Drama Urbano

bairro abandonado MCP
Uma das ruas do Vale Verde, Distrito da Fazendinha

Vale Verde sobrevive esquecido pelo poder público

 

 

Problemas infra-estruturais podem aumentar no período de chuvas

Distante cerca de 13 quilômetros da área urbana de Macapá, o bairro Vale Verde, localizado no Distrito de Fazendinha, parece estar fadado ao abandono, uma sina triste e parecida a dos bairros periféricos mais distantes do centro da cidade. Com pouco mais de três mil moradores, o bairro oferece condições mínimas de vida aos moradores. As dificuldades vão desde a falta de iluminação pública até a ausência de escolas para atender a educação infantil das crianças. Os moradores estão reivindicando melhorias desde a posse do prefeito Roberto Góes (PDT), mas até o momento não há sinais de que a PMM atenderá os pleitos. Apenas uma escola, cuja obra vem se arrastando a meses, e não há previsão para sua conclusão, tenta resistir ao abandono. Procurado pela reportagem do Amapá Em Dia, o secretário estadual de Obras, Rodolfo Torres, não foi encontrado e nem retornou os telefonemas. Apesar do pouco tempo de existência, menos de 10 anos, a bairro, ou melhor, os moradores vêm construindo suas histórias, seu movimento social e fazendo circular a economia do local. Algumas dezenas de estabelecimentos comerciais, principalmente de gêneros alimentícios, dão sustentação a esse pequeno, mas valioso, processo econômico. Ainda assim, estão esquecidos pelo poder público. A vida é pacata, mas os casos de furtos e roubos são constantemente relatados pelos moradores. Arlindo Feitosa de Araújo, um senhor de 52 anos e com as marcas do tempo bastantes avançadas no rosto, conta estar cansado de ver trabalhadores perderem seus salários, pertences e a esperança de tudo se ajeitar.

Quem percorre o bairro, não imagina que o local já foi bastante cortejado pela elite econômica do Estado por estar localizado numa área nobre, distante aproximadamente 400 metros do maior rio do mundo, o Amazonas, e na margem da rodovia Juscelino Kubitscheke, que liga as cidades de Macapá e Santana. “A história desse bairro poderia ser contada de outra forma, com uma realidade onde prevalecesse a qualidade de vida, se o poder público desse mais atenção ao crescimento da cidade. Mas, não da forma como um bairro aparece e fica à mingua”, protestou a moradora Carmen Luiza dos Santos Brasil, de 32 anos.

Enquanto Carmen Luiza falava, reclamando das péssimas condições estruturais do bairro, apontava em direção às vias de acesso às quadras residenciais. Apenas um cinturão asfáltico feito com asfalto de má qualidade e produto de um processo eleitoreiro circunda dentro da área. O restante das ruas e avenidas estão tomadas por buracos, poças d’água, lixos, animais mortos. A coleta domiciliar do lixo é deficitária.

O único canto de lazer da população, reformado também dentro de um projeto eleitoreiro, o campo de futebol chamado de “Pulo do Gato”, não atende os interesses da comunidade. Ele está tomado tomado pelo mato e as estruturas do campo estão comprometidas.

Perigo ronda moradores

Não seria nada estranho se em cada esquina do bairro Vale Verde uma placa fosse fincada na chão estampando o popular símbolo da pirataria, aquele do crânio com dois ossos cruzados em forma de X embaixo muito visto em filmes de piratas e em lugares que denotam perigo de vida.

Essa triste ralação não é mera coincidência. Quando a noite chega, o perigo realmente ronda pelo bairro. Apesar do sistema de instalação de posteamento, a escuridão toma conta das ruas e avenidas. A iluminação pública quase não existe, formando apenas pontos de claridade, o que favorece em muito a violência. O restante das lâmpadas está queimado. As poucas que sobraram não funcionam direito. Acendem e apagam diversas vezes durante a noite, sem contar com os blecautes que de vez em quando denunciam o frágil sistema de fornecimento de energia elétrica do Estado.

A segurança pública está bastante comprometida. Raramente se percebe a presença de viaturas policiais em rondas noturnas. Por outro lado, a algazarra de vândalos e marginais são constantes. Furtos em residências também é muito comum no bairro. Posto policial nem se imagina quando poderá contar com o serviço. O apoio é fornecido por uma pequena guarnição localizada próximo ao matadouro municipal, em outro bairro do distrito. “Aqui é muito comum os roubos, tudo por falta de policiamento ostensivo”, reclama a moradora Carmem Luiza.

Os pequenos comércios funcionam como “prisões comerciais”, onde o dono fica trancafiado dentro do estabelecimento por uma grade de ferro, como barreira para os assaltantes.

O fornecimento de água potável não existe. Em busca do produto a população se vira como pode e a solidariedade é que prevalece entre os moradores. Somente poços amazonas e artesianos são as únicas fontes de água. Ainda assim, há muita reclamação de que os vírus das hepatites A e B são transmitidos pela água consumida.

Mas o que deveria ser um ponto de investigação dos programas de saúde pública, acaba se transformando num transtorno para a população local. É que no bairro não há posto médico, muito menos farmácias para atender a demanda de quem procura ajuda.

Nos casos de doenças ou de pequenas enfermidades ou acidentes domésticos, os moradores que necessitam de atendimento são obrigados a caminhar até o posto médico do bairro vizinho, distante algumas centenas de metros. Em casos mais graves, o doente precisa se deslocar para Macapá, em busca de atendimento.

Drama do transporte

Apesar dos muitos apelos por atenção do poder público, o Vale Verde, comicamente apelidado de “Vale da Esperança”, numa alusão a cor verde, ainda não conta com linha de transporte coletivo exclusivo para o bairro. Os que dependem de coletivos correm para beira da rodovia para esperar os ônibus que fazem a linha Macapá/Santana. Acidentes já vitimaram muitos moradores. Na hora do rush, os moradores ficam a ver navios nas paradas de ônibus. É que os coletivos passam lotados em ambas as direções e os trabalhadores e estudantes acabam perdendo o horário, e consequentemente o dia. Para evitarem esse prejuízo, precisam acordar mais cedo que o normal e chegarem a tempo aos seus destinos.

É necessário que prefeito e governador olhem com mais atenção para este bairro. Ele cresceu e as necessidades dos moradores também. Não podemos mais conviver com a situação das autoridades só olharem para nós na época de eleição. É preciso levar a população mais a sério” disse Carmem Luiza.

Enquanto o poder público se mantém ausente do bairro, os moradores vão carregando na alma o verde da esperança de um dia tudo melhorar, tendo no outro lado da rodovia, nos meses de setembro e outubro, a imponência econômica de feira agropecuária que não trás nenhum resultado financeiro, nem para o Estado, muito menos para a esperança dos moradores do triste “Vale Verde”.

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