Liderança contestada

 As controvérsias da pré-candidatura de Lucas Barreto 

Pré-candidato do PTB
Lucas Barreto: alternativa de governabilidade

A pré-candidatura ao governo do Amapá do ex-deputado estadual Lucas Barreto (PTB) vem suscitando hipóteses as mais estapafúrdias conforme os interesses – abertos ou velados – do autor/da autora das mirabolantes suposições. Uma delas refere-se ao volume de votos obtidos pelo petebista nas eleições municipais de 2008 (mais de 50 mil). Interpretam esse resultado como uma demonstração da liderança política dele em nível estadual.

No ânsia em querer agradar, os sofistas de aluguel extrapolam o bom senso e tentam construir tais argumentos sobre verdades mal ajambradas. A trajetória de Lucas Barreto (eleito quatro vezes deputado estadual e candidato ao governo nas eleições gerais de 2006, obtendo pouco mais de 10 mil votos) revela um político com densidade eleitoral acima da média. Mas, isso não significa que o bem-sucedido trajeto o eleve à condição de “liderança política inconteste”.

Os mais de 50 mil votos obtidos por Lucas Barreto em 2008, na disputa pela Prefeitura de Macapá foram consequência de dois fatores bem delineados – e apenas ignorados por aqueles que preferem disseminar meias verdades para confundir ouvintes/leitores. Primeiro, desde o início da campanha os índices de rejeição aos candidatos Roberto Góes (PDT) e Camilo Capiberibe (PSB) eram significativos, com percentuais mais acentuados para Roberto Góes. Segundo, a expressiva votação no primeiro turno não foi mérito única e exclusivamente de Barreto. Foi uma manifestação espontânea de desagravo do povo macapaense em relação às candidaturas de Góes, que representava (e representa) o continuísmo de uma administração estadual bastante controversa, e o possível retorno ao Executivo, mesmo sendo ele municipal, de um membro da família CapiberibeNo primeiro turno, o entendimento da população votante era esse: nem Góes e nem Capiberibe. A saída, entre os demais candidatos, era Lucas Barreto. Até então, visto como um político sem máculas. Com um histórico de gestor sério e competente.

 

No setor produtivo do Estado, leia-se Associação Comercial e Industrial do Amapá (ACIA), tanto Góes quanto Capiberibe enfrentaram resistências. O presidente da ACIA, empresário Gilberto Laurindo, chegou a confidenciar que ao recepcionar Camilo Capiberibe na sede da entidade não titubeou em afirmar que boa parte dos associados não apoiariam o candidato pessebista. Sobre Roberto Góes, comentou Laurindo, havia o temor de que as contramarchas político-econômicas protagonizadas pelo governador Waldez Góes ao longo dos últimos anos se repetissem na Prefeitura de Macapá. 

A candidatura de Lucas Barreto era a única com baixo índice de rejeição entre os empresários. Contudo, como a maioria estava comprometida com acordos políticos fechados com antecedência preventiva, Laurindo não obteve o apoio financeiro necessário para fermentar a campanha do petebista. Ou seja, os financiadores não acreditaram numa decolagem sem turbulências no decorrer da disputa. Por isso, segundo comentários de Gilberto Laurindo, somente nas semanas de maior efervescência que a candidatura de Lucas Barreto entrou em espiral crescente. 

E essa ascensão na preferência dos eleitores macapaenses fez Barreto ser enxergado como uma autêntica liderança política em ascendência. Imagem que o petebista cultivou com extremada diligência até o escândalo dos Atos Secretos do Senado em que ele apareceu como um dos beneficiários do gabinete do próprio presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP), recebendo, sem trabalhar, o “minguado” salário de R$ 7,5 mil mensais, religiosamente depositado em sua conta. 

Portanto, por mais que venha trabalhando a pré-candidatura ao governo do Estado desde meados de 2009, quando, por determinação de José Sarney, o jornal A Gazeta (edição de 9 e 10/08/2009) fez veicular entrevista “exclusiva” em que Barreto aparece confirmando a pré-candidatura, não existe nenhuma chance dele ser alçado à condição de liderança política amapaense. Mais da metade dos 50 mil votos obtidos em 2008 não são do ex-deputado. Ele não os granjeou porque estabeleceu um novo divisor na política amapaense como o fez o ex-senador João Alberto Capiberibe (PSB) nas eleições de 1994. 

Lucas Barreto conquistou aquele significativo número de votos em 2008 porque não havia, no entendimento da população, outro candidato melhor que ele. O mesmo aconteceu nas eleições municipais de 2004, quando o então prefeito de Macapá João Henrique Pimentel (PT) foi reeleito. 

Ao ser apontado com 29,9% na preferência do eleitorado em recente pesquisa divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, Lucas Barreto ressurge temporariamente como alternativa de pré-candidatura ao governo do Estado. O resultado era previsível, exceto pela segunda opção ocupada pelo deputado estadual Camilo Capiberibe. Porém, no frigir dos ovos, tanto Barreto quanto Capiberibe desenvolvem trabalhos parecidos, em alguns aspectos, junto às populações de baixa e média rendas. Sem mandato desde 2006, Barreto tem aproveitado o tempo para visitar mais frequentemente suas bases eleitorais. Por sua vez, Camilo Capiberibe desenvolve um contínuo trabalho político nos municípios e nas áreas urbana e rural de Macapá. Diferente de outros deputados, Capiberibe é incansável no contato direto com a população. Ambos ocupam espaços minguados na mídia chapa branca, mais acessível, a Barreto e frontalmente avessa ao pessebista. 

Quanto às pré-candidaturas do vice-governador e secretário de Estado da Saúde, Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP), e do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Amanajás (PSDB), existem senões que precisam de urgente depuração. Apesar de igualmente vir se empenhando no trabalho de base, Amanajás ainda não conseguiu revestir-se da imagem de postulante à sucessão de Waldez Góes, em 2011. Trata-se de um pré-candidato ao GEA com postura de deputado pleiteando a reeleição. Não é visto por setores influentes da sociedade como liderança política capaz de promover mudanças substanciais na estrutura do governo. Pelo contrário, como nos últimos sete anos foi – e ainda é – aliado “linha de frente” do governo Waldez Góes na AL, o eleitor o vê como pré-candidato da continuidade. Ou seja, aquele que, se eleito em outubro vindouro, não vai cheirar nem feder. Um mingau desandado. 

Pedro Paulo vai no mesmo caminho. Com um agravante: vem continuamente afirmando a intenção de dar continuidade ao “modelo politico-administrativo” estabelecido pela gestão atual. Nesse caso, sem apresentar nenhum diferencial, o eleitor projeta no vice-governador o Waldez Góes do futuro, é claro, sem as nuanças próprias do futuro. O mesmo conteúdo em embalagem nova. Quer dizer, para o eleitor amapaense Pedro Paulo não passa de uma analogia. Um semelhante entre semelhantes.  

 

 

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