Pedaço de História

Os 90 anos do coronel Jarbas Passarinho
 Um dos principais articuladores do golpe militar de 1964

A única vez em que cumprimentei Jarbas Gonçalves Passarinho foi nas eleições de 1994, quando ele, candidato ao governo paraense apoiado pelo ex-governador e então candidato ao Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), visitou a redação da Rede Brasil Amazônia de Televisão (RBA). Encontrava-me em minha mesa de trabalho quando aquele senhor idoso, na ocasião com 84 anos de idade, atravessou lentamente a soleira da porta, em passos vagarosos, trôpegos mesmo, ladeado por Barbalho e demais dirigentes da emissora de TV. Parecia extremamente fragilizado. Ainda assim considerava-se em condições de confrontar e vencer o serelepe candidato do PSDB, médico Almir Gabriel.

Recepcionado pelo diretor de jornalismo da RBA, Gerson Nogueira, Jarbas Passarinho foi apresentado a cada um dos jornalistas presentes, fez alguns comentários quase inaudíveis, esboçou uns sorrisos, afagou determinados ombros femininos, em seguida virou-se em direção à porta e caminhou, arrastando os pés. Em tom jocoso, ouvi alguém comentar: “Desse jeito, não termina a campanha”.

Não só chegou ao fim daquela campanha, embora para ele malsucedida – foi “soterrado” pela avalanche de votos obtidos por Almir Gabriel – como na segunda-feira, 11 de janeiro de 2010, celebrou 90 anos de vida. Comemorou com discrição, marca registrada de seu estilo pessoal.

Acreano de nascimento, Jarbas Passarinho exerceu papel preponderante no golpe militar de 1964, tornando-se um de seus colaboradores mais efetivos e um de seus principais teóricos, chegando a rivalizar em brilhantismo intelectual com o general Goubery do Couro e Silva, fundador do terrível Serviço Nacional de Informações (SNI).

Pode-se discordar das ações do político e militar Jarbas Passarinho. Contudo, jamais deve-se ignorar sua relevância enquanto inteletual de direita. Afinal, é personagem proeminente do período republicano que começou com o regime militar, passou pela redemocratização e prossegue pela atual fase de globalização.

Coronel de artilharia, administrador cartesiano, quatro vezes ministro – do Trabalho (Costa e Silva), da Educação (Médici), da Previdência (Figueiredo) e da Justiça (Collor). Leitor compulsivo, orador refinado, articulador paciente, destacou-se também como um dos grandes políticos da restauração democrática. Foi eleito senador três vezes, foi governador do Pará e chegou a presidente do Congresso Nacional.

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