É muita grana

deputado federal
Bala: mais R$ 4,6 milhões em emendas

 A bancada federal e as emendas milionárias

 

Se depender das emendas dos deputados e senadores da bancada federal amapaense, em breve o Amapá será o Estado mais desenvolvido da Amazônia Legal. Desde meados de 2006, quando os atuais parlamentares passaram a atuar com maior desenvoltura no Congresso Nacional, os matutinos e semanários locais divulgam, às vezes com estardalhaço desmedido, a liberação de volumosos recursos para aplicação nesse e naquele projeto. Mas, apesar da intensa “propaganda” feita pelos veículos da mídia tradicional, pouco se tem visto em termos de obras em andamento, em fase de conclusão ou inauguradas. Não se sabe, sequer, se o dinheiro chega a ser liberado pelo governo federal.

O problema é que os jornais repercutem a suposta obtenção dos recursos, mas, não checam se realmente o dinheiro anunciado pelo/a parlamentar chegou ao seu destino. Ou se sobreveio, não conferem se o montante bate com o valor anunciado. Se foi ou será aplicado nas obras previstas. Quem ou quais órgãos serão responsáveis em gerenciar esses recursos. Trata-se de processo nebuloso que, mesmo acompanhando pela internet, é de difícil entendimento.

Somente para citar um dos muitos exemplos, na primeira quinzena de dezembro passado o deputado federal Sebastião Rocha (PDT), o “Bala”, anunciou a liberação de emendas “(…) para iniciação e conclusão de obras no Amapá” no valor de R$ 4,6 milhões. Segundo “Bala”, o dinheiro será usado na “(…) aquisição de equipamentos para o Instituto Profissional Padre João Plamarta, em Santana; construção de piscina olímpica em Santana; aquisição de silos graneleiros para armazenamento de grãos; construção de centro de convivência e escola de música em Oiapoque; e construção de creches, uma em Santana e outra em Macapá”.

Na reportagem veiculada em jornal local, intitulada “Bala Rocha garante mais de R$ 4 milhões para o Amapá”, os beneficiados foram nominados como estabelece a legislação. Contudo, isso não é o procedimento padrão. Em matérias idênticas o destaque fica por conta do valor da emenda e da importância, para o dono/donos do jornal, do autor dela. Um caso clássico até hoje lembrado por alguns foi protagonizado pelo ex-deputado federal Eduardo Seabra (PTB) no começo dos anos 2000. Jornais e emissoras de rádio e televisão anunciaram com estardalhaço a liberação de R$ quase R$ 7 milhões para reforma e ampliação do Estádio “Zerão”.

Onde o dinheiro está? No governo estadual, aparentemente ninguém tem a resposta exata. Nem o próprio ex-parlamentar. Comentam, em secretarias especiais, que o recurso foi liberado e desviado para outras finalidades “mais prementes”. O próprio Seabra afirma, com convicção, de que os quase R$ 7 milhões saíram do Ministério dos Esportes com destino ao Amapá. O que aconteceu no decorrer da viagem é um dos muitos mistérios que sobejam à sobra do Palácio do Setentrião. Uma caixa-preta cuja chave original deve repousar na profundeza de alguma gaveta, convenientemente esquecida entre quinquilharias e pilhas de papéis inúteis.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s