teve acesso à tribuna ocupada por Adolf Hitler no estádio Olímpico no dia da inaguração dos Jogos. Ciente de que, se fosse visto perto do líder, ganharia pontos junto a autoridades importantes da Academia de Esportes do Terceiro Reich, o então tenente tratou de se posicionar pouco abaixo do ditador, na primeira fila abaixo do cordão de segurança.

– Eu me lembro como se fosse hoje – disse.

Roberto chegou a cumprimentar Hitler – “um cumprimento cordial, um contato amável, até” – e, foi apresentado ao ministro dos Esportes alemão, general Hans von Tschammer. Com isso, fez boa figura e passou boa impressão aos companheiros da Academia de Esportes.

A fotografia que tirou, bem de pertinho, de Adolf Hitler ao lado do general von Tschammer, é uma relíquia que guardou por mais de 70 anos.

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2 comentários em “O infiltrado

    1. É…
      A história do general reformado Roberto de Pessôa é fascinante. Certamente devem existir (e bem vivos como o militar paraibano) outros brasileiros que contribuíram, em alguma época de suas vidas, com algum ato ou feito heróico. E por conta de nossa “prodigiosa memória” nacional desconhecemos as histórias dessas pessoas.
      Volte sempre ao Amapá Em Dia.

      Um abraço do
      Emanoel Reis

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