AL no Judiciário

O que há por trás da reação de Waldez Góes

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Embora afirme o contrário, o governador Waldez Góes (PDT) está realmente contrariado com a decisão da Assembleia Legislativa do Amapá em promover cortes substanciais no Orçamento 2010. A decisão do legislativo estadual, ocorrida em 23 de dezembro passado, foi meticulosamente alinhavada pelo presidente da AL, deputado Jorge Amanajás (PSDB), e afiançada por 22 dos 24 deputados estaduais. O orçamento de quase R$ 2,5 bilhões para este ano foi completamente redefinido pelos parlamentares em votação expressa e à portas fechadas. O governo ficou com a calça nos joelhos – não se sabe se vestindo ou tirando. Mas, pela reação de Waldez Góes em recente entrevista a uma emissora de rádio, ficou subentendido que o governo estava tirando. Talvez um caso extremo de sodomia contábil tenha sido registrado nessa ocasião. Sem dúvida, Waldez Góes é sagaz. Jamais deixaria transparecer em público qualquer tipo de emoção escusa. No entanto, no recôndito certamente deve ter vociferado horrores contra os deputados estaduais, principalmente arremessado algumas pragas na direção do tucano Jorge Amanajás. Se assim procedeu, reagiu como qualquer outro reagiria se em situação idêntica. Ficaria possesso, explodiria em “três mil palavrões”, atiraria alguns objetos contra a parede do gabinete, depois tomaria um chá de camomila e maquinaria algum plano “maquiaveliano” para vingar o ultraje.

Porém, Waldez é religioso. Provável que não tenha esbravejado, nem proferido palavrão, tampouco lançado sequer uma simples bolota de papel contra a parede. Sendo ele católico apostólico praticante possivelmente tenha parado às proximidades da janela de seu gabinete de trabalho, no Palácio do Setentrião, com as mãos cruzadas para trás e, olhando compungidamente na direção do prédio localizado na esquina da avenida FAB com a rua Leopoldo Machado, pronunciado baixinho a seguinte frase: “Eu te perdoo, Jorge Amanajás!”.

As duas reações seriam compreensíveis ante a notícia de que o Orçamento pretendido pelo governo para 2010 fora esviscerado por emendas parlamentares, apresentadas inclusive por notórios aliados. Com amigos assim, os inimigos são dispensáveis, deve ter pensado Waldez Góes. Se não pensou, então, em vez de aspirar ao Senado realmente o governador do Amapá deve pleitear uma vaguinha em algum mosteiro tibetano.

Como Waldez não almeja o nirvana, retornou das férias disposto ao confronto. Vetou o orçamento aprovado pela AL e anunciou a intenção de implodir a manobra política da Assembleia Legislativa, leia-se Jorge Amanajás. Se necessário, recorrerá à Justiça contra as emendas dos tribunos estaduais. E não tergiversou como de costume: “(…) vou me posicionar no Diário Oficial e lá vão estar as razões porque eu vetei”. Ou seja, para manter o status quo atual o governador vai às últimas consequências.

Nesse aspecto, Waldez está certo. E parafraseando o governador, “(…) da forma como [o orçamento] foi aprovado [a população será a maior vítima]”. E o próprio presidente da AL, Jorge Amanajás, reconheceu, em entrevista recente ao jornalista Paulo Silva, que as alterações foram tão insidiosas que o Estado pode começar o ano sem orçamento. Por mais que contemporize em público para evitar maiores fissuras no casco da tão decantada “harmonia entre os poderes”, Waldez já percebeu, na verdade, que o objetivo final é outro. E por isso, resolveu partir para o ataque.

Com tantos interesses em jogo, é preciso admitir que os queixumes do pedetista não soam extemporâneos. Afinal, foram retirados R$ 155 milhões “(…) do órgão responsável pela execução de políticas públicas” e redistribuídos conforme o entendimento dos deputados estaduais. Waldez lamentou a ingerência. Adverte que sem essa verba não poderá realizar as mesmas “proezas” do ano passado (2009) em relação à saúde pública, educação, previdência estadual, segurança, etc.

Entretanto, surge uma dúvida: se o governador aplicou em 2009 essa montanha de dinheiro em “políticas públicas” porque apareceram tantos problemas nessas e noutras áreas? Se realmente todo esse dinheiro fosse aplicado na criação de mecanismos de promoção do bem-estar da população amapaense, muitos dos problemas hoje em evidência estariam com os dias contados. Infelizmente, pelo cenário observado em todo o Estado, facilmente se deduz que nem todo recurso anunciado é aplicado em políticas públicas.

Aí está o verdadeiro motivo da choradeira do governador Waldez Góes. Com os cortes no Orçamento 2010, um ano de eleições gerais relevante (e decisivo) para o futuro de seu grupo político, barganhar exigirá esforços redobrados. Principalmente porque uma de suas principais ferramentas de persuasão, a Secretaria de Estado da Comunicação (SECOM), foi duramente golpeada pelos deputados estaduais. De uma previsão de R$ 14 milhões, o titular da SECOM, Marcelo Roza, só disporá da ninharia de R$ 7 milhões.

Essa perspectiva não agradou os donos de jornais, emissoras de rádio e televisão, agências de publicidade, produtoras e demais beneficiados. Ainda mais porque, logo após ser informado do corte nos recursos, Roza tratou de emitir sinais de que, prevalecendo as alterações promovidas pela AL, o bolo publicitário perderia em volume. Logo, “sobraria” para a mídia chapa-branca. Com essa probabilidade nada alvissareira despontando no horizonte, os “barões” da imprensa amapaense passaram a se articular, cada um a seu modo, para evitar o arrefecimento do tilintar das moedas na caixa registradora.

Dessa vez, não haverá derramamento de sangue. Afinal de contas, todos são “aliados”. Até porque a imprensa chapa-branca não pode – e nem deve – confrontar Jorge Amanajás. Da mesma forma, boa parte dos deputados estaduais. No entanto, para evitar cortes acentuados no Orçamento, sobretudo, no concernente aos recursos da SECOM, os empresários do setor da Comunicação no Estado deverão se empenhar em promover o “entendimento” entre GEA e Assembleia Legislativa. Não porque estejam preocupados com o futuro da população amapaense. Isso é de somenos importância.

 

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